Balé de “I Love Paraisópolis” busca inspiração na vida real

A atriz Françoise Forton vive Isolda, inspirada na professora Monica Tarragó que dá aulas em projeto social para crianças da comunidade

2 jun 2015
09h01
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Vivida pela atriz Françoise Forton em “I Love Paraisópolis”, Isolda tem muitas semelhanças com a vida real de Monica Tarragó, professora do projeto social Ballet Paraisópolis. “Ela é nossa grande inspiradora”, reconhece a atriz, lembrando que ela e os autores observaram toda a rotina de Monica. “Sempre acreditei que a arte educa, forma e transforma”, declara Françoise que faz balé desde os 12 anos de idade e deu uma reforçada nas aulas de técnica clássica para viver a personagem da novela da Globo das 19h.

Françoise Forton e Monica Tarragó entre integrantes do projeto Ballet Paraisópolis: unidas pela dança e por melhorias sociais
Françoise Forton e Monica Tarragó entre integrantes do projeto Ballet Paraisópolis: unidas pela dança e por melhorias sociais
Foto: Arquivo Pessoal

Monica recebeu Françoise na sede do projeto onde dá aulas de balé a 300 crianças e adolescentes, dos quais dez são meninos. Conversaram bastante. “Ela conhece as dificuldades”, diz Monica. E Françoise retribui. “Vou fazer o possível para que Isolda seja uma veia de alerta para as crianças e para os jovens serem chamados para a arte em geral”.

A trajetória de Monica até se tornar personagem de novela global também rende um bom filme. Depois de atuar como bailarina, dançando com Ivonice Satie, Ana Maria Mondine e Clarisse Abujamra, ela passou uma temporada trabalhando e estudando na Itália, Rússia e EUA. De volta ao Brasil, iniciou um projeto social na região de Interlagos, em 2001. “Fazia tudo sozinha. Não tinha patrocínio e percebi que precisava me organizar. Foi quando tive a ideia de falar com o Gilson Rodrigues”, conta ela. Rodrigues é o presidente da União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, comunidade da Zona Sul de São Paulo com mais de 100 mil habitantes.

Em 2012, depois de dois anos, conseguiram formatar um projeto e levantar a verba, mas faltavam crianças interessadas. “No início, foi muito difícil. Levei quase um ano para conseguir atingir nossa meta de 100 crianças”, relembra a professora. Hoje, há uma lista de espera com cerca de 800 nomes. “Isto porque só permito que se inscrevam maiores de sete anos”, destaca.

Françoise acredita que Isolda será uma professora rígida, mas atenta ao papel social que desempenha. “A Monica deixou tudo na vida por uma causa que ela acredita: formar as crianças de Paraisópolis. E para isso tem que ser exigente. Mas, ela tem um amor danado”, complementa a atriz, observando ainda o esforço das mães para que os filhos permaneçam no projeto.

“Eu amo Paraisópolis mesmo. Com letras maiúsculas”, diz Monica mostrando sua satisfação e felicidade por ver o projeto que dirige e a dança sendo divulgados para uma grande audiência. “Primeiro, é preciso amar o que se faz. Depois, amar a comunidade”, explica ela, compartilhando a fórmula do seu sucesso.

“A trama desta novela não é fácil. Acho que o exemplo da Monica pode nos ajudar e nós podemos ajudá-la. Estamos unidas. A função da novela, das artes em geral, é espelhar a vida”, conclui Françoise contando que sua preocupação vai além das telas. “Sempre ofereci bolsas para pessoas que não tivessem condições em meus cursos”.

Monica, que começou a dar aulas aos 17 anos, espera que sua atuação inspiradora junto ao projeto Ballet Paraisópolis possa mostrar que o que falta a crianças e jovens de comunidades populares é oportunidade. 

Aos 50 anos, ela passa a manhã e a tarde dedicada às aulas e usa suas noites para ler e escrever. “Meu envolvimento com a comunidade é total. Passo de domingo a domingo lá. Participo de diversas atividades”. Mas, agora ela arranja um tempinho para ver TV. “Com certeza, esta novela vai ser a mais acompanhada por mim”, confessa.

 

Fonte: Cross Content
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