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'Carcereiros — o filme' reforça crítica de série ao sistema

Nova adaptação também baseia-se em livro de Drauzio Varella e aposta na ação para colocar luz sobre o trabalho do carcereiro

28 nov 2019 - 12h43
(atualizado às 16h31)
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Quem assistir a Carcereiros - o filme, que estreia nesta quinta-feira, dia 28, perceberá que o longa oferece uma história inédita que é quase uma síntese da série Carcereiros, exibida na Globo entre 2017 e 2019 e disponível na plataforma Globoplay, mas com muito mais cenas de ação. O projeto funciona bem separadamente, mas agracia quem o acompanhou desde o começo com breves ligações com o conteúdo mostrado na televisão. 

Ambientado no Presídio Filintos Prates, Rodrigo Lombardi volta como o protagonista Adriano. No período de um dia, enquanto o local é alvo de uma invasão por um grupo altamente armado, o carcereiro tem que coordenar a chegada de um terrorista internacional para um pernoite na penitenciária, ao mesmo tempo que tenta abafar os ânimos dos líderes de duas facções inimigas, que entram em conflito para assumir o comando da prisão. 

Sistema prisional é atrasado, lamenta Rodrigo Lombardi:

Essas sequências potencializam a sensação de “quase solidão” do carcereiro, e alinham-se ao mote principal do projeto, originado a partir obra homônima de Drauzio Varella, e mantido tanto na série, como no filme. Carcereiros - o filme debate e expõe as falhas do sistema prisional brasileiro, a partir desse personagem. “Foi pertinente saber como esse tema é dado pouca importância, ele é muito delicado e importante para entender a segurança pública e pensar políticas diferentes”, avaliou o diretor José Eduardo Belmonte, em entrevista exclusiva ao Terra.  

Com tanta ação, o que ficou de fora do longa foram os depoimentos reais de carcereiros, que, por vezes, misturaram-se aos ficcionais do elenco da série. E eles fizeram falta. 

Muita ação e pouco caráter documental: 'Carcereiros — o filme' estreia dia 28 de novembro
Muita ação e pouco caráter documental: 'Carcereiros — o filme' estreia dia 28 de novembro
Foto: Ramón Vasconcellos / Divulgação

Os conflitos domésticos de Adriano também não deram muita audiência. Foi nos poucos brevemente contemplados que é feita a ligação com o espectador fiel, trazido da televisão. Mas quem acompanhou as duas temporadas pôde perceber também que algumas questões, deixadas em aberto na season finale, não foram respondidas. O filme, cujo roteiro foi pensado inicialmente como possibilidade para o primeiro episódio da segunda temporada, foi pensado para existir independentemente, e, com o cinema, quem sabe, chegar com mais facilidade às massas.  

A estreia de Kaysar

Um dos grandes destaques da produção é para a atuação de Kaysar Dadour, que interpreta o terrorista internacional Abdel Mussa. Gravado antes de Órfãos da Terra, novela da Globo exibida em 2019, na faixa das 18h, o filme marca a estreia do ex-participante do reality show Big Brother Brasil como ator. 

Kaydar Dadour, na pele de um traficante internacional, faz participação forte
Kaydar Dadour, na pele de um traficante internacional, faz participação forte
Foto: Ramón Vasconcellos / Divulgação

Elogiadíssimo pelo diretor e pelo elenco, Kaysar faz uma breve participação no filme, mas poderosa. “É dom. Ele (Kaysar) tem uma vida interior muito complexa, e ele acessa essa vida, o que é uma qualidade do bom ator”, comenta Belmonte.  “Quando você é um não ator, e você entra num set, e se você relaxar e se você entender o que está acontecendo à sua volta, você pode chegar num lugar que nem o ator, em si, vai conseguir, porque você já está preso à técnicas. Mas se você é bem assessorado, você chega a lugares incríveis. E o Kaysar chegou”,  garante Lombardi

Para Dadour, participar do filme foi uma “honra” cujas experiências ficaram marcadas. “A cadeia, a cela, quando eu sentava lá, sozinho, deitava, só para sentir o cheiro de medo”, avaliou. “Quando eu filmei dentro de senzalas, é a mesma de dentro do presídio”, disse Jackson Antunes, que interpreta Comandante no longa. 

Fonte: Redação Terra
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