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'Bohemian Rapsody': versão exibida na China corta cenas de Freddie Mercury gay e com HIV

Longa-metragem que venceu quatro Oscar, além de ter sido indicado para Melhor Filme, foi lançado no país asiático com cortes de cenas ou de sequências inteiras.

25 mar 2019
15h52
atualizado às 17h05
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O filme sobre Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody (2018), foi lançado na China na sexta-feira, mas com censura a trechos que fazem referência à homossexualidade do cantor da banda Queen e ao seu diagnóstico de HIV.

Vários minutos de 'Bohemian Rapsody' foram cortados, incluindo cenas em que homens se beijam e em que a palavra 'gay' é pronunciada
Vários minutos de 'Bohemian Rapsody' foram cortados, incluindo cenas em que homens se beijam e em que a palavra 'gay' é pronunciada
Foto: 20th Century Fox/New Regency / BBC News Brasil

Vários minutos do longa foram cortados, incluindo cenas em que dois homens se beijam e em que a palavra "gay" é pronunciada.

Na internet, houve uma grande reação ao lançamento do filme no país asiático. Mais de 50 mil usuários publicaram resenhas no Sina Weibo, equivalente ao Twitter no país e uma das redes sociais mais populares entre os chineses.

Embora alguns usuários tenham se queixado de "assistir ao filme pela metade e ter de adivinhar" o que acontecia na tela por causa das cenas eliminadas, outros se disseram satisfeitos pelo fato de o filme ter sido lançado no país.

O que foi cortado?

Na versão chinesa do filme, várias cenas foram alteradas ou excluídas. Referências explícitas ou implícitas à sexualidade de Mercury foram cortadas, incluindo uma cena importante em que ele sai do armário para sua então namorada.

Outras cenas removidas incluem um close-up da virilha de Mercury enquanto ele se apresenta, interações com seu companheiro Jim Hutton e toda a sequência em que o personagem e seus colegas de tela recriam o icônico videoclipe do Queen de 1984 para o single I Want to Break Free, em que os músicos se vestem com roupas femininas.

Qual foi a reação?

Milhares de chineses têm compartilhado pelas redes sociais avaliações do filme. A maioria é positiva — no Sina Weibo, por exemplo, 80% deram a nota máxima, cinco estrelas.

Mas também houve críticas às alterações. "Teria sido melhor se cenas não tivessem sido eliminadas", escreveu um usuário na rede social. "Por que é necessário excluir o conteúdo relacionado a gays? A vida de uma pessoa não deve ser completa?"

Outro usuário disse ser "muito bom que Bohemian Rhapsody esteja sendo exibido na China". "Mas o enredo foi comprometido por causa de cenas apagadas."

Por que foi censurado?

Relações homossexuais são legalizadas na China há mais de duas décadas, e a Sociedade Chinesa de Psiquiatria removeu a homossexualidade da classificação de transtornos mentais do país em 2001. Mas a censura ao filme foi amplamente antecipada.

Nos últimos anos, autoridades chinesas iniciaram uma campanha contra qualquer conteúdo considerado "inapropriado". Referências explícitas a relações entre pessoas do mesmo sexo são proibidas. Conteúdos gays são frequentemente removidos ou censurados pela mídia chinesa, para seguir as regras impostas pelo governo.

Em fevereiro, a cobertura do Oscar pela emissora Mango TV foi duramente criticada por alterar uma referência à homossexualidade no discurso de Rami Malek, que interpreta Freddie Mercury, ao receber o prêmio de melhor ator. A mesma emissora foi alvo de protestos em 2018 por censurar bandeiras do arco-íris, símbolo do movimento LGBTI, e tatuagens em sua transmissão do concurso musical Eurovision.

No início deste ano, o serviço de streaming iQiyi foi ridicularizado por borrar as orelhas de atores que usavam brincos, o que foi interpretado como uma tentativa de perpetuar os papéis de gênero "tradicionais".

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