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Animação espanhola 'As Múmias e o Anel Perdido' é ideal para divertir as crianças

Apesar da qualidade distinta em relação a DreamWorks e Pixar, animação espanhola da Warner tem os ingredientes do entretenimento

23 fev 2023 - 05h11
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Se há uma característica marcante em As Múmias e o Anel Perdido, filme que chega aos cinemas nesta quinta, 23, é seu multiculturalismo. Afinal, o filme é uma produção espanhola sobre múmias do Egito Ptolomaico, que participam até de corridas com bigas romanas, e que, ao atravessar um portal, vão parar em Londres, a capital da Inglaterra, nos dias de hoje.

Parece - e realmente é - uma salada. O filme, dirigido pelo estreante Juan Jesús García Galocha, não tem preocupação em estabelecer uma história minimamente plausível. Na trama, o jovem Thut (Joe Thomas, na dublagem original) é escolhido, por acidente, como a alma gêmea da princesa Nefer (Eleanor Tomlinson). Não tem saída, é seu destino. Até que, sem muita explicação, ele acaba descobrindo um portal no tempo e vai para a Inglaterra.

Joia

A partir daí, ao lado da futura amada, do irmão (Santiago Winder) e de um crocodilo mumificado, Thut e seu grupo começam a vagar pelas ruas britânicas não só estranhando os arredores, como também procurando um anel essencial para que o casamento ocorra. A joia, antes dessa viagem de tempo-espaço, foi roubada por um arqueólogo vigarista, que descobriu a passagem mágica e conseguiu levar os bens de Thut.

É uma bagunça sem muita explicação. Galocha parece não estar interessado em criar regras para esse universo - algo essencial nas melhores animações, indo desde a mente de uma criança em Divertidamente até as fábulas de Shrek. É preciso ter boa vontade para embarcar nas soluções, histórias e acontecimentos de As Múmias e o Anel Perdido, que vão se sucedendo aos tropeços. A lógica, pelo visto, ficou perdida nas areias do Egito.

No entanto, a animação da Warner consegue ter algo de simpático e divertido debaixo de suas camadas mais superficiais. A união dos personagens traz uma boa mensagem para as crianças, enquanto o estranhamento ao ambiente dos humanos nos dias de hoje é o ponto alto - que poderia ser mais bem desenvolvido. Nada impede, porém, que as crianças tenham a imaginação de como seria encontrar uma múmia na rua de casa.

Lembra um pouco as histórias de As Aventuras de Tadeo, outra produção espanhola, que também tem múmias vivas e exploração de antiguidades. A criança pode até não ficar tão entretida com a história, mas sem dúvidas vai ter material de sobra para ficar pensando nas possibilidades, nas ideias e nos personagens que o filme cria. E isso, no final das contas, acaba sendo o ponto mais precioso de uma animação: divertir os pequenos.

Animações europeias passam por processo de popularização

Geralmente, quando se fala em animações europeias, é difícil não pensar em um cinema artístico, às vezes até mesmo voltado ao público adulto, com assuntos mais complexos do que o cinema norte-americano. Mas, nos últimos anos, é difícil não notar uma busca por produtos cada vez mais populares na Europa, que já tem em seu histórico títulos como Fuga das Galinhas e Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais.

Esse processo de popularização das animações europeias é evidenciado pela presença de grandes produções no cinema e no streaming. É o caso de O Pequeno Príncipe, de 2015, produção francesa e canadense, e do espanhol Klaus, de 2019, da Netflix, amplamente divulgados e com grande bilheteria.

Alguns filmes conseguiram se destacar em importantes premiações, como é o caso de Perdi Meu Corpo, produção francesa de 2019; A Minha Vida de Abobrinha, feito em parceria entre Suíça e França, de 2016; Ernest & Celestine, filme produzido por França, Bélgica e Luxemburgo, em 2012, e, enfim, A Canção do Oceano, de 2014, da Irlanda, Dinamarca, Bélgica, Luxemburgo e França. Filmes premiados e também com boa bilheteria.

Esse sucesso decorre de alguns bons motivos. Há uma clara criatividade dos roteiros, que exploram temas variados e que nem sempre são abordados no cinema norte-americano. Além disso, a animação europeia tem se destacado pela qualidade técnica e artística, muitas vezes obtida com técnicas de animação tradicionais, como o stop-motion.

Diversidade

Outro fator importante é a diversidade cultural. Ao contrário do cinema americano, a animação europeia traz histórias de várias partes do continente, com uma riqueza cultural e visual única. Algo causado por essas parcerias entre países até mesmo fora da União Europeia - Alê Abreu, de Perlimps, fez coprodução com a França em O Menino e o Mundo.

Agora, só falta uma grande bilheteria que chegue perto de Pixar e DreamWorks, os grandes estúdios. Para efeito de comparação, de acordo com o Box Office Mojo, Ernest & Celestine faturou US$ 8 milhões; O Pequeno Príncipe, US$ 97 milhões. Lightyear, um dos maiores fracassos da Pixar, fez US$ 226 milhões. Produções pops como As Múmias e o Anel Perdido, distribuídas por grandes estúdios, podem começar a arranhar esse mercado tão precioso e difícil de acessar.

Estadão
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