Itália exibirá pela 1ª vez obra rara de Caravaggio na Biblioteca do Senado
'Retrato do Monsenhor Maffeo Barberini' ficará exposto até 21 de junho em Roma
A célebre obra-prima "Retrato do Monsenhor Maffeo Barberini", de Caravaggio, será exibida ao público pela primeira vez desde sua aquisição pelo Estado italiano, anunciada em março deste ano.
O quadro ficará em exposição gratuita entre os dias 28 de maio e 21 de junho na Sala Capitular da Biblioteca do Senado, no Palazzo della Minerva, em Roma, antes de seguir para sua residência permanente nas Galerias Nacionais de Arte Antiga, instaladas no Palazzo Barberini.
A mostra representa um "retorno temporário" do mestre barroco ao Senado italiano.
Durante a cerimônia de inauguração nesta quarta-feira (27), o presidente do Senado italiano, Ignazio La Russa, destacou a ligação histórica entre o artista e os edifícios que hoje abrigam a instituição.
Segundo ele, Caravaggio viveu por anos no Palazzo Madama e no Palazzo Giustiniani sob a proteção do cardeal Francesco Maria del Monte, importante mecenas do pintor.
"É, portanto, um retorno, ainda que temporário. O jovem pintor viveu com o cardeal Francesco Maria del Monte, que alugava o Palazzo Madama do Grão-Duque Ferdinando de' Medici, seu patrono, e lá residiu por 40 anos, de 1589 até sua morte, em 1626", afirmou La Russa.
Já o ministro da Cultura da Itália, Alessandro Giuli, afirmou que a aquisição da pintura integra uma estratégia do governo italiano para impedir que obras de excepcional relevância sejam "absorvidas por coleções privadas internacionais".
O Estado italiano desembolsou 30 milhões de euros ? cerca de R$ 182,7 milhões ? pela obra, considerada uma das aquisições artísticas mais importantes já realizadas pelo país.
O "Retrato do Monsenhor Maffeo Barberini" retrata o futuro papa Urbano VIII, um rico humanista da alta sociedade romana nascido em 1568, que foi eleito para ocupar o mais importante posto da Igreja Católica em 1623, permaneceu no posto até sua morte, em 1644.
A obra permaneceu durante séculos na coleção da família Barberini antes de desaparecer do circuito público na década de 1930. O quadro reapareceu apenas em 1963, quando foi autenticado pelo renomado crítico de arte Roberto Longhi, especialista na obra de Caravaggio.
A exposição também apresentará ao público, pela primeira vez, documentos históricos dos Arquivos do Estado de Roma relacionados ao pintor. Entre eles está o relatório de interrogatório de 4 de maio de 1598, produzido na prisão de Tor di Nona, onde Caravaggio foi detido após ser encontrado armado com uma espada entre a Piazza Madama e a Piazza Navona. Nos documentos, o artista alegava portar licença para usar a arma por atuar a serviço do cardeal Del Monte.
A iniciativa reforça a colaboração entre o Senado da República Italiana e o Ministério da Cultura, que recentemente promoveram exposições de importantes obras históricas e artísticas, incluindo "Ecce Homo", de Antonello da Messina, e a mostra "O Rosto da Mulher", dedicada à presença feminina na arte e na história italiana.
A exposição estará aberta de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e aos sábados, domingos e no feriado de 2 de junho, das 10h às 18h (horário local).
Caravaggio (1571-1610), nome artístico de Michelangelo Merisi, é um dos maiores nomes da pintura mundial, tendo sido revolucionário e chocante em sua época. Nascido na Lombardia, norte da Itália, ele passou grande parte de sua vida em Roma.
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