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'Musk é extremamente perigoso para democracias', afirma diretor em Veneza

Alex Gibney produziu um documentário sobre bilionário

8 set 2026 - 17h25
(atualizado às 17h30)
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Resumo
No Festival de Veneza, o documentarista Alex Gibney afirmou que Elon Musk representa um perigo extremo para as democracias globais ao apoiar governos de direita por ideologia e interesses financeiros. Seu novo documentário investiga a trajetória do bilionário, abordando desde suas empresas até sua relação com Donald Trump. A obra retrata o empresário como um manipulador do mercado, expõe o temor generalizado de seus críticos e alerta sobre seu poder de influenciar eleições através de dados.

O documentarista americano Alex Gibney, vencedor do Oscar em 2007, declarou nesta terça-feira (8) que o bilionário Elon Musk representa um enorme perigo para as democracias ao redor do mundo.

St. Clair e Gibney posando para fotos de "Musk" no Festival Internacional de Cinema de Veneza
St. Clair e Gibney posando para fotos de "Musk" no Festival Internacional de Cinema de Veneza
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A afirmação foi feita durante a apresentação de seu novo documentário sobre o homem mais rico do mundo no Festival de Cinema de Veneza, na Itália.

Nascido em Nova York e atualmente com 72 anos, Gibney avaliou que o apoio do empresário a partidos de direita, da Alemanha à Turquia e da Grã-Bretanha ao Brasil, "está ligado à sua ideologia, mas também a razões econômicas".

"Muitos desses governos de direita tendem a ser mais maleáveis. É mais fácil obter os resultados desejados com administrações totalmente corruptas e venais, desprovidas de autocontrole e de mecanismos internos de supervisão. Acredito que ele esteja buscando uma agenda global de direita", declarou.

O documentário de três horas, exibido fora de competição, é uma narrativa estruturada em capítulos e de ritmo ágil, apesar da longa duração. A obra transita da SpaceX para a Tesla, da "legião de filhos" de Musk à sua relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de sua infância difícil, marcada pelo bullying e por um pai abusivo, à aquisição do Twitter, agora X.

O longa se baseia em uma reconstrução rigorosa, com uma vasta gama de materiais e documentos, além de dezenas de depoimentos de colegas, ex-amigos, adversários e jornalistas que investigaram Musk, como Zoe Schiffer. Muitos familiares também participaram, entre eles a primeira esposa do bilionário, Justine Wilson, seu pai, Errol Musk, e seu irmão.

A influenciadora Ashley St. Clair também desempenha um papel fundamental ao processar o fundador da SpaceX, após afirmar que ele é o pai de seu filho. A ação provocou indignação nas redes sociais, onde ela recebeu insultos e ameaças de muitos admiradores do magnata, parte do que o filme chama de "culto a Musk".

Gibney estrutura sua investigação em um cenário que remete aos videogames, incluindo um avatar de Musk, recriado com o uso bem-humorado de inteligência artificial ? cabeça grande e corpo pequeno ?, que entra na narrativa acompanhado de algumas de suas declarações mais polêmicas.

"Ao trabalhar no filme, percebi que, deixando de lado os elementos tecnológicos, a história de Musk é como vinho velho em garrafa nova. Acaba sendo a história de um vigarista, de um manipulador do mercado de ações", disse o documentarista.

St. Clair, por sua vez, afirmou que uma das coisas que mais a impressionaram, especialmente no começo, "foi o enorme medo que as pessoas tinham de se manifestar". A influenciadora e comentarista política definiu o temor como "quase um medo existencial", presente entre seus críticos, colegas de negócios e amigos.

"Para mim, foi um pouco diferente, porque me ofereceram a oportunidade de permanecer em silêncio em troca de US$ 40 milhões. Quando lhe oferecem uma quantia dessas, isso realmente faz você refletir sobre o significado do seu discurso, o valor dele e por que eles ofereceriam tal quantia para que você permanecesse em silêncio", disse.

O documentário termina com a possibilidade de que Musk possa, mais uma vez, ajudar Trump ao influenciar a votação nas eleições de meio de mandato.

"Sabemos que, durante a era do DOGE, os chamados 'Doge Boys' desfrutavam de uma espécie de status superadministrativo em todas as agências. E isso significava que eles tinham acesso a uma quantidade extraordinária de dados sobre todos os cidadãos americanos. Transferir esses dados seria tão simples, pelo que entendo, quanto mover um arquivo para uma pasta", enfatizou Gibney. .

Ansa - Brasil
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