Bienal de Veneza contestará corte no financiamento da UE devido à polêmica em torno do pavilhão russo
A Bienal de Veneza anunciou nesta terça-feira que contestará a decisão da União Europeia de retirar um subsídio de 2 milhões de euros (US$2,3 milhões) em resposta ao retorno da Rússia à sua edição de 2026.
O evento — um dos principais eventos culturais do mundo, com exposições internacionais de arte, arquitetura, cinema, dança, música e teatro — está no centro de uma tempestade política e midiática desde março, quando os organizadores anunciaram que a Rússia teria permissão para reabrir seu pavilhão em Veneza pela primeira vez desde a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022.
O governo italiano criticou duramente a medida, enquanto a Comissão Europeia advertiu que suspenderia ou cancelaria um financiamento no valor de 2 milhões de euros caso o pavilhão russo retornasse.
Os organizadores da Bienal afirmaram na terça-feira que a decisão da Agência Executiva Europeia para a Educação e a Cultura (EACEA) já era esperada há muito tempo e que iriam "fazer valer nossos direitos perante todas as autoridades competentes" para contestar a medida.
A Comissão Europeia confirmou na terça-feira que havia decidido revogar o financiamento após parecer jurídico e uma recomendação de Bruxelas.
"Eventos culturais financiados com o dinheiro dos contribuintes europeus devem salvaguardar os valores democráticos e promover o diálogo, a diversidade e a liberdade de expressão, valores que não são respeitados na Rússia atual", afirmou o porta-voz da Comissão, Thomas Regnier, segundo a mídia italiana.
A Bienal rejeitou as ligações, observando que a subvenção cofinanciava projetos administrados por seu departamento de cinema que "não têm nada a ver com a participação da Rússia".
"A medida não tem impacto significativo no orçamento, nas contas ou nas atividades planejadas e em andamento da La Biennale di Venezia, que permanecem confirmadas", acrescentou.
O presidente da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, defendeu a decisão de não impedir o retorno da Rússia, descrevendo o festival como "um espaço de coexistência para todo o planeta" sem censura.
Mesmo assim, quando a exposição foi inaugurada em maio, os visitantes só tiveram acesso ao pavilhão russo durante os quatro dias de pré-estreias para a imprensa. Durante o restante do evento de seis meses, o acesso ao prédio é restrito, e os visitantes assistem a projeções de vídeo nas paredes externas, enquanto música ao vivo ecoa pelas janelas.
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