Brasileiro vence prêmio de novos talentos em Cannes com curta ambientado em São Paulo
'Laser-Gato', de Lucas Acher, conquista a mostra La Cinef e coloca jovem diretor paulista no radar do cinema internacional**
O cinema brasileiro voltou a ganhar destaque no Festival de Cannes com a vitória de Laser-Gato (2026), curta-metragem dirigido pelo paulistano Lucas Acher, na categoria La Cinef. O prêmio, voltado a novos realizadores ligados a escolas de cinema, foi anunciado nesta quinta, 21, durante cerimônia realizada na tradicional sala Buñuel, na França.
"É um filme muito íntimo, feito em São Paulo, uma cidade muito peculiar, que está em constante transformação, e de repente ele está nesse festival gigante", afirmou o diretor após a seleção oficial. "Cannes sempre foi um sonho, uma ideia quase abstrata. Quando acontece, parece um pouco irreal," afirma o diretor em comunicado oficial.
A conquista marca um momento importante na trajetória de Acher, de 30 anos, que foi o único representante brasileiro selecionado na categoria em 2026. Considerada uma das principais vitrines de novos talentos do circuito internacional, a La Cinef costuma revelar diretores que mais tarde passam a integrar o cenário principal do cinema autoral contemporâneo. Nesta edição, a mostra recebeu milhares de inscrições de escolas de diferentes países.
Ambientado em São Paulo, Laser-Gato acompanha um adolescente que atravessa a cidade durante uma madrugada caótica, depois que uma brincadeira aparentemente banal sai do controle. O curta aposta em uma narrativa fragmentada e sensorial, usando o cenário urbano da capital paulista como elemento central da experiência do personagem. Ruas vazias, luzes artificiais e sons da madrugada ajudam a construir a atmosfera inquieta do filme.
Com elenco formado por Gabriel Brennecke e Gilda Nomacce, o projeto foi produzido pela Bruto Films e desenvolvido a partir de uma proposta estética minimalista, transformando limitações de orçamento em escolhas criativas. Acher utiliza longos momentos de observação e pequenos deslocamentos narrativos para construir um retrato urbano marcado por tensão, humor e estranhamento.
"São Paulo é uma cidade intensa e magnética. Um pouco distópica, cheia de contradições", afirmou. "A perspectiva de mostrar para o mundo que todos os tipos de histórias podem se passar aqui é animadora," explica o diretor.
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