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Tecnologia apresenta novos horizontes para jovens da Maré

Com apoio de ONG, jovens mostraram em torneio de robótica que têm potencial. Especialistas apostam na região para atender a demanda do merca

14 jan 2022 08h16
| atualizado às 15h12
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Aula on-line Redes da Maré
Aula on-line Redes da Maré
Foto: Divulgação / ANF

Em 2021, a Organização sem fins lucrativos (ONG) Redes da Maré, que realiza trabalhos voltados para os moradores do Complexo da Maré, comemorou os frutos dos cursos de desenvolvimento tecnológico na região, em parceria com o Colégio Estadual João Borges de Moraes, localizado na Nova Holanda, desenvolveu um projeto de robótica, com um grupo de nove jovens, que foi premiado em 1° lugar no Torneio Brasil de Robótica em Iniciação Científica.

Segundo Kelly Marques, coordenadora do eixo de educação da ONG, também finalizaram turmas de Programação e de Programação Web, na modalidade remota, em parceria com o Departamento de Extensão do CEFET (Centro Federal de Educação Tecnológica), nos módulos inicial e Intermediário, e concluíram uma turma de Programação Front-End. A instituição também contou com cursos de Introdução ao Mundo Digital, Manutenção de Smartphones e formação profissional em Informática.

Aulas presenciais de programação front-end
Aulas presenciais de programação front-end
Foto: Patrick Marinho / ANF

“Todos os nossos cursos são divulgados nas redes sociais da ONG: Site, Facebook e Instagram. Em 2021 foram em formato remoto, exceto o de Programação Front-End, que foi presencial, na sede da Redes da Maré. Para 2022, estamos organizando, mas, provavelmente, continuaremos com Introdução ao Mundo Digital, Programação, Manutenção de Smartphones e Robótica”, conclui Kelly.

Investimento em tecnologia gera oportunidades para a favela

O estudo "Coronavírus nas favelas: a desigualdade e o racismo sem máscaras", realizado pelo coletivo Movimento, mostrou que 54% dos moradores das favelas do Alemão, Cidade de Deus e Complexo da Maré, perderam o emprego por causa da pandemia. A pesquisa teve 955 participantes, sendo que, a maioria, se declarou preta ou parda, totalizando 78% dos entrevistados.

A equipe da Agência de Notícias das Favelas conversou com Ana Minuto, especialista em diversidade e inclusão e cocriadora do evento Potências Negras. Minuto aponta que a tecnologia pode transformar a favela: “quando a comunidade se apropria da tecnologia, também se apropria do poder de transformar. A Maré pode se tornar o maior polo de tecnologia do mundo. Se nós não nos apropriarmos dela, seremos cada vez mais excluídos e o que vai nos sobrar, como sempre, é o subemprego.”

Redes da Maré
Redes da Maré
Foto: Divulgação / ANF

Segundo a especialista, apropriando-se do conhecimento tecnológico, a comunidade e, em destaque, as pessoas negras, conseguirão estabilidade financeira, o que, para elas, além das questões monetárias, significa a chance de colocar em prática diferenciais como a inovação e a criatividade.

Os futuros profissionais para atender a demanda tecnológica estão na Maré

O estudo “Demanda de Talentos em TIC e Estratégia ΣTCEM”, publicado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) em dezembro do ano passado, mostrou que o Brasil forma, por ano, cerca de 53 mil pessoas em cursos de tecnologia. De acordo com a pesquisa, em 5 anos o país terá um crescimento da demanda de formação de 159 mil novos talentos para atender a necessidade do mercado, que precisa cada vez mais de profissionais para trabalhar na área.

Bismarck Velez, 31 anos, que é morador da Vila do Pinheiro, no Complexo da Maré, e formado em Tecnologia da Informação pela Unissuam, acredita que a região tem potencial para oferecer mão de obra qualificada para as demandas do mercado. Pelo que ele observa na região que vive, se a favela puder contar com mais investimento, onde jovens e idosos possam aprender, pode-se encontrar profissionais de qualidade para preencher as vagas abertas e também as que irão surgir