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Bienal de São Paulo: Quem são os artistas estrangeiros para ficar de olho

A 36ª edição do maior evento de arte da América Latina começa neste sábado, 6, com alguns dos nomes mais proeminentes do cenário artístico internacional

5 set 2025 - 09h41
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A 36ª edição da Bienal de São Paulo vai receber muitos artistas estrangeiros entre os 120 que compõem a curadoria do evento. Um dos principais eventos de arte do Brasil abre ao público neste sábado, 6, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, e vai até o dia 11 de janeiro.

Unidos pelo tema Nem Todo Viandante Anda Estradas - Da Humanidade Como Prática, emprestado do poema Da Calma e do Silêncio, de Conceição Evaristo, os artistas foram selecionados pelo curador Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, camaronês radicado em Berlim, com uma equipe de cocuradores composta pela a marroquina Alya Sebti, a suíça Anna Roberta Goetz e os brasileiros Thiago de Paula e Keyna Eleison.

Durante dois anos, o time curatorial viajou, visitou e pesquisou o trabalho de artistas que dialogassem com a proposta da 36ª Bienal - uma reflexão sobre humanidade, escuta e natureza. Além disso, os nomes escolhidos mostram como a democratização da arte e a diversidade são pilares da organização.

Neste ano, o tempo de exibição cresce em um mês com relação a 2023, quando 662 mil pessoas passaram pelo pavilhão. A expectativa é de que este número aumente em 2025 graças ao acréscimo no período expositivo. Se você visitar a Bienal, confira os artistas estrangeiros para conhecer e ficar de olho:

Theresah Ankomah (Acra, 1989)

Theresah Ankomah nasceu e cresceu em Acra, capital da Gana, onde via desde criança artistas e tecelões produzindo objetos no Centro para a Cultura Nacional da cidade. Foi lá que ganhou inspiração para começar a trabalhar com arte e, desde então, tornou-se graduada e mestre em escultura pela Kwame Nkrumah University of Science and Technology.

Ela foi finalista do Prêmio de Arte Yaa Asantewaa e do Prêmio de Arte Contemporânea Kuenyehia. Seu trabalho passa por instalações, esculturas, pintura, tecelagem e gravuras, sempre utilizando fibras naturais, como juta, kenaf e rafia, e investigando a relação entre modos de produção, comunidade e natureza.

A obra da artista é caracterizado pelo trabalho em comunidade. Para a Bienal, ela produziu uma instalação que cobre uma fachada inteira do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, feita a partir de folhas de palmeiras com a ajuda de artesãos de uma comunidade em Gana.

Theresah Ankomah produziu instalação que cobre uma fachada inteira do Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
Theresah Ankomah produziu instalação que cobre uma fachada inteira do Pavilhão Ciccillo Matarazzo.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Leiko Ikemura (Tsu, 1951)

O trabalho de Leiko Ikemura reflete um diálogo constante entre culturas: ela nasceu em Tsu, uma cidade de menos de 300 mil habitantes no Japão, morou na Espanha, na Suíça e na Alemanha, onde atualmente reside entre Colônia e Berlim. Produzindo desde os anos 1970, seu conjunto varia entre pintura, escultura, desenho e vídeo.

Com obras expostas em alguns dos maiores centros de arte do mundo, como o Centre Pompidou, em Paris, e o Museum of Contemporary Art Tokyo, em Tóquio, ela une a tradição japonesa com a influencia da arte ocidental para refletir sobre o feminino, transformações, espiritualidade, entre outros temas.

A Bienal apresenta o total de 21 obras de artistas. Entre os destaques, estão quatro pinturas da série Girls [Garotas], feitas entre 2010 e 2011, além de uma de 2021. A mostra também conta com seis quatros da série Sea Division [Divisão do Mar], de 2022.

Obras de Leiko Ikemura na 36ª Bienal de São Paulo.
Obras de Leiko Ikemura na 36ª Bienal de São Paulo.
Foto: Levi Fanan/Fundação Bienal/Divulgação / Estadão

Maria Magdalena Campos-Pons (Matanzas, 1959)

Outro grande nome desta Bienal é a cubana Maria Magdalena Campos-Pons, considerada uma artista multidisciplinar cuja obra vai de pintura e escultura a cinema, vídeo, performance e fotografia. Com uso de técnicas mistas e diversas, ela aborda temas como gênero, religião, sexualidade, raça, identidade e história.

