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Entre mares e encontros: Carlos Cavallini apresenta seu universo musical em Paris

O cantor, compositor e etnomusicólogo Carlos Cavallini, capixaba radicado em Lisboa há 18 anos, vem se destacando cada vez mais na cena luso‑brasileira contemporânea. Em Paris, ele apresenta o show "O Tamanho do Tempo", no clube Sunset-Sunside, em formação acústica ao lado de Rapha Braga (guitarra), Walter Areia (contrabaixo) e com participação da cantora portuguesa Inês Viterbo. As canções de Cavallini misturam MPB com texturas contemporâneas e trazem uma forte marca autoral.

12 fev 2026 - 10h11
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Cavallini começou a compor muito cedo, ainda adolescente no Espírito Santo. A mudança para Portugal, inicialmente motivada pelo mestrado em etnomusicologia após um curso de jornalismo, remodelou seu caminho. "A vida acadêmica acabou me levando e as músicas foram ficando ali guardadas".

Essas composições silenciosas por tantos anos viriam a formar o núcleo de seu primeiro álbum, "O Tamanho do Tempo", lançado em 2024, com produção de Ricardo Dias Gomes e Domenico Lancellotti. O disco também reúne contribuições de guitarristas como Pedro Sá e Davi Moraes, artistas cujas trajetórias incluem colaborações centrais na MPB, em projetos com Caetano Veloso e Gilberto Gil, Marisa Monte e Maria Rita.

Uma geografia afetiva dos sons

A formação musical de Cavallini vem de casa. "Cresci numa casa com muito samba, muito chorinho, muita MPB, com Chico, Caetano, Maria Bethânia", conta. Essa base brasileira se desdobrou, já em Lisboa, em diálogos com artistas portugueses, entre eles Celina da Piedade, que participa do álbum, e Luísa Sobral, com quem criou o single "Um Milhão".

O artista valoriza esse diálogo cultural. "Portugal tem essa grande vantagem de ser um lugar de encontros, de vários países de língua portuguesa. A gente consegue trocar, se conhecer e ter essas parcerias."

A etnomusicologia como lente e inspiração

A pesquisa acadêmica atravessou diretamente seu trabalho musical. Para o mestrado, Cavallini investigou como a mídia portuguesa retratava a música brasileira e, nessa jornada, mergulhou profundamente na Nova MPB. "Passei seis meses no Rio, seis meses em São Paulo, entrevistei diversos compositores da nova cena. Isso me abriu muito os olhos", conta.

Esse percurso criativo-científico também trouxe um encontro inesperado: os produtores de seu álbum, Domenico Lancellotti e Ricardo Dias Gomes. "Eu falava sobre eles na minha pesquisa. E, de repente, eu estava ali gravando com eles. Foi muito especial."

O mar como memória e matéria musical

A crítica observou que seu álbum é "banhado pelo mar". Cavallini não nega, mas diz que não foi proposital. Para compor o repertório, ele vasculhou todos os seus arquivos, desde as primeiras canções. "Eu sou de Vitória. O mar sempre esteve na minha vida. Depois fui para Portugal, e mais tarde vivi na Irlanda do Norte, onde o mar também tem uma importância gigante."

A presença desse elemento em sua música acabou se revelando como um eixo natural. "Fico feliz que tenham ressaltado essa questão do mar, que realmente tem uma importância muito grande para mim."

Literatura e encontros decisivos

Entre seus trabalhos mais comentados está o single "Um Milhão", produzido por Luísa Sobral e inspirado em uma crônica do escritor António Lobo Antunes. A canção nasceu num retiro de composição no Alentejo organizado pela autora e intérprete portuguesa, que depois o convidou para produzir a faixa. "Foi uma alegria enorme quando ela me convidou para gravar com a produção dela. É uma artista que eu já admirava e admiro demais."

Cavallini também lançou três singles mais recentes, produzidos com Rapha Braga. Um deles nasceu de uma história contada por Letrux, nome artístico da cantora, compositora, atriz e escritora carioca Letícia Novaes, uma das figuras mais marcantes da música independente brasileira contemporânea. Ela relatou sua antiga tendência a se curvar para parecer menor em fotos, hábito que Maria Bethânia corrigiu ao aconselhá-la: "Não, não, fique do seu tamanho."

A frase virou canção e encontrou eco nos ouvintes. "Recebo mensagens de pessoas dizendo que levaram essa canção para a terapia", conta Cavallini. "Fiquei muito feliz com essa receptividade tão linda."

O show no Sunset marca seu retorno à cidade onde viveu em 2013 e carrega um forte componente emocional. "É muito emocionante voltar com esse disco, com essas histórias para contar agora, com as minhas músicas", diz Cavallini.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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