Conheça o estranho peixe-bruxa, que tem três corações e cospe lama
Discreto nas profundezas do oceano, o Myxini, que muitos conhecem como peixe-bruxa, chama a atenção de cientistas e curiosos por reunir características pouco comuns no reino animal.
Discreto nas profundezas do oceano, o Myxini, que muitos conhecem como peixe-bruxa, chama a atenção de cientistas e curiosos por reunir características pouco comuns no reino animal. Com aparência alongada e pele lisa, lembra uma mistura de enguia com verme marinho. Apesar da fama estranha, representa um organismo fundamental para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos, pois atua principalmente na decomposição de animais mortos no fundo do mar.
Esse peixe primitivo habita regiões profundas e frias, muitas vezes a centenas de metros da superfície, o que aumenta o mistério em torno da espécie. Pesquisadores registram o peixe-bruxa em diversos oceanos do mundo, especialmente no Atlântico Norte e no Pacífico. Além disso, sua anatomia e seu comportamento rompem expectativas comuns sobre o que muitas pessoas entendem por "peixe" no cotidiano.
Conheça o estranho peixe-bruxa, que tem três corações e cospe lama
Um dos aspectos mais citados do Myxini envolve a presença de três corações. Um coração principal bombeia o sangue pelo corpo, enquanto outros dois atuam como auxiliares e ajudam na circulação em diferentes regiões. O sangue, rico em hemoglobina, suporta bem ambientes com menor concentração de oxigênio, comuns nas profundezas. Dessa forma, essa adaptação permite que o peixe-bruxa permaneça ativo mesmo em condições pouco favoráveis para outras espécies.
Outro traço que rende manchetes aparece na produção de uma espécie de "lama" ou lodo viscoso. Quando se sente ameaçado ou quando alguém o manipula, o peixe-bruxa libera grandes quantidades de muco que, em contato com a água, se expande rapidamente e forma uma massa gelatinosa. Esse muco pode entupir as brânquias de predadores e funciona como mecanismo de defesa bastante eficiente. Em alguns incidentes, caminhões que transportavam o animal em estradas costeiras terminaram cobertos por essa substância após acidentes, o que reforçou a fama do peixe-bruxa como "fábrica de slime marinho". Além disso, experimentos em laboratório mostram que pequenas quantidades desse muco geram volumes enormes de gel, o que intriga engenheiros de materiais.
Por que o peixe-bruxa é considerado tão diferente de outros peixes?
O Myxini figura frequentemente como um dos vertebrados mais primitivos ainda existentes. Ele não possui mandíbulas verdadeiras, escamas e nadadeiras pares bem desenvolvidas, características comuns em muitos peixes conhecidos do grande público. Em vez disso, apresenta um crânio simples e um esqueleto predominantemente cartilaginoso, com estrutura corporal flexível que facilita a locomoção pelo fundo do mar e a penetração em carcaças.
Na alimentação, o peixe-bruxa atua principalmente como necrófago. Em geral, ele entra por pequenas aberturas em animais mortos, como peixes e mamíferos marinhos, e consome tecidos internos. Esse hábito contribui diretamente para a reciclagem de matéria orgânica no ambiente marinho e acelera a limpeza do fundo do oceano. Para se fixar às presas ou ao substrato, o peixe-bruxa pode dar um nó no próprio corpo e usar essa alavanca natural para tração. Esse comportamento, pouco comum entre peixes, aparece com frequência em estudos sobre sua biomecânica e inspira até pesquisas em robótica macia.
- Ausência de mandíbulas desenvolvidas
- Corpo alongado e flexível, sem escamas
- Capacidade de produzir grandes quantidades de muco
- Três corações funcionando em conjunto
- Alimentação voltada para carcaças no fundo do mar
O peixe-bruxa é comestível? Existe no Brasil?
A pergunta sobre se o peixe-bruxa é comestível surge com frequência, especialmente quando alguém observa que algumas espécies marinhas pouco conhecidas acabam ganhando espaço na gastronomia. Em certos países asiáticos, cozinheiros utilizam o Myxini na alimentação e aplicam preparo específico para lidar com o muco e com a textura da carne. Contudo, ele não integra a lista de peixes de consumo amplo e regular, como bacalhau, salmão ou tilápia. Até 2025, nenhuma cadeia de produção global se organiza exclusivamente para o peixe-bruxa como produto alimentício.
Em termos sanitários, o consumo exige manejo adequado, limpeza rigorosa e fiscalização, como ocorre com qualquer outro produto de origem animal. Além disso, cozinheiros precisam remover completamente o muco para evitar alterações de textura. No entanto, o valor comercial do peixe-bruxa se concentra muito mais em pesquisas científicas e, em alguns casos, no estudo industrial do muco, que apresenta potencial de uso em materiais têxteis e biotecnologia. Empresas exploram, por exemplo, a resistência das fibras presentes nesse muco para desenvolver novos tipos de fios e géis médicos.
Sobre a presença do peixe-bruxa no Brasil, registros indicam que as espécies de Myxini aparecem com maior frequência em regiões de águas frias, especialmente em áreas do Atlântico Norte. Em águas brasileiras, mais quentes na maior parte da costa, pesquisadores ainda não observam populações abundantes de peixe-bruxa como em outras faixas do planeta. Mesmo assim, estudos de fauna de profundidade na costa sul e sudeste, em áreas de águas mais frias e profundas, continuam em andamento e podem esclarecer melhor a distribuição dessas espécies em territórios próximos. Alguns cruzeiros oceanográficos já apontam a presença ocasional de indivíduos em áreas mais profundas, embora ainda em baixa densidade.
Quais são as principais curiosidades sobre o Myxini?
Além dos três corações e do muco abundante, o Myxini apresenta outras características que aparecem com frequência em relatórios científicos e materiais de divulgação. A pele, por exemplo, é espessa, sem escamas e repleta de poros de onde sai o muco. Essa estrutura ajuda na proteção contra agentes externos e predadores e também reduz a perda de água e sais. O animal possui visão bastante limitada, portanto depende mais do olfato e do tato para localizar alimento no escuro das profundezas.
A reprodução do peixe-bruxa ainda desafia os pesquisadores. Sabe-se que algumas espécies produzem poucos ovos, relativamente grandes, com casca resistente. Essa estratégia reprodutiva contrasta com a de muitos peixes que liberam milhares de ovos na água. Além disso, o desenvolvimento costuma ocorrer de forma lenta, sem fase larval livre em várias espécies. O desenvolvimento lento e a vida discreta no fundo do mar reforçam a imagem de um animal resistente, adaptado a ambientes estáveis e de baixa luminosidade.
- Ajuda a decompor carcaças no fundo do mar.
- Possui três corações trabalhando de forma complementar.
- Produz muco capaz de formar grandes quantidades de "lama" na água.
- Não é um peixe de consumo comum na alimentação humana.
- É mais associado a regiões frias, com registros limitados próximos ao Brasil.
Ao reunir tantas particularidades em um único organismo, o Myxini continua despertando interesse de pesquisadores em diferentes áreas, da biologia marinha à engenharia de materiais. O peixe-bruxa ocupa um lugar singular na árvore da vida e funciona como uma janela para compreender estágios antigos da evolução dos vertebrados e, ao mesmo tempo, as complexas engrenagens dos ecossistemas de profundidade. Além disso, suas adaptações extremas inspiram novas tecnologias e mostram como a vida encontra soluções surpreendentes em ambientes desafiadores.