Tida como uma das figuras mais proeminentes do cenário artístico de Cuba, Maria recebeu em 2023 a MacArthur Fellowship, prêmio concedido pela Fundação John D. e Catherine T. popularmente chamado de "bolsa dos gênios". Ela tem obras expostas ao redor do mundo, e é atualmente professora de Belas Artes na Vanderbilt University, onde fundou o programa Engine for Art, Democracy & Justice.

Maria, que reside em Nashville (EUA), apresenta seis obras feitas com camadas de aquarela sobre papel Arches e comissionadas pela exposição, além de uma grande instalação.

Instalação de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo.
Instalação de María Magdalena Campos-Pons durante a 36ª Bienal de São Paulo.
Foto: Levi Fanan/Fundação Bienal/Divulgação / Estadão

Oscar Murillo (1986, La Paila)

Natural de La Paila, pequena cidade na Colômbia, Oscar Murillo é formado pela Royal College of Art de Londres, onde reside até hoje. Seu trabalho mistura pintura, instalação e performance, a partir de trabalhos colaborativos e imersivos, com o objetivo de investigar as ideias de coletividade e cultura compartilhada.

Murillo já teve obras expostas no Tate Modern de Londres e no Aspen Art Museum, e participou das Bienais de Veneza, Sharjah e Abu Dhabi. Foi um dos vencedores do Prêmio Turner em 2019 e é doutor honorário da University of Westminster.

Na Bienal, ele apresenta A Song to a Tearful Garden [Uma canção para um jardim que chora] (2025), uma mistura de pintura coletiva e instalação. Na mostra, dois andaimes serão dispostos em lados opostos do pavilhão com telas em branco e materiais artísticos para que o próprio público crie pinturas em grande escala. Outra obra, Mesmerizing Beauty [Beleza hipnotizante] (2025), também será apresentada e foi realizada de maneira coletiva com amigos e familiares ao redor do mundo.

Instalação de Oscar Murillo na 36ª Bienal de São Paulo.
Instalação de Oscar Murillo na 36ª Bienal de São Paulo.
Foto: Levi Fanan/Fundação Bienal/Divulgação / Estadão

Otobong Nkanga (1974, Kano)

Otobong Nkanga é outra artista da 36ª Bienal cuja experiência proporciona uma visão artística que interliga nações e culturas. Nascida em Kano, Nigéria, ela formou-se na Obafemi Awolowo University antes de realizar estudos e residências artísticas em Paris, Amsterdã e Berlim. Atualmente reside na Antuérpia, na Bélgica.

A artista venceu prêmios como o Yanghyun Art Prize, da Coreia do Su, e o Peter-Weiss-Preis, da Alemanha. Com trabalhos no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e no Centre Pompidou (Paris), entre outros, Otobong aborda questões ambientais, identitárias, históricas e sociopolíticas com técnicas que vão da tapeceira à performance.

Na Bienal, ela apresenta a série Unearthed [Desenterrado], de 2021, composta por quatro grande obras feitas com técnicas de tapeçaria com fios diversos e materiais naturais. O trabalho investiga a relação da humanidade com elementos naturais e o meio ambiente.

Twilight [Crepúsculo] (2021), obra da série Unearthed [Desenterrado], de Otobong Nkanga, exposta na 36ª Bienal de São Paulo.
Twilight [Crepúsculo] (2021), obra da série Unearthed [Desenterrado], de Otobong Nkanga, exposta na 36ª Bienal de São Paulo.
Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Adama Delphine Fawundu (Nova York, 1971)

Nascida em Nova York de pai serra-leonense e mãe equato-guineense, Adama Delphine Fawundu tem obras em museus como o Brooklyn Museum of Art e o Princeton University Museum (EUA). Atualmente, é professora assistente de artes visuais na Universidade de Columbia, uma das mais importantes dos EUA.

Seu trabalho dialoga com tradições de povos africanos a partir de colagens têxteis com materiais usados por comunidades do Congo, Brasil, Nigéria e Serra Leoa. Receptora da Bolsa Guggenheim para Artes Criativas, ela também produz fotografias, instalações e arte digital.

Na 36ª Bienal de SP, Adama apresenta uma instalação imersiva que que mescla vídeo, sons e materiais têxteis. O trabalho foi realizado em colaboração com comunidades quilombolas e artistas locais para explorar como tradições Luba, Kongo e Iorubá persistem na Bahia.

Instalação de Adama Dalphine Fawundu na 36ª Bienal de São Paulo.
Instalação de Adama Dalphine Fawundu na 36ª Bienal de São Paulo.
Foto: Levi Fanan/Fundação Bienal/Divulgação / Estadão

Estadão
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