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Hollywood vai a Cannes e garante a badalação desta edição

Festival entra na reta final e pode comemorar ano que teve glamour garantido pelos filmes de Sean Penn, Wes Anderson e Paul Verhoeven

15 jul 2021 13h28
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Cannes 2021 termina neste final de semana e os filmes mais badalados já tiveram suas pré-estreias concorridas. A trinca Paul Verhoeven, Sean Penn e Wes Anderson  levaram para a Croisette o cinema padrão Hollywood e não decepcionaram. Quer dizer, não decepcionaram quem esperava badalação, polêmica e o desfile de famosos. Já a recepção da crítica e também do público variou bem em cada filme.

Elenco estelar de "The French Dispatch", de Wes Anderson, na première do filme em Cannes
Elenco estelar de "The French Dispatch", de Wes Anderson, na première do filme em Cannes
Foto: Divulgação

A começar por um dos mais aguardados filmes do ano, que teve seu lançamento adiado por conta da pandemia: The French Disptach, de Wes Anderson. Além de ter sido  o único longa da seleção de Cannes 2020 que ficou para a competição 2021, a trupe de Anderson fez a alegria dos fãs e fotógrafos. Afinal, em uma edição um tanto quanto mais esvaziada (somente de jornalistas, a organização estima que este ano tenha contado com pelo menos mil nomes ausentes; em geral, cerca de 4mil jornalistas de todo o mundo cobrem o evento, não se pode desprezar a presença de nomes como Tilda Swinton, Benicio del Toro, Timothée Chalamet, Bill Murray, Andrian Brody, entre outros.

The French Dispatch recebeu ótimas críticas e pode ser a chance de Anderson levar um prêmio de Melhor Direção nesta edição.  O filme, a propósito, é uma homenagem ao jornalismo e, mais especificamente, à revista The New Yorker. The French Dispatch, ou A Cronica Francesa, é uma revista do século passado fundada por  Arthur Howitzer Jr., vivido por Bill Murray.  E ele deixou instruções bem claras: quando morrer, a revista deverá  morrer com ele. Ou seja, tem de ser fechada.  É a partir deste incidente que a trama se desenrola mais propriamente e o espectador conhece mais sobre cada um dos núcleos da revista e seus personagens.

Katheryn Winnick, Sean Penn e Dylan Penn na pré-estreia de "Flag Day" em Cannes 2021
Katheryn Winnick, Sean Penn e Dylan Penn na pré-estreia de "Flag Day" em Cannes 2021
Foto: Divulgação

Sean Penn de volta a Cannes com sua filha, Dylan Penn

Sean Penn é outro que nunca decepciona. Quer dizer, não em termos de passagem célebre pela Croisette. Já em questão de cinema, seu último filme, A Ultima Fronteira, foi um fiasco em Cannes 2016. Talvez um dos maiores fiascos da história do festival. Desta vez, o ator e diretor volta a Cannes em busca de uma redenção com Flag Day. E trouxe com ele sua filha, Dylan Penn, que estrela o filme baseado  no livro de Jennifer Vogel’s no qual a jornalista conta sua história real. Jennifer é filha de um grande falsário norte-americano e tem de encontrar uma forma de fazer as pazes com o passado do pai, que é interpretado pelo próprio Sean Penn.  A julgar pela recepção da crítica e os quatro minutos de aplausos respeitosos, mas não muito animados, no final da première, Flag Day redime Sean Penn, mas não muito.

O que tem se comentado é que o grande destaque do filme é, de fato, Dylan, que finalmente mostra maturidade e talento à altura dos pais (ela é filha de Penn e Robin Wright).

Paul Verhoeven causa novamente com Benedetta

Paul Verhoeven Virginie Efira, Clotilde Courau, Daphné Patakia, Louise Chevilotte e Olivier Rabourdin em Cannes
Paul Verhoeven Virginie Efira, Clotilde Courau, Daphné Patakia, Louise Chevilotte e Olivier Rabourdin em Cannes
Foto: Divulgação

Claro que a passagem de Paul Verhoeven por Cannes não iria ser discreta. O diretor que sempre causa e deixou sua marca irônica em sucessos como Instinto Selvagem, Show Girls e Elle, com o qual ele concorreu à Palma em 2016, voltou a Cannes aos 82 anos esbanjando energia e disposição para afrontar o conservadorismo.

O cineasta concorre à Palma este ano uma história, baseada em fatos reais: a de Benedetta, uma freia lésbica que chocou a Itália do século 17, interpretada por Virginie Efira. A propósito, Verhoeven é Holandês e o filme é todo falado em francês, ou seja, um filme europeu, mas o modelo de produção e direção o cineasta estão muito mais próximos de Hollywood que do clássico cinema europeu.

 

Sobre críticas às cenas de sexo de Benedetta, o diretor disse se tratar de "puritanismo"
Sobre críticas às cenas de sexo de Benedetta, o diretor disse se tratar de "puritanismo"
Foto: Divulgação

Dito isso, voltamos a Benedetta. Entre sua fé e a crença de que ela é uma escolhida de Deus e a ideia de que não passa de uma falsária, estão fatos como visões que ela tem com Jesus (com direito a erotismo) e um tórrido romance com uma jovem camponesa, Bartolomea, que, depois de ter sido estuprada por vários homens de sua família. é acolhida no convento onde vive Benedetta. Bartolomea é interpretada por Daphne Patakia.

A crítica se dividiu entre a aprovação total das ousadias de Verhoeven e a reprovação de sua mão sempre carregada quando o assunto é violência e sexo. Houve quem comentasse que se tratava de blasfêmia a forma como ele filmou as cenas de sexo entre Bartolomea e Benedetta, com direito a usar uma imagem de Nossa Senhora como acessório erótico.

Sobre isso, o cineasta chamou de  puritanismo e apenas disse que filmou o que está no livro e não inventou nada. E defendeu que ele retrata o que as freiras, que perseguidas e jugadas à época, disseram em seus depoimentos. Verhoeven até levou na coletiva de imprensa o livro “Atos Impuros: A Vida de uma Freira Lésbica na Itália da Renascença", da historiadora Judith C. Brown, que inspirou o filme. E leu trechos para a plateia de jornalistas.

“E não se esqueçam que, em geral, quando as pessoas fazem sexo elas tiram a roupa. Eu basicamente fico chocado com o fato de que as pessoas não querem olhar para a realidade da vida. Este puritanismo, na minha opinião, é errado”, rebateu o cineasta quando soube que a imprensa até aplaudiu, na sessão, a cena em que as freiras usam a imagem de Nossa Senhora como acessório erótico.

“Este puritanismo... Eu não acho que é melhor assim. O que a gente tinha nos anos 1970, com a revolução sexual, eu diria, com o todos de top less na praia. Isso acabou. E não acho que isso não é para melhor”

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