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Diretor Gibney afirma que medo marcou a produção de documentário sobre Musk

8 set 2026 - 11h33
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Resumo
Apresentado no Festival de Veneza, o documentário "Musk", do diretor Alex Gibney, expõe a influência política de Elon Musk e seu apoio à extrema-direita, incluindo a aliança com Donald Trump. Gibney afirmou que a produção foi marcada pelo medo de testemunhas em falar sobre o bilionário, que rejeitou a obra e a chamou de difamatória. Com quase quatro horas, o filme traça a ascensão do empresário, questiona seu poder desmedido e o classifica como uma ameaça à democracia mundial.

Muitas pessoas estavam com medo demais para ‌falar publicamente sobre Elon Musk, afirmou o diretor Alex Gibney nesta terça-feira, ao apresentar seu documentário de longa duração sobre o empresário bilionário no Festival de Cinema de Veneza.

O filme, com quase quatro horas de duração, traça a ascensão de Musk desde a era dotcom até se tornar uma das figuras mais influentes do mundo, questionando como um titã da tecnologia ⁠não eleito chegou a exercer tanta influência sobre a política e o debate público.

"Havia um enorme ‌medo de falar, realmente um medo quase existencial, tanto entre as pessoas que o criticavam, quanto entre seus colegas de negócios e seus amigos", disse Gibney antes da exibição de "Musk".

"Conversei ‌com muitas, muitas, muitas, muitas pessoas que, com exceção ‌de algumas das pessoas corajosas que estão aqui, se recusaram a falar."

O chefe da ⁠Tesla e da SpaceX rejeitou o filme, escrevendo em sua rede social X neste mês que Gibney era tendencioso e que "obviamente iria fazer o artigo difamatório mais convincentemente terrível sobre mim que pudesse imaginar".

ALIANÇA COM TRUMP

Ao lado da jornalista Zoë Schiffer e de Ashley St. Clair, ex-parceira de Musk e mãe de um de seus muitos filhos, Gibney disse que começou ‌a trabalhar no projeto em 2023 e que, inicialmente, havia planejado um filme menos ambicioso.

"Pretendíamos fazer ‌um filme mais curto antes que ⁠Elon Musk se envolvesse ⁠com a carreira de Donald Trump e a Presidência dos Estados Unidos", declarou Gibney, acrescentando que a ⁠primeira coisa que fez foi entrar em contato ‌com Musk, que se recusou a ‌ser entrevistado.

Gibney, cujos temas anteriores incluíram o colapso da empresa de energia Enron e a Cientologia, disse que a ascensão de Musk é "a história do vigarista", cujo império foi construído com base na capacidade de vender visões exageradas e promessas sensacionalistas.

Sem necessariamente ⁠apresentar nenhuma revelação bombástica, o filme relaciona a aquisição do Twitter por Musk, sua campanha de corte de gastos do governo e sua dependência de contratos federais à criação de poder e riqueza sem precedentes nas mãos de um único homem.

AGENDA POLÍTICA GLOBAL

O documentário usa uma versão de Musk gerada por IA que ‌repete palavras que ele proferiu ao longo dos anos. Questionado se esperava contestação judicial, Gibney disse: "Consultamos nossos advogados, e eles nos deram sinal verde para seguir em frente."

Depois de abraçar ⁠o movimento MAGA de Trump, o filme mostra o crescente apoio de Musk a causas políticas de extrema-direita internacionalmente, incluindo o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que vem ganhando força.

"Acho que ele está perseguindo uma agenda global de direita, tanto por razões ideológicas quanto por motivos muito práticos e financeiros", afirmou Gibney, acrescentando que Musk é "extremamente" perigoso para a democracia mundial.

Ele também fez uma avaliação pouco lisonjeira do caráter do bilionário. "Eu diria que ele tem muita dificuldade com a empatia", disse o diretor.

St. Clair, que revelou no documentário ter recusado um acordo de confidencialidade de US$40 milhões após o fim de seu relacionamento com Musk, ecoou as críticas.

"A relação mais complicada dele é com a verdade", declarou ela. No filme, ela afirma simplesmente: "Elon é uma bomba nuclear".

"Musk" está sendo exibido fora de competição no Festival de Veneza, que vai até 12 de setembro.

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