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Atores de 'Consequências Paralelas' destacam a força do cinema independente: 'O Brasil é muito rico em histórias'

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Carol Macedo, João Fenerich e Felipe Hintze falam sobre os desafios e êxitos de dar vida aos personagens de 'Consequências Paralelas', longa brasileiro que combina terror, ficção científica e thriller

16 out 2026 - 16h13
(atualizado às 16h15)
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Resumo
Estreia nos cinemas o filme brasileiro "Consequências Paralelas", dirigido por Gabriel França e CD Vallada. Mesclando terror e ficção científica com foco nas atuações e clima claustrofóbico, a trama acompanha três amigos envolvidos em realidades alternativas após usarem uma poltrona temporal. A produção independente já conquistou 21 prêmios internacionais e concorre ao Gran Premio FantLatam, destacando a força do cinema de gênero nacional mesmo diante de restrições orçamentárias.

Mesclando thriller, terror e ficção científica, o filme brasileiro Consequências Paralelas estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 15, com distribuição da O2 Play. 

Carol Macedo, João Fenerich e Felipe Hintze em 'Consequências Paralelas'
Carol Macedo, João Fenerich e Felipe Hintze em 'Consequências Paralelas'
Foto: Reprodução/TMDB / Rolling Stone Brasil

Dirigido por Gabriel França e CD Vallada, o longa já conquistou 21 prêmios em festivais nacionais e internacionais, incluindo o troféu de Melhor Filme no Screamfest, nos Estados Unidos, e de  Prêmio do Público no Macabro, no México. A produção também acumula seis indicações ao Gran Premio FantLatam, considerado a maior premiação de cinema de gênero da América Latina.

Consequências Paralelas explora, sob uma perspectiva pouco convencional, um tema já recorrente no cinema: a viagem no tempo. Na trama, Pedro (João Fenerich) e Bruna (Carol Macedo), um casal, e seu amigo, Max (Felipe Hintze), descobrem uma poltrona que funciona como uma máquina do tempo. A cadeira, entretanto, não transporta os personagens para outras épocas, mas sim abre múltiplos caminhos para realidades alternativas, cujos desdobramentos são imprevisíveis. 

O que começa como uma aventura rapidamente se transforma em um pesadelo quando Pedro, após testar a máquina, começa a tentar matar Max. À medida que os personagens mergulham em uma linha temporal instável, cada decisão pode alterar o curso dos acontecimentos e ter consequências fatais. 

Consequências Paralelas começa com um plano-sequência de 19 minutos, no qual os três atores constroem uma dinâmica de caráter quase teatral. Sem depender de grandes efeitos visuais, a produção aposta nas relações entre os personagens e em uma atmosfera claustrofóbica para sustentar a tensão do início ao fim.

Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Carol Macedo, João Fenerich e Felipe Hintze falaram sobre os desafios de dar vida a personagens envoltos em uma trama complexa, os bastidores da construção do longa e o reconhecimento conquistado no circuito internacional.

Felipe, você interpreta o Max. Esta é a perspectiva que a gente mais acompanha no filme, é a partir do entendimento dele que as coisas se desenrolam. Mas Max está longe de ser um herói. Como foi ocupar esse papel central e construir as diferentes "facetas" do personagem, sem entregar nada ao espectador de imediato?

FELIPE: O Max é praticamente um anti-herói. Esse conceito de vilão e mocinho é muito dúbio, porque esses personagens são tão complexos e a gente dá vazão para várias camadas. Então, eu fico muito feliz no momento que eu estou vivendo um personagem central. Os três personagens são centrais da história, mas estar interpretando um personagem central, acho muito importante, tanto na questão de representatividade e também me desafiando num perfil diferente do que o mercado está acostumado a nos colocar.

Eu acho que o mercado coloca a gente em caixinhas, e que tanto eu, quanto o João, quanto a Carol, também já fizemos personagens nessas caixinhas e. Nesse filme, a gente tem a oportunidade de fazer algo muito diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver. 

Agora uma pergunta para o João. Este foi seu primeiro trabalho como protagonista e produtor de um longa-metragem, certo? Como foi essa experiência, de trabalhar 'dois dois lados'?

JOÃO: Esse, de fato, é o meu primeiro trabalho como ator e assumindo um ator co-protagonista, mas também como produtor do filme. É muito curioso porque, na verdade, eu não comecei como produtor do filme. Essa posição foi me dada e conquistada também durante o processo, mas, desde o começo, eu já estava encontrando as soluções possíveis e importantes para a realização do filme.

E é uma posição que me interessa muito, do ator produtor. Para mim, é muito interessante sentar do outro lado da mesa, de quem decide, de quem toma as decisões. E, principalmente, por entender que o nosso país é muito rico de muitas histórias, de muitas possibilidades, e escolher também, de alguma maneira, que histórias contar. Como contá-las, principalmente.

Esse é um caminho que eu não quero abandonar. Eu quero muito fazer outros projetos, de terceiros, mas fazer os próprios projetos. É tanto um aprendizado como uma oportunidade, como um lugar muito interessante de se colocar no mercado também.

