Astro de 'Ninja Assassino' adora o Brasil; leia a entrevista
Todo o ano é assim em Hollywood: às vésperas da premiação do Oscar estúdios, produtores e atores fazem um balanço das apostas que deram certo, dos tiros perdidos e dos naufrágios do ano que passou. Ninja Assassino, que estréia hoje nos cinemas brasileiros, foi lançado no mercado americano no fim de novembro pelos mesmos produtores e parte da equipe criativa responsável pelo fiasco Speed Racer, o fracasso mais retumbante - em público e crítica - dos irmãos Wachowski, responsáveis pela fenomenal trilogia Matrix.
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Nada mais natural do que Ninja Assassino seja um filme sobre redenção e grandes expectativas. O diretor, James McTeigue, foi o assistente dos Wachowski em Speed Racer. O protagonista, a estrela pop coreana Rain, um ídolo de proporções madônicas em todo o extremo oriente, foi o misterioso corredor Taejo Togokhan no filme dos Wachowski baseado no desenho animado japonês. E o lendário produtor Joel Silver, o mesmo de Sherlock Holmes, foi direto quando conversou com a reportagem do Terra sobre as motivações de voltar aos ninjas: "Fizemos uma aposta grande em Rain, um homem lindo e talentoso, com o objetivo de que ele ocupe um lugar vago em Hollywood. Ele pode ser o novo Bruce Lee. Tivemos a idéia durante as filmagens de Speed Racer. Ele é sensacional", diz.
O desejo de Silver ainda não se materializou. Ninja Assassino não conseguiu chegar aos 40 milhões de dólares nas bilheterias americanas, abrindo em um tímido sexto lugar em sua semana de estréia. Depois, com mais um massacre da crítica, ladeira abaixo na lista dos mais vistos nos EUA. Nada disso diminui, que se deixe claro, o poder de atração da estrela sul-coreana.
Aos 26 anos, Rain chega tímido para a conversa com o Terra, ao lado de um tradutor. Lembra menos o perigoso assassino dissidente de um dos mais poderosos clãs ninja, o Ozunu (a ação começa quando, ajudado por dois agentes da Europol, ele decide enfrentar o bando de assassinos) e mais um jovem ainda tateando na capital mundial do cinema. Seu inglês não é dos melhores, mas a simpatia vence qualquer possível ruído de comunicação. Ele ri muito dos boatos propagados na internet de que havia sido criado apenas pela mãe e que o pai abandonara a família para viver junto à comunidade coreana em São Paulo. "No Brasil? Não. Meu pai segue em Seul mesmo. Quem me dera! Pelo menos eu teria mais um motivo para visitar. Adoro o Brasil!", brinca, rindo muito.
Motivos outros, e as meninas mais espertas vão confirmar se forem conferir Ninja Assassino no cinema, não faltam. Para viver o assassino do título, Rain seguiu uma dieta rígida e se submeteu a uma rotina exaustiva de exercícios com alguns dos principais mestres de artes marciais da cidade. O resultado está nas telas. E, quem sabe depois da sugestão do Terra, os brasileiros poderão conferir ao vivo o poder do coreano em uma visita antes do que se espera? Com vocês, Rain:
Você já é uma estrela internacional na Ásia. A idéia agora é conquistar o planeta via Hollywood?
Quando eu era menino, meu sonho era ser um herói de filme de ação. Era louco por Bruce Lee e Jackie Chan. E, cara, eu consegui! Finalmente. Para mim, Ninja Assassino foi um desafio para testar meus próprios limites.
No Brasil, você não é tão conhecido. É algo que o preocupa em relação ao sucesso do filme?
Honestamente, não. Minha esperança é que a partir do filme eles descubram minha música também (desde 2006, o rapaz lançou quatro discos no mercado norte-americano, o mais recente sendo Rainism, de 2008, e o de maior sucesso It's Raining, de 2006, que vendeu mais de um milhão de cópias e chegou ao topo dos mais vendidos no Japão, China, Taiwan e Coréia do Sul). O filme é uma grande oportunidade para mim, sei disso. Quem sabe não saio dele com mais fãs em outros lugares do planeta?
Ou seja, este seria seu passaporte para Hollywood?
Sim. Estou apenas começando. E adoraria continuar fazendo mais filmes por aqui, mas também romances e comédia.
Você chegou ao papel já apadrinhado pela realeza da Hollywood...
Verdade. Lana e Andy (Wachowski) me convidaram para protagonizar o Ninja durante as filmagens de Speed Racer. Como poderia dizer não a eles? E meu personagem é intenso. Intenso e sexy!
Verdade! Você se vê assim?
Não, mas inegavelmente você tem que concordar comigo que ele tem um belo rosto e um corpaço, não?
Não tem como negar.
Estou brincando. Ele é um assassino perfeito. Meu caminho para encontrar o personagem foi pensar no ódio que ele sentia do clã depois de eles assassinarem meu primeiro amor. Se acontecesse na vida real, eu mataria a pessoa.
Agora você me assustou, falou isso de forma séria. Você se inspirou em algum ator de Hollywood para encontrar o seu Raizo?
Meu modelo maior no cinema foi e segue sendo Al Pacino. Scarface é meu filme favorito de todos os tempos. Adoro dark movies, adoro cinema noir.
Ninja Assassino tem uma coreografia própria. O fato de você ter se iniciado profissionalmente como dançarino de palco ajudou?
Sim, inegavelmente. Dança e artes marciais são formas de expressão bem semelhantes. Ainda que meu corpo não saiba exatamente os movimentos que farei e que preciso treinar, ele já está condicionado para aceitar novas coreografias.
Você diria que sente prazer de modo semelhante, atuando e cantando?
Não. A experiência do palco é catártica. Atuar também é excitante, especialmente por entrar em uma outra vida. E já que falei de Al Pacino, meu Pacino no mundo da música foi Michael Jackson. Ele foi um gênio, acabei de ver This is It, o que é aquilo? Sensacional!
Como foi a preparação física para o filme?
Terrível (risos). Durante oito meses treinei oito horas os cinco dias da semana, com folgas apenas sábados e domingos. E durante todo esse período comi apenas peito de frango grelhado, salmão, ovos e vegetais. Nenhum grão de açúcar ou sal, ou qualquer molho. Foi horrível. Adoro comida coreana, que é bem apimentada. E não pude mais comer, assim, de um dia para o outro. Mas aprendi muito sobre meu corpo praticando kung-fu, tae-kwon-do, kickboxing. E também pratiquei com espadas e correntes e tchacos, meus favoritos.
E você segue praticando alguma destas artes marciais? Não vale mentir.
(rindo muito). Não vou mentir não! Assim que terminei de filmar, quase um ano depois de começar toda a preparação, fiz uma promessa a mim mesmo: Rain, acabou o peito de frango, acabaram os vegetais e todas as aulas de artes marciais por um período. Saí correndo para um restaurante bem bagaceira que serve junk food e me empaturrei de chocolate (risos). Juro para você que os músculos já foram todos embora do corpinho aqui (risos).