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Divina Panna: como Priscila Zeolo Taricani criou a confeitaria que está revolucionando o conceito de doces saudáveis em Valinhos (SP)

12 ago 2025 - 23h15
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Primeira confeitaria de Valinhos especializada em doces e pães sem açúcar, glúten e leite, com foco em dietas low carb e veganas, vem inspirando uma nova geração de empreendedores e prova que saudável pode — e deve — ser irresistível.

A confeitaria nasceu da experiência pessoal de Priscila ao adaptar a alimentação da própria família, inclusive para ela mesma, que tem restrição ao leite. (Divulgação)
A confeitaria nasceu da experiência pessoal de Priscila ao adaptar a alimentação da própria família, inclusive para ela mesma, que tem restrição ao leite. (Divulgação)
Foto: Márcia Piovesan

Quando Priscila Zeolo Taricani começou a adaptar suas receitas para atender à dieta do marido, diagnosticado com diabetes tipo 2, ela não imaginava que estava prestes a criar um movimento. O que começou como uma tentativa de transformar o dia a dia da própria família virou, poucos anos depois, a Divina Panna, primeira confeitaria de Valinhos, e possivelmente do interior paulista, dedicada exclusivamente a produtos sem açúcar, glúten ou leite, com foco em dietas low carb e veganas.

"A ideia nasceu porque o meu marido é diabético. Eu sempre gostei de cozinhar, mas com ingredientes tradicionais. Quando ele foi diagnosticado, eu me deparei com a realidade de que ele não podia mais comer as coisas que eu fazia. E eu pensei: preciso mudar isso", conta Priscila.

A história da confeitaria é profundamente pessoal. Foi durante uma temporada morando na Itália que ela teve os primeiros contatos com receitas veganas, quando o filho ainda pequeno frequentava uma escola que priorizava a inclusão alimentar. "Lá as professoras ensinavam receitas veganas às crianças, e eu comecei a ter acesso a isso. Vi que eram receitas gostosas, e que dava para adaptar. Aí não parei mais", relembra.

De volta ao Brasil, o que começou como uma produção caseira para amigos e vizinhos de condomínio se transformou rapidamente em um negócio de verdade. "As pessoas começaram a pedir: 'por que você não vende isso?' Eu dizia, eu sei fazer, mas vender já é outra história. Mas quando vi, já não estava vendendo só no condomínio. As pessoas indicavam, elogiavam, e vi que eu podia ajudar outras pessoas também, não só diabéticos, mas com outras doenças como como câncer ou esclerose múltipla. Foi aí que me fortaleceu a ideia de abrir o negócio", conta a empresária.

Hoje, a Divina Panna completa cinco anos de trajetória, sendo três deles com loja física, e conquistou uma clientela fiel, composta por pessoas com intolerâncias alimentares, diabéticos e até quem apenas busca uma alimentação mais equilibrada. "Eu falo que o maior desafio é desenvolver uma receita saudável e gostosa. Não adianta ser saudável e não ser saborosa. O produto tem que ser igual ou melhor que um doce tradicional. Hoje eu gosto mais dos meus doces do que os tradicionais, que são doces demais."

O cardápio é extenso e entre os preferidos dos clientes estão: torta de limão siciliano com frutas vermelhas, banoffee, bolo de cenoura com calda de chocolate, pães com farinha de amêndoas e até um cappuccino bem especial da casa. Tudo sem açúcar, sem leite, sem glúten — e sem deixar a desejar.

Os ingredientes premium contribuem para um resultado delicioso, como o chocolate 70% cacau adoçado com stévia. Produtos como esse encarecem a produção, mas Priscila é categórica em não abrir mão da qualidade e da forma artesanal de preparo de todos os alimentos oferecidos na confeitaria. "Tem cliente que chega triste, achando que nunca mais vai comer um bolo. Aí provam e me dizem: 'Voltei a comer doce por causa de vocês'". Diabéticos, celíacos e até pacientes em tratamento contra o câncer já emocionaram a empreendedora com depoimentos.

Sem formação em gastronomia ou nutrição, Priscila aprendeu na prática, com cursos e muita pesquisa. Inclusive ela faz questão de comentar que uma grande amiga comprou o primeiro curso sobre alimentação low carb e a incentivou a seguir nesse caminho, a presenteando com várias receitas. "Não sou nutricionista, gente! Só mergulhei de cabeça", brinca. Como mulher, ela destaca a sensibilidade como diferencial.

Apesar do sucesso atual, Priscila relembra com franqueza as dificuldades iniciais. "Empreender tem um peso. E como mulher, a cobrança é ainda maior. Eu comecei em casa sozinha, cozinhando enquanto meu filho estava na escola. Hoje tenho uma equipe, minha mãe trabalha comigo, mas é preciso muita força e sensibilidade. Eu gosto de atender os clientes, conversar, pensar até na louça que vou servir. Eu quero que a pessoa entre aqui e tenha uma experiência, não só coma um doce."

Ela também percebe que sua jornada inspirou outras pessoas a começarem suas próprias produções. "Muita gente já me pediu mentoria, outras empreendedoras disseram que começaram por minha causa. E tem negócios que passaram a oferecer versões mais saudáveis. Depois que a Divina Panna apareceu e cresceu, eu fico feliz por poder abrir caminho assim e mostrar que é possível", afirma.

Qual é o futuro da alimentação saudável?

O futuro da alimentação saudável, na visão de Priscila, é mais do que um modismo passageiro. Ela acredita que essa mudança de hábitos se tornou uma necessidade real, um movimento impulsionado por uma maior conscientização e por profissionais de saúde. A Divina Panna, nesse cenário, não é apenas uma confeitaria, mas um catalisador, mostrando que é possível ter prazer em comer bem sem sacrificar a saúde.

Priscila observa que o acesso à informação tornou as pessoas mais conscientes do que consomem, e isso se reflete na clientela. Ela vê cada vez mais médicos e nutricionistas indicando a Divina Panna a seus pacientes, um sinal claro de que o mercado está amadurecendo. A missão, segundo ela, é desmistificar a ideia de que alimentação saudável precisa ser monótona ou sem graça. "A consciência está crescendo, e eu quero continuar fazendo parte disso. Mostrar que dá para ser saudável e sentir prazer ao comer", afirma.

Com sensibilidade, propósito e um toque de doçura, Priscila vem transformando não só receitas, mas também a forma como muita gente se reconecta com o prazer de comer, com saúde, afeto e liberdade.

Márcia Piovesan
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