Diretor de documentário sobre nouvelle vague lança filme no Brasil
Na terça-feira (25), o diretor francês Emmanuel Laurent, compareceu ao pré-lançamento do seu primeiro longa-metragem. No cinema Reserva Cultural, em São Paulo, Laurent participou de um bate-papo após a sessão do documentário Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague, que estreia nesta sexta-feira (28) no Brasil.
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Roteirizado por Antoine de Bacque - que escreveu o livro François Truffaut - Uma Biografia e concebe, há três anos, uma biografia sobre Jean-Luc Godard -, o filme mostra o surgimento do movimento artístico francês, desde a exibição de Os Incompreendidos (1959) no festival de Cannes, primeiro longa do diretor francês François Truffaut, até a conflituosa amizade entre ele e Godard, diretor de outro clássico da nouvelle vague, Acossado (1960).
Considerada uma espécie de celebração dos 50 anos do movimento, o documentário traz um vasto arquivo com impressionante qualidade de áudio e imagem. Tal possibilidade se deu graças aos registros da TV belga, sempre engajada e interessada na nouvelle vague.
Laurent defende o relacionamento entre Godard e Truffaut como uma "profunda amizade de conflito que durou pouco mais de dez anos" em que, mesmo engajados contra um mesmo tema (o cinema comercial), o temperamento e modo de filmar eram divergentes. Da poesia de Truffaut ao radicalismo de Godard, Laurent fez um filme que traz o frescor daquela época, onde não há depoimentos atuais. Restringindo-se a declarações gravadas nos anos 60, Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague é permeado pela narração em off que, graças à direção segura e ao vasto arquivo, não tornam o filme cansativo.
Durante o bate-papo após a sessão, Laurent abriu perguntas à plateia e discorreu sobre o tema, explicando que a ideia central era realizar um filme sobre a nouvelle vague em si. Porém, decidiu focar em dois de seus principais membros, ambos idealizadores da revista de cinema de arte Cahiers Du Cinéma, que trazia ensaios e críticas do contexto social e artístico da época.
Jean-Pierre Léaud, ator que estreou no cinema aos 14 anos em os Incompreendidos, tornou-se o pupilo de Truffaut ao estrelar diversos filmes do diretor como o alter-ego Antoine Doinel e ganhou status de mito da Nouvelle Vague (que, do francês, significa "nova onda"), representando esse frescor de diretores jovens e idealistas em fazer cinema.
Laurent discursou, também, sobre a importância daquele período - tanto para a França e Europa como para o mundo - e influenciou cineastas contemporâneos, como Martin Scorsese e Steven Spielberg. Como espelho da sociedade daquela época, o diretor reafirma que Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague reflete e dialoga com aqueles anos 60, mesmo mostrando que amizade e conceitos artísticos podem não caminhar juntos. Mas, enquanto caminham, rendem ótimos frutos. E o cinema agradece.