Atriz brasileira Gabriela Amerth estrela filme de Hollywood: 'Validação'
Gabriela Amerth conversou com a CARAS Brasil sobre estrelar filme internacional e abriu o jogo sobre jornada de superação; saiba tudo
Do subúrbio carioca direto para os holofotes de Hollywood, Gabriela Amerth celebra sua estreia no elenco principal do filme Brownsville Bred, exibido no Los Angeles Latino Film Festival. Aos 30 anos, a atriz dá vida a Elizabeth, uma jovem neurodivergente, em um longa bilíngue que marca não apenas sua força cênica, mas também sua trajetória de persistência após mais de 70 testes em solo americano.
Criada em Engenho de Dentro, Gabriela construiu sua carreira com coragem e paixão, enfrentando desafios que vão desde cantar nas ruas até trabalhar em restaurantes para sustentar o sonho de atuar. Morando nos EUA desde 2016, ela coleciona conquistas no cinema e na TV, além de prêmios pelo micro-curta A N X I E T Y, que retrata com sensibilidade a realidade da ansiedade crônica. Leia abaixo!
Seu primeiro papel principal em um filme de Hollywood é uma verdadeira virada de chave. O que passou pela sua cabeça quando soube que tinha sido escolhida para interpretar Elizabeth, depois de mais de 70 testes?
"Muita felicidade. Alívio. Paz. Validação. Mas também medo, culpa. Me coloquei de volta na terapia. Precisava aprender a lidar com o pensamento de que esse papel não era meu, mesmo estando muito feliz. Agora, 4 anos depois e após assistir ao filme completo! Foi filmado em 3 partes e é considerado independente, mas com produção do estúdio de desenvolvimento artístico da Warner Media."
Em Brownsville Bred, você vive uma personagem neurodivergente. Como foi o processo de preparação para dar vida à Elizabeth com sensibilidade e autenticidade?
"Foi um processo cauteloso, de muito cuidado e muito sentimento. Pensei muito. Construí ela com muito carinho e um olhar humanizado para com os efeitos da hipóxia na personalidade dela. Tentei olhar para termos impessoais com individualidade. Se ela não desenvolveu habilidades sociais como uma adulta neuro típica, como isso se traduz na prática? No caso dela, não esconde as emoções. Então tudo que ela sente, você vê. Se a pessoa que ela mais convive com é a sobrinha, e aprende sobre o mundo com ela, será que ela incorpora alguma característica da mesma? Talvez a voz um pouco mais suave, ou o jeito de falar? Fui trazendo as circunstâncias dela pro meu corpo, sem nenhum tipo de impedimento completo de fala ou físico, e fui achando a personagem em mim. Importante ressaltar que a hipóxia pode afetar diferentes partes do cérebro e as consequências dessa lesão cerebral vão ser diferentes em cada pessoa. O que faz de titi unicamente ela: sensível, curiosa, correta e verdadeira".
De Engenho de Dentro para os tapetes vermelhos de Los Angeles, sua história é marcada por coragem e persistência. Qual foi o momento mais desafiador dessa jornada — e qual foi o mais emocionante?
"Difícil determinar um único momento mais desafiador e um único momento mais emocionante. Dentro dos desafios, a morte da minha avó durante o terceiro ano sem visitar minha família e ser babá de gêmeos enquanto um batalhava a leucemia com certeza estão no páreo. Quando minha avó faleceu, lembro que chorei dias a fio, por vezes sem barulho, o corpo exausto, mas a lágrima continuava caindo-- como uma torneira quebrada que não cessava. No páreo de momentos mais emocionantes, com certeza a première que aconteceu. A resposta do público foi muito emocionante, tanto para com o filme quanto com o meu trabalho. Mal posso esperar para sair para o público geral."
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