Ter produzido, sobretudo, um filme de sucesso, como é o Consequências, também me coloca num outro lugar perante o mercado. De perceber as possibilidades que a gente tem, principalmente pelo fato de fazer um filme independente, de baixo orçamento, que chega no patamar que ele chega, significa que a gente produziu de uma forma muito positiva e muito vitoriosa. Então, eu acho que isso é um êxito, principalmente por entender o mercado de uma outra maneira, encontrando soluções diferentes e de baixo custo.

É uma posição que eu não quero abandonar. Quero sempre ser conhecido como um ator produtor, um ator que se produz, um ator que está à frente dos projetos.

O filme começa com um plano sequência de mais de 15 minutos, em uma interação quase teatral entre vocês três. Como foi o processo de preparação e gravação dessa cena, especialmente porque ela precisava estabelecer a dinâmica entre os personagens e prender o espectador desde os primeiros minutos, neste clima intenso de suspense? 

CAROL: O cenário já tinha essa energia [de supense] do filme, já estava no cenário. Cada dia parecia que a energia ficava mais densa, ficava mais escura, ficava uma coisa mais angustiante de entrar. Uma sensação de claustrofobia, de imensidão...

J: Esse processo da gravação, foi uma primeira diária muito complexa. A gente teve dois dias de preparação. A gente gravava ainda num momento meio pandêmico, o CD, um dos diretores, não estava no set, estava só o Gabriel.

Nesses 20 minutos, a gente tinha cinco cortes falsos e chegou num momento que, às quatro da tarde, a gente não tinha nenhum deles. E aí o Gabriel deu o almoço, a gente se reuniu, o Gabriel chegou, juntou a gente, ele olhou pra gente e falou: "Eu preciso que vocês só não olhem pra câmera, eu preciso que vocês só improvisem se precisar."

C: Eu acho que uma facilidade do plano sequência, pelo menos pra mim, que venho da TV, de novela, é que a gente faz muito isso e cada dia vem tendo mais cenas assim. Então, acho que isso ajuda um pouco na nossa desenvoltura no cenário e conseguir lidar com essa dinâmica toda da câmera em volta da gente.

E eu acho um máximo, acho que tudo que me tira do óbvio, que me tira do meu eixo ali é o que eu mais gosto. E o meu texto era muito difícil, e era quase no final desse plano sequência. Então, eu começava a entrar num pouquinho de ansiedade lá no meio do plano sequência.

F: A gente não podia errar. Era a última vez. Ou a gente fazia ou... pensava em outra ideia. Daí, a gente conseguiu fazer e deu muito certo, assim. Então, é... É mágico.

J: E eu acho que o motivo muito sucesso dessa cena, há dois elementos muito importantes. Acho que o primeiro é o fato de nós três estarmos na mesma página em termos de preparação, em termos de entendimento de personagem, em termos de objetivos muito claros de pra onde cada personagem iria. E a gente confiava muito uns nos outros ali. Poderia acontecer o que fosse.

Consequências Paralelas passou por diferentes festivais e recebeu reconhecimento nacional e internacional. O que o reconhecimento desse filme representa para vocês, que deram vida a esses personagens tão intensos, e para o cinema nacional, especialmente no gênero do terror/ficção científica?

C:  Quando você acredita em algo, principalmente um filme de orçamento baixo, um filme independente, e vê ele chegando onde ele chegou, é uma surpresa muito grande. Ao mesmo tempo da gente saber que ele tinha qualidade, tinha um caminho maravilhoso pra seguir. A gente colocou toda a nossa força ali, a gente acreditou naquele projeto. E agora, estamos colhendo os frutos. 

F: A gente tá muito feliz. E eu faço essa provocação, assim. Se a gente conseguiu 21 prêmios com esse baixo orçamento, imagina se a gente tivesse dinheiro, sabe? Imagina o que a gente podia alcançar. É muito importante a gente investir em cinema. E o nosso cinema tá fazendo uma carreira maravilhosa internacional. 

J: Pensando de uma forma mais executiva. Ao longo desse um ano, gente foi pra 25 festivais e ganhou 21 prêmios — o Fê ganhou o Prêmio de Melhor Ator nos Estados Unidos, a gente ganhou o Melhor Roteiro, Direção, Fotografia, Prêmio de Público. São prêmios, em festivais, muito importantes. 

São prêmios que significam muito, principalmente o Prêmio de Público, que a gente ganhou em festivais muito importantes, como o Macabro, no México. A gente teve uma sala com quase 350 pessoas assistindo. E as pessoas saíam criando as suas próprias teorias, criando as suas próprias perguntas e tudo mais. E agora a gente coroa um pouco dessa trajetória com seis indicações à maior premiação do cinema fantástico dentro da América Latina.

Um filme de câmera, praticamente. Três atores em cena. Um filme teatral. Ter os três indicados. É uma celebração desse momento, de chegar no cinema com essas indicações. 

É muito importante, não só pro nosso filme, mas pra colocar o cinema brasileiro também nesse lugar. Do cinema fantástico, do cinema de gênero. E saber que a gente consegue contar boas histórias, independente de quais forem.

https://www.youtube.com/watch?v=jJiv7eiT5uU

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