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1000 filmes do Merten: Apostas de mestres

Pedro Almodóvar e Roger Corman estão, como você e eu, vendo filmes no streaming

28 jul 2020
03h11
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Se lhe interessa saber, a revista inglesa Sight and Sound criou um diário do lockdown, abrindo espaço para que importantes autores compartilhem com o público o que tem sido o isolamento para eles. Na edição de Summer 2020, Pedro Almodóvar e o nonagenário Roger Corman relatam suas experiências. Como estão vivendo a pandemia? Exatamente como você e eu. Tentando manter-se lúcidos, a salvo. Produzindo, vendo filmes no streaming. Almodóvar confessa que se divertiu muito, mais do que imaginava revendo 007 Contra Goldfinger, de Guy Hamilton, na fase com Sean Connery. A garota do corpo dourado, o verdadeiro êxtase do ouro.

E ele acrescenta O Inventor da Mocidade, de Howard Hawks, Núpcias de Escândalo, de George Cukor, Meia-Noite de Mitchell Leisen, A Primeira Página, de Billy Wilder, Ricas e Famosas, outro Cukor, Nasce Uma Estrela, a versão com Judy Garland, de quem? Cukor, claro! Ainda destaca o que, para o público brasileiro, será uma raridade - o espanhol Casa Flora, de Ramón Fernández, em que diz que Lola Florez está di-vi-na. Corman recomenda Arthur Penn (Bonnie & Clyde) e Quentin Tarantino (Tempo de Violência), e também - segurem-se - A Aventura, de Michelangelo Antonioni, e Gritos e Sussurros, e até lembra que, na época, lançou o Ingmar Bergman num drive-in do Texas. Muito interessante. A seguir, as indicações desta terça.

Furyo

Nagisa Oshima dirige dois ícones da música pop, David Bowie e Ryuichi Sakamoto. O segundo é o comandante do campo japonês que submete o primeiro a abusos e tortura. O desejo dos homens, as áreas sombrias da mente. E, ah, sim, a participação de Takeshi Kitano, o Beat Kitano, que logo em seguida seria aclamado, também ele, como grande autor. Disponível no Belas Artes a La Carte.

Mulheres Fáceis

Sob esse título esconde-se um filme de Claude Chabrol, de 1960, que nunca estreou nos cinemas brasileiros. Os amigos em Paris, relações predadoras de jovens. Ninguém presta, todo mundo tenta tirar proveito, mas Chabrol consegue manter uma atitude saudável, a despeito do negativismo dos personagens. A partir de 31 na MUBI.

As Estranhas Coisas de Paris

Um Jean Renoir dos anos 1950. Ingrid Bergman como a aristocrata polonesa que atrai os homens em Paris no começo do século. É um dos mais belos, visualmente, filmes do filho do pintor impressionista Auguste Renor, e só isso já o torna obrigatório, mas decepcionou a crítica da época. Só os renoirianos de carteirinha, como François Truffaut, saíram em defesa da obra. Vale reconsiderar. A partir de 1.º, na MUBI.

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Estadão
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