Bienal de São Paulo: Quem são os artistas estrangeiros para ficar de olho
A 36ª edição do maior evento de arte da América Latina começa neste sábado, 6, com alguns dos nomes mais proeminentes do cenário artístico internacional
A 36ª edição da Bienal de São Paulo vai receber muitos artistas estrangeiros entre os 120 que compõem a curadoria do evento. Um dos principais eventos de arte do Brasil abre ao público neste sábado, 6, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera, e vai até o dia 11 de janeiro.
Unidos pelo tema Nem Todo Viandante Anda Estradas - Da Humanidade Como Prática, emprestado do poema Da Calma e do Silêncio, de Conceição Evaristo, os artistas foram selecionados pelo curador Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, camaronês radicado em Berlim, com uma equipe de cocuradores composta pela a marroquina Alya Sebti, a suíça Anna Roberta Goetz e os brasileiros Thiago de Paula e Keyna Eleison.
Durante dois anos, o time curatorial viajou, visitou e pesquisou o trabalho de artistas que dialogassem com a proposta da 36ª Bienal - uma reflexão sobre humanidade, escuta e natureza. Além disso, os nomes escolhidos mostram como a democratização da arte e a diversidade são pilares da organização.
Neste ano, o tempo de exibição cresce em um mês com relação a 2023, quando 662 mil pessoas passaram pelo pavilhão. A expectativa é de que este número aumente em 2025 graças ao acréscimo no período expositivo. Se você visitar a Bienal, confira os artistas estrangeiros para conhecer e ficar de olho:
Theresah Ankomah (Acra, 1989)
Theresah Ankomah nasceu e cresceu em Acra, capital da Gana, onde via desde criança artistas e tecelões produzindo objetos no Centro para a Cultura Nacional da cidade. Foi lá que ganhou inspiração para começar a trabalhar com arte e, desde então, tornou-se graduada e mestre em escultura pela Kwame Nkrumah University of Science and Technology.
Ela foi finalista do Prêmio de Arte Yaa Asantewaa e do Prêmio de Arte Contemporânea Kuenyehia. Seu trabalho passa por instalações, esculturas, pintura, tecelagem e gravuras, sempre utilizando fibras naturais, como juta, kenaf e rafia, e investigando a relação entre modos de produção, comunidade e natureza.
A obra da artista é caracterizado pelo trabalho em comunidade. Para a Bienal, ela produziu uma instalação que cobre uma fachada inteira do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, feita a partir de folhas de palmeiras com a ajuda de artesãos de uma comunidade em Gana.
Leiko Ikemura (Tsu, 1951)
O trabalho de Leiko Ikemura reflete um diálogo constante entre culturas: ela nasceu em Tsu, uma cidade de menos de 300 mil habitantes no Japão, morou na Espanha, na Suíça e na Alemanha, onde atualmente reside entre Colônia e Berlim. Produzindo desde os anos 1970, seu conjunto varia entre pintura, escultura, desenho e vídeo.
Com obras expostas em alguns dos maiores centros de arte do mundo, como o Centre Pompidou, em Paris, e o Museum of Contemporary Art Tokyo, em Tóquio, ela une a tradição japonesa com a influencia da arte ocidental para refletir sobre o feminino, transformações, espiritualidade, entre outros temas.
A Bienal apresenta o total de 21 obras de artistas. Entre os destaques, estão quatro pinturas da série Girls [Garotas], feitas entre 2010 e 2011, além de uma de 2021. A mostra também conta com seis quatros da série Sea Division [Divisão do Mar], de 2022.
Maria Magdalena Campos-Pons (Matanzas, 1959)
Outro grande nome desta Bienal é a cubana Maria Magdalena Campos-Pons, considerada uma artista multidisciplinar cuja obra vai de pintura e escultura a cinema, vídeo, performance e fotografia. Com uso de técnicas mistas e diversas, ela aborda temas como gênero, religião, sexualidade, raça, identidade e história.
Tida como uma das figuras mais proeminentes do cenário artístico de Cuba, Maria recebeu em 2023 a MacArthur Fellowship, prêmio concedido pela Fundação John D. e Catherine T. popularmente chamado de "bolsa dos gênios". Ela tem obras expostas ao redor do mundo, e é atualmente professora de Belas Artes na Vanderbilt University, onde fundou o programa Engine for Art, Democracy & Justice.
Maria, que reside em Nashville (EUA), apresenta seis obras feitas com camadas de aquarela sobre papel Arches e comissionadas pela exposição, além de uma grande instalação.
Oscar Murillo (1986, La Paila)
Natural de La Paila, pequena cidade na Colômbia, Oscar Murillo é formado pela Royal College of Art de Londres, onde reside até hoje. Seu trabalho mistura pintura, instalação e performance, a partir de trabalhos colaborativos e imersivos, com o objetivo de investigar as ideias de coletividade e cultura compartilhada.
Murillo já teve obras expostas no Tate Modern de Londres e no Aspen Art Museum, e participou das Bienais de Veneza, Sharjah e Abu Dhabi. Foi um dos vencedores do Prêmio Turner em 2019 e é doutor honorário da University of Westminster.
Na Bienal, ele apresenta A Song to a Tearful Garden [Uma canção para um jardim que chora] (2025), uma mistura de pintura coletiva e instalação. Na mostra, dois andaimes serão dispostos em lados opostos do pavilhão com telas em branco e materiais artísticos para que o próprio público crie pinturas em grande escala. Outra obra, Mesmerizing Beauty [Beleza hipnotizante] (2025), também será apresentada e foi realizada de maneira coletiva com amigos e familiares ao redor do mundo.
Otobong Nkanga (1974, Kano)
Otobong Nkanga é outra artista da 36ª Bienal cuja experiência proporciona uma visão artística que interliga nações e culturas. Nascida em Kano, Nigéria, ela formou-se na Obafemi Awolowo University antes de realizar estudos e residências artísticas em Paris, Amsterdã e Berlim. Atualmente reside na Antuérpia, na Bélgica.
A artista venceu prêmios como o Yanghyun Art Prize, da Coreia do Su, e o Peter-Weiss-Preis, da Alemanha. Com trabalhos no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e no Centre Pompidou (Paris), entre outros, Otobong aborda questões ambientais, identitárias, históricas e sociopolíticas com técnicas que vão da tapeceira à performance.
Na Bienal, ela apresenta a série Unearthed [Desenterrado], de 2021, composta por quatro grande obras feitas com técnicas de tapeçaria com fios diversos e materiais naturais. O trabalho investiga a relação da humanidade com elementos naturais e o meio ambiente.
Adama Delphine Fawundu (Nova York, 1971)
Nascida em Nova York de pai serra-leonense e mãe equato-guineense, Adama Delphine Fawundu tem obras em museus como o Brooklyn Museum of Art e o Princeton University Museum (EUA). Atualmente, é professora assistente de artes visuais na Universidade de Columbia, uma das mais importantes dos EUA.
Seu trabalho dialoga com tradições de povos africanos a partir de colagens têxteis com materiais usados por comunidades do Congo, Brasil, Nigéria e Serra Leoa. Receptora da Bolsa Guggenheim para Artes Criativas, ela também produz fotografias, instalações e arte digital.
Na 36ª Bienal de SP, Adama apresenta uma instalação imersiva que que mescla vídeo, sons e materiais têxteis. O trabalho foi realizado em colaboração com comunidades quilombolas e artistas locais para explorar como tradições Luba, Kongo e Iorubá persistem na Bahia.