Em cartaz com peça, Cristiana Oliveira lembra fase "gordinha": sofri preconceito
"É um preconceito real. Eu fui muito gorda, sofri preconceito, minha filha é gordinha. As pessoas são muito cruéis", disse
Após quase oito anos longe dos palcos, Cristiana Oliveira estreou nessa quinta-feira (17) a peça Feliz por Nada, baseada no livro de Martha Medeiros. Contente com o retorno ao teatro - esta é a quinta peça de que a atriz participa -, ela acredita que o papel veio no momento certo.
"Fiquei adormecida no sentido do palco propriamente dito, mas não como atriz. Acho que esse convite veio na hora certa, estou mais madura", afirma Cristiana, que diz ser fã de Martha Medeiros há anos. "Cheguei a fazer uma leitura do texto do Divã, da Martha, mas na época tinha apenas 35 anos, a personagem tinha 50, não era a hora", explica.
Durante o tempo que passou afastada dos espetáculos, a atriz participou de diversas novelas globais, como Insensato Coração (2011). Para interpretar a presidiária violenta Araci na trama de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, Cristiana optou por engordar e chegou a ser parada na rua por pessoas que não aceitavam a sua decisão. "Apesar da personagem ter sido muito elogiada, chamou muito mais atenção o fato de eu ter engordado, fui muito criticada. Tinha gente que me parava na rua para dizer, 'você é louca, por que está fazendo isso?'. Como se engordar fosse uma afronta", lembra.
Mas os quilos a mais não foram novidade na vida da artista. Ela chegou a pesar mais de 100 kg na adolescência e afirma que o preconceito enfrentado pela personagem Perséfone (Fabiana Karla), no folhetim Amor à Vida, de Walcyr Carrasco, faz parte da realidade de quem tem sobrepeso.
"Entendo por que o Walcyr tem acentuado essa questão. É um preconceito real. Eu fui muito gorda, sofri preconceito, minha filha é gordinha. As pessoas são muito cruéis, principalmente aquelas que se escondem atrás de identidades anônimas na internet", diz.
Cristiana, no entanto, não defende a magreza extrema. Segundo ela, a questão não é o peso, mas a saúde da pessoa. "É uma questão de saúde, não de estética. Não me incomoda ver uma pessoa com excesso de peso que tem todos os exames, todos os níveis, em equilíbrio. Se a pessoa tem um sobrepeso, mas está com os exames ok, faz seu exercício, está bem, tem que se aceitar como é", afirma.
Ex-gordinha, ela diz que o problema é quando o peso passa a atrapalhar a saúde. "O excesso de peso não é saudável. Você com 40, 60 kg a mais afeta a sua saúde. Nesse aspecto de saúde, eu sou contra. Não é ser magro, é ser saudável. A magreza demais também faz mal", explica.
Serviço
O espetáculo Feliz por Nada tem sessões às quintas, sextas e sábados, às 19h, e aos domingos, às 18h, no Teatro das Artes, localizado no Shopping da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro. "Estou apaixonada por teatro. A TV, por contrato, é a minha prioridade, vamos ver o que acontece. As pessoas me conhecem muito pouco no palco. Acho que agora, com essa peça, vão passar a ver mais esse lado meu", afirma Cristiana Oliveira.
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