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Cavalo Iacutiano: o equino que sobrevive a -60 °C

Entre as raças equinas que se adaptam a climas rigorosos, o cavalo iacutiano chama atenção pela capacidade de sobreviver a temperaturas extremamente baixas. Conheça o equino que resiste a -60ºC.

3 fev 2026 - 11h46
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Entre as raças equinas que se adaptam a climas rigorosos, o cavalo iacutiano chama atenção pela capacidade de sobreviver a temperaturas extremamente baixas. Originário da região de Yakútia, no nordeste da Rússia, esse animal vive em áreas onde o termômetro pode chegar a cerca de -60 °C no inverno. Assim, a raça se desenvolveu em ambiente severo, com longos períodos de neve e escassez de pasto, o que ajudou a moldar um cavalo compacto, rústico e capaz de suportar o frio intenso.

Ao longo de séculos, o cavalo iacutiano passou a fazer parte da rotina de populações locais, sendo usado no transporte, na produção de alimentos e em atividades de subsistência. Assim, a relação entre o animal e o clima extremo permitiu a seleção natural de indivíduos mais resistentes, com características físicas e fisiológicas específicas. Por isso, hoje a raça é objeto de estudo por pesquisadores que têm interesse em entender como um mamífero de grande porte suporta temperaturas tão baixas sem proteção artificial significativa.

Ao longo de séculos, o cavalo iacutiano passou a fazer parte da rotina de populações locais, sendo usado no transporte, na produção de alimentos e em atividades de subsistência – Ilya Varlamov/Wikimedia Commons
Ao longo de séculos, o cavalo iacutiano passou a fazer parte da rotina de populações locais, sendo usado no transporte, na produção de alimentos e em atividades de subsistência – Ilya Varlamov/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

O que é o cavalo iacutiano e onde ele vive?

O cavalo iacutiano é uma raça nativa da República de Sakha (Yakútia), região que possui um dos climas habitados mais frios do planeta. Trata-se de um cavalo de porte relativamente baixo, com corpo robusto, pescoço forte e pernas curtas em comparação a outras raças de sela. Esse biotipo ajuda a reduzir a perda de calor, já que um corpo mais compacto expõe menos superfície ao vento gelado.

Na maior parte do ano, esses animais permanecem ao ar livre, pastando em áreas cobertas de neve e suportando rajadas de vento cortante. Durante o inverno, o cavalo iacutiano é capaz de encontrar alimento sob a neve, usando os cascos para afastar a cobertura branca e chegar à vegetação ressecada. Portanto, essa rotina de vida ao relento também contribui para um sistema imunológico fortalecido e para uma camada de gordura mais espessa.

Por que o cavalo iacutiano é tão resistente ao frio?

A resistência ao frio do cavalo iacutiano associa-se a um conjunto de fatores. São elas: morfologia, pelagem, metabolismo e genética. Ademais, um dos traços mais visíveis é a pelagem de inverno, extremamente densa e longa, que forma uma espécie de barreira isolante contra o vento e a neve. Afinal, essa "capa natural" retém melhor o calor corporal e impede que a pele fique diretamente exposta ao ar gelado.

Além da pelagem, o cavalo iacutiano apresenta uma camada de gordura subcutânea relativamente espessa, que funciona como isolamento térmico e reserva de energia. Assim, em ambientes de frio extremo, essa gordura ajuda a manter a temperatura interna estável, mesmo quando o animal enfrenta longos períodos com pouca oferta de alimento. Estudos recentes também indicam alterações genéticas que se relacionam ao metabolismo energético, que permitem ao cavalo aproveitar melhor os nutrientes e produzir calor de forma mais eficiente.

Outro ponto importante é o ritmo de crescimento e de troca de pelos ao longo do ano. Com a aproximação do inverno, a pelagem engrossa de maneira gradual, sincronizada com a queda de temperatura e a redução da luz solar. Portanto, esse ajuste sazonal em um metabolismo adaptado, torna o cavalo iacutiano um dos equinos com mais preparo para encarar o frio extremo.

Quais características físicas garantem essa adaptação ao clima gelado?

As características físicas do cavalo iacutiano contribuem diretamente para a sua adaptação ao clima da Yakútia. Assim, entre os principais atributos observados, destacam-se:

  • Corpo compacto: formato mais arredondado, com menor superfície exposta ao vento e melhor conservação de calor.
  • Pernas curtas e fortes: facilitam a locomoção na neve e reduzem a área corporal em contato com o ambiente gelado.
  • Cabeça larga e pescoço musculoso: oferecem suporte para a musculatura e para o tecido adiposo que ajudam na regulação térmica.
  • Crina e cauda densas: atuam como proteção adicional contra o vento e a neve, principalmente na região do pescoço e do dorso.

Essas características físicas, combinadas com o comportamento de grupo, aumentam ainda mais a resistência ao frio. Em períodos de ventos mais fortes, os animais costumam se agrupar, formando uma espécie de barreira coletiva contra o clima externo. Esse hábito reduz a exposição de indivíduos isolados e favorece a manutenção do calor corporal.

Como o cavalo iacutiano se comporta durante o inverno?

Durante o inverno rigoroso, o cavalo iacutiano adota estratégias simples, porém eficientes, para conservar energia e enfrentar a escassez. A atividade física tende a ser mais moderada, com deslocamentos concentrados na busca por alimento sob a neve. A alimentação é baseada principalmente em gramíneas secas e restos de vegetação que permanecem acessíveis, complementados, em algumas áreas, por feno oferecido por criadores locais.

O comportamento alimentar também é influenciado pelo clima. O animal consome maior quantidade de alimento no período anterior ao inverno, acumulando reservas de gordura. Essa reserva energética é utilizada nos meses mais frios, quando o gasto calórico aumenta para manutenção da temperatura interna. Em grande parte do tempo, o cavalo iacutiano permanece ao ar livre, deitado ou protegido em pequenas depressões do terreno, reduzindo a exposição direta ao vento.

Para as comunidades da Yakútia, o cavalo iacutiano tem papel relevante na cultura, na economia e na sobrevivência em áreas remotas – Ilya Varlamov/Wikimedia Commons
Para as comunidades da Yakútia, o cavalo iacutiano tem papel relevante na cultura, na economia e na sobrevivência em áreas remotas – Ilya Varlamov/Wikimedia Commons
Foto: Giro 10

Importância do cavalo iacutiano para a região de Yakútia

Para as comunidades da Yakútia, o cavalo iacutiano tem papel relevante na cultura, na economia e na sobrevivência em áreas remotas. A raça é usada em atividades de tração, transporte em terrenos cobertos de neve e produção de carne e leite, especialmente em locais onde outros animais domésticos teriam maior dificuldade de se adaptar. Graças à sua alta tolerância ao frio, o cavalo pode permanecer grande parte do ano em regime extensivo, exigindo estruturas simples de manejo.

Nos últimos anos, esse equino vem despertando interesse de pesquisadores de diferentes países, que analisam seus mecanismos de adaptação ao frio como modelo para entender a resistência térmica em mamíferos. Ao reunir genética favorável, características físicas específicas e uma longa história de seleção em ambiente gelado, o cavalo iacutiano se tornou referência quando o assunto é sobrevivência e desempenho em regiões de clima extremo.

Giro 10
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