Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Coprodução brasileira 'Seis Meses no Prédio Rosa e Azul' é elogiada pela crítica em Cannes

A coprodução brasileira "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", do diretor mexicano Bruno Santamaría Razo, estreou em Cannes na mostra paralela Semana da Crítica. O longa é inspirado nas memórias do cineasta, mais precisamente no momento em que ele tinha 11 anos, nos anos 1990, quando o pai foi diagnosticado com o vírus HIV.

21 mai 2026 - 10h48
Compartilhar
Exibir comentários

Adriana Brandão, enviada especial da RFI a Cannes

O longa foi elogiado pelo jornal Libération. "A memória vibrante do mexicano Bruno Santamaria Razo tem uma audácia incrível", escreve o diário francês. Rodado em 16 mm, "Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul" é um filme híbrido, que mistura ficção e documentário.

Com cores vivas e muita alegria, Bruno Santamaría Razo relembra a época de seu aniversário de 11 anos, quando começava a descobrir sua sexualidade e não compreendia completamente a situação após o diagnóstico do pai. A tensão do momento foi esquecida, como um trauma, durante quase 30 anos e veio à tona durante a pandemia de Covid-19.

"Durante a pandemia, eu tinha uma sensação de medo, de estranhamento, de incômodo no corpo, e senti que isso tinha relação com a memória do passado. Entrevistei minha família para tentar entender e, depois de entrevistá-los, fiquei muito comovido, muito tocado por algo que tem a ver com a desconfiança. Fiquei muito mais confuso", conta.

Cena do filme "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", coprodução brasileira selecionada para a Semana da Crítica do 79° Festival de Cannes.
Cena do filme "Seis Meses no Prédio Rosa e Azul", coprodução brasileira selecionada para a Semana da Crítica do 79° Festival de Cannes.
Foto: RFI

Para entender melhor o que estava sentindo, começou a escrever as lembranças que tinha.

"Ao escrever, percebi que a memória não era suficiente, como se eu não conseguisse acessar uma emoção real. E, de repente, percebi que comecei a inventar, a inventar deliberadamente, a imaginar. Entrelaçava memória, imaginação, entrevistas. Continuei fazendo isso repetidamente e percebi que estava escrevendo um roteiro de ficção. Naquele momento, me encantei com a ideia de fazer um filme para, a partir da imaginação, voltar a olhar algo que, de outra maneira, seria impossível", lembra.

Bruno Santamaría Razo revela que a tensão entre afeto e sofrimento foi retratada no filme com muita alegria, música e festa, muito presentes em sua família e na cultura mexicana.

"Cresci ouvindo muita música salsa. Sou fascinado pela salsa, gosto de dançar, de ouvir. E algo que me emociona muito, que me arrepia, é que as letras falam de sofrimento, de traição, de dor, de morte, mas nós dançamos, cantamos, nos movimentamos. E essa sensação, para mim, era central para entender como vivemos na minha família. Apesar da dor e do sofrimento, colorimos as paredes e nos pusemos a dançar", afirma.

Passado e presente

"Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul" tem duas camadas. O passado, reconstruído pela ficção, e o presente em uma linguagem documental, feito de entrevistas com a família de Bruno Santamaría Razo. O mexicano já trabalhava no cinema como diretor de fotografia e assina com "Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul" seu primeiro longa-metragem.

"Queria deixar claro que o filme não é apenas compartilhar uma história, mas mostrar que existe alguém que quer voltar a olhar o passado, que está buscando, que está tentando sentir algo que de outra forma seria impossível no próprio corpo, mas também pela relação entre passado e presente. Ou seja, a encenação é o passado e as entrevistas são o presente. Então esse espaço tão grande de 30 anos entre a lembrança e o momento em que esse jovem decide fazer um filme me interessava muito que estivesse no centro da história", explica.

A Rachel Daisy, da produtora brasileira Desvia, que coproduziu o longa “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, selecionado na mostra paralela Semana Crítica de Cannes;
A Rachel Daisy, da produtora brasileira Desvia, que coproduziu o longa “Seis Meses no Prédio Rosa e Azul”, selecionado na mostra paralela Semana Crítica de Cannes;
Foto: RFI

Rachel Daisy, da produtora Desvia, produziu o longa "Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul".

"A gente chegou ao projeto em 2023. Já tínhamos trabalhado com o Bruno Santamaría, que foi diretor de fotografia em outro filme. Eu me apaixonei imediatamente pela história e pela maneira como ele queria contar essa história muito pessoal da família dele. Conseguimos acessar um fundo de coprodução no Brasil nessa altura, ganhamos e seguimos", conta.

Projeto coletivo

O longa é uma coprodução do México (Ojos de Vaca), Brasil (Desvia) e Dinamarca (Snowglobe). A pós-produção de "Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul" aconteceu principalmente no Brasil, concluindo um projeto "coletivo e colaborativo", segundo a produtora.

"Eu acho que fazer coprodução é muito bonito, porque temos essa possibilidade de troca, de olhares, cultura e maneiras de trabalhar que eu percebo que, no nosso trabalho, sempre beneficiam muito os projetos. O fato de ter uma participação grande brasileira na pós-produção, tanto na montagem quanto no som e nos efeitos especiais, traz a possibilidade de troca, de pensar o filme com um alcance maior. Com certeza contribuiu para o resultado tão lindo do filme", diz Rachel.

Os vencedores da Semana da Crítica foram anunciados nesta quarta-feira, 20. O grande vencedor foi "La Gradiva", da francesa Marine Atlan. "Seis Semanas no Prédio Rosa e Azul" não foi premiado na mostra paralela, mas o longa de Bruno Santamaría Razo ainda concorre a dois prêmios em Cannes, o Queer Palm e o Caméra d'Or, que recompensa o melhor primeiro filme apresentado em todas as mostras do festival.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra