Antes da morte, fisiculturista Gabriel Ganley ganhou 20 kg em dois dias: 'Missão concluída'
Influenciador fitness de 22 anos sofreu morte súbita no último sábado (23); atestado detalha rigidez no miocárdio e acende debate sobre o uso de hormônios e insulina
O Instituto Médico Legal (IML) liberou, nesta terça-feira (26), o laudo oficial detalhando as causas que levaram à morte precoce do jovem fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de apenas 22 anos. O atleta foi encontrado sem vida em sua residência no último sábado (23).
De acordo com o atestado de óbito emitido pelos peritos criminais, Gabriel foi vítima de uma morte súbita provocada por uma cardiomiopatia hipertrófica. A patologia identificada no coração do criador de conteúdo consiste em uma alteração anatômica severa, na qual as paredes do músculo cardíaco (miocárdio) tornam-se anormalmente espessas, volumosas e rígidas.
Essa hipertrofia patológica reduz o espaço interno das câmaras cardíacas e sabota a elasticidade do órgão, dificultando drasticamente a fase de relaxamento do coração e o bombeamento adequado de sangue e oxigênio para o restante do organismo.
Embora a condição possua um forte componente genético e hereditário, a comunidade médica alerta que o quadro de hipertrofia celular pode ser acelerado e severamente agravado pelo uso crônico de substâncias ergogênicas e hormônios esteroides anabolizantes.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso segue sob investigação da Polícia Civil, que aguarda exames toxicológicos complementares. Em seus perfis oficiais, Gabriel falava abertamente com seus mais de 1,5 milhão de seguidores sobre a autoadministração de hormônios sintéticos e insulina com metas puramente estéticas para a categoria Men's Physique.
Compulsão rebote: Ganho de 20 kg em 48 horas
A trágica morte do influenciador trouxe de volta aos holofotes os alertas de saúde que o próprio jovem havia acendido na internet meses atrás. Conhecido por documentar os bastidores extremos do fisiculturismo, Gabriel chocou o público no ano passado ao relatar um severo episódio de descontrole e compulsão alimentar após passar por uma preparação exaustiva de 24 semanas para um campeonato de fisiculturismo.
O gatilho psicológico disparou logo após descer dos palcos, durante uma viagem de férias para os Estados Unidos. O atleta explicou que, após passar meses sob restrição calórica severa e passar pelo processo de "carb up" (superdosagem de carboidratos para inflar o músculo antes do show), sua mente interpretou o fim do torneio como uma "missão concluída", desencadeando um efeito rebote avassalador.
"Eu comecei a comer e fui comendo desesperadamente", desabafou o atleta em uma live.
Na ocasião, Ganley revelou ter consumido, em uma única janela de descontrole, nove caixas inteiras de barras de proteína, pacotes de cookies, biscoitos de arroz banhados em xarope de bordo e diversos potes de pasta de amendoim. O consumo massivo de sódio, açúcar e água fez o atleta ganhar 20 quilos em apenas dois dias, gerando um quadro inflamatório e um edema agudo que deformou temporariamente suas linhas musculares.
Efeito sanfona na balança
A gangorra metabólica e a oscilação drástica de peso tornaram-se rotina na vida do jovem nos últimos meses. Em junho de 2025, Gabriel dividiu com os internautas que seu peso ideal de competição flutuava na casa dos 84 kg a 86 kg, marca que ele tentava segurar adotando o chamado "jejum sem filtro", jargão do meio maromba para descrever protocolos agressivos de privação alimentar pós-competição.
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