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Rodin à baiana - exposição de mestre francês abre ao público

27 out 2009 - 09h08
(atualizado às 20h45)
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Em 1995, a cidade de São Paulo teve o privilégio de abrigar a primeira exposição, na Pinacoteca, com esculturas de Auguste Rodin. Foi um sucesso para a época. Cerca de 180 mil pessoas colocaram os olhos em cima de O Pensador, entre outras obras fundidas a partir de moldes de Rodin. Era o embrião de uma ideia que daria frutos somente em 2009.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (à esq.), ao lado de Dominique Vieville, diretor do Museu Rodin de Paris, corta a fita inaugural da exposição com as obras do escultor
O governador da Bahia, Jaques Wagner (à esq.), ao lado de Dominique Vieville, diretor do Museu Rodin de Paris, corta a fita inaugural da exposição com as obras do escultor
Foto: Antonio Reis / Especial para Terra

» Veja as peças da exposição

Depois deste grande debute, o então diretor da Pinacoteca, o artista plástico baiano Emanoel Araújo, pensou que seria interessante se os brasileiros pudessem ter um maior acesso à obra do chamado pai da escultura moderna. Em 2002, ele iniciou as primeiras negociações entre a diretoria do Museu Rodin de Paris e o Governo da Bahia com a intenção de se abrigar, em Salvador, um espaço com obras de Rodin. Quatro anos depois, em dezembro de 2006, era inaugurado o Palacete das Artes Rodin Bahia, na antiga propriedade de Bernardes Martins Catharino. A restauração do espaço custou aos cofres públicos cerca de R$ 15 milhões.

Nesta teça-feira (27), quase três anos depois, o conceito do museu está completo, com a abertura (para o público) da primeira exposição permanente (duração de 3 anos) de peças originais em gesso de Rodin.

O melhor de Rodin na Bahia

Ao todo 62 obras em gesso estão expostas, satisfazendo os curiosos olhos de baianos e de quem mais aparecer no belíssimo palacete da rua da Graça 284. Estão lá os famosos O Pensador, O Beijo e dois fragmentos da notória Porta do Inferno, as obras mais conhecidas do artista.

A visita começa logo nos jardins da propriedade. Quatro réplicas em bronze, autorizadas pelo Museu Rodin de Paris, recepcionam o visitante: A Mártir - de 1855 -, Homem Que Anda Sobre Coluna - 1877-, Jean de Fiennes Nu - 1886- e O Torso da Sombra - de 1901. Pelas leis da França, são reconhecidas até 12 cópias dos moldes de um artista - as peças foram adquiridas por cerca de R$ 3,30 milhões (na cotação do euro da época) pela Bahiatursa e cedidas ao museu, em 2006.

Pausa para um visitante inusitado

Entre os primeiríssimos visitantes, um solitário caramujo deslizava pela coluna do Homem Que Andava Sobre Coluna, mal sabendo ele que deixava seu rastro em um bronze de R$ 871 mil (valor da réplica).

Continuando...

Quando se chega no primeiro andar do casarão de dois andares (além do térreo), é a figura de O Beijo que faz as vezes de hostess. A belíssima escultura em gesso foi inspirada no trágico caso de Francesca da Rimini, uma italiana do século 13, casada, que se apaixona pelo irmão mais novo de seu marido, que, traído, assassina os amantes - essa e as outras historias que acompanham as peças da exposição serão devidamente contadas pelos 12 monitores do museu, durante as visitas guiadas.

O passeio continua com a Sala das Meditações, das Mulheres e culmina na Sala da Defesa, onde, ao fundo, um imenso O Pensador espera, paciente, o visitante.

Por que gesso?

Vale a pena também prestar atenção na sala dedicada à família Catharino, que viveu no palacete, e na reprodução do ateliê do escultor. "A ideia, com esse módulo da exposição, é não só dar uma dimensão do que teria sido parte do ateliê de Rodin, mas incitar os jovens a se interessarem pela escultura, mostrando que Rodin era um homem comum, com seu ateliê de paredes e chão sujos de gesso", explica Heloisa Helena - professora de Técnica e Prática de Museologia da Universidade Federal da Bahia, consultora do projeto Rodin Bahia e responsável científica pelas obras da exposição. O palacete também irá abrigar oficinas de escultura, como maneira de incrementar ainda mais o interesse pela arte.

Sobre o porquê das peças expostas serem de gesso, o diretor do Museu Rodin de Paris, Dominique Vieville, explica que Rodin não fazia a fundição de suas peças e preferia modelá-las no material, em detrimento das pedras e do metal, por ser o gesso mais maleável. Essa característica do maerial o deixava mais livre para criar e reinventar seus trabalhos. "O gesso só aparenta ser frágil, mas é um material resistente e bem pesado. Principalmente o patinado, como é o caso de várias peças expostas aqui", complementa Heloísa.

As obras de Rodin ficam por três anos expostas no Palacete das Artes Rodin Bahia, graças ao contrato em comodato firmado com a diretoria do Museu Rodin de Paris. Ao término desse período, o contrato é renovado por mais três e assim por diante, ad eterno. "No próximo ano, vamos nos reunir com os técnicos do museu de Paris para decidirmos quais obras irão substituir estas que aqui estão, em 2012", disse o secretário de cultura do estado da Bahia, Márcio Meirelles, que revela, ainda, o governo ter gasto R$ 1,5 milhão para o transporte e o seguro das obras.

Mais sobre aquele visitante inesperado

Minutos antes da exposição ser aberta aos convidados e autoridades - entre elas o governador da Bahia, Jacques Wagner -, veio a chuva. À noite, quando o museu se vestiu de gala, o inquilino gosmento foi se embora, como em reverência ao evento pomposo, deixando que somente a negra escultura Homem Que Andava Sobre Coluna brilhasse sozinha. Uma homenagem ao grande mestre - a saber, as esculturas (réplicas) de Rodin, que ficam no jardim do museu, são lavadas duas vezes por ano com água mineral e recebem a proteção de uma cera especial, que as protege das intempéries.

* Márcia Pereira viajou a Salvador a convite do governo do Estado da Bahia/Bahiatursa

Fonte: Redação Terra
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