Dira Paes celebra nova fase na TV: 'Quero que o Brasil volte a se encantar'
Em Três Graças, Dira Paes celebra nova personagem no horário nobre da Globo, reencontrando antigos companheiros de trabalho
Interpretando a matriarca Lígia, Dira Paes retorna às novelas das nove com uma personagem que simboliza força, afeto e união familiar. A atriz reflete sobre o papel dessa mulher que, entre gerações, constrói uma rede de apoio emocional e social — e fala sobre o reencontro com parceiros de longa data na nova trama da Globo.
Como está sendo dar vida a Lígia?
"A Lígia tem me trazido tantas reflexões. Quem é essa mãe que começa essa vida solitária, contando consigo mesma? Eu vejo como essa mulher que chegou à favela teve ajuda de outras mulheres. Mas a relação com a filha é construída quase como uma amizade, elas amadureceram juntas. A neta já vem amparada pelas duas. Nessa estrutura, vejo a Lígia como uma mulher muito corajosa, o esteio dessa família. Vejo isso refletindo muito na sociedade como um todo. O lugar dessa avó em que vai se agregando a família ao entorno. Vejo essa casa da Lígia muito parecida com o coração dela. Essa casa é tudo, é o país dela. Quero que o Brasil volte a se encantar com uma família que representa tantas outras".
Como reagiu a interpretar alguém que já é avó?
"Eu já fiz muitas mães, fiz mães muitas vezes. Eu acho que tenho esse DNA. Lucimar, de Salve Jorge, era uma jovem avó, essa semente já foi plantada na minha existência. Para mim, não é uma estranheza. Eu não convivi com as minhas avós, mas eu elegi uma avó para mim: tia Vidinha. Lembro dela balançando na cadeira, tomando seu cafezinho, cantando uma música. Ela tinha um tempo diferenciado. São esses pequenos detalhes".
Qual a importância de retratar essa família?
"Estamos criando esse vínculo de suporte, que é a realidade de muita gente. Só é possível viver nesse ambiente de falta que elas vivem com suporte. Não é só bem material, é bem emocional, psicológico. A vida sempre vale. Lígia está num momento tão limítrofe, já tendo sido tão potente como a filha. É aquela pessoa que se sente inútil. Estava na liderança e teve que abdicar pela saúde. A gente tem que eleger quem é nosso parceiro na hora da doença. É importante saber com quem a gente pode contar".
Como é estar em cena novamente com Alana Cabral, Sophie Charlotte e Marcos Palmeira?
"Trabalhei com a Alana em Verão 90, quando ela tinha só 12 anos. Já estive em tantos trabalhos com a Sophie, mas nada se compara a ser mãe dessa linda mulher que eu vi crescer. Eu e Marcos já fizemos tanta coisa juntos que isso nos permitiu brincar. O Joaquim, papel dele, é uma referência do sonho que acabou. Aquele amor que faz com que você esqueça de se prevenir. Ele é um momento mal resolvido na vida dela. Muito tempo se passou e as coisas perderam o rumo. É uma relação muito difícil porque você não pode amar quem não ama sua filha e sua neta. É algo a ser construído ou desconstruído de vez. É aquela relação que a Lígia não conseguiu se libertar".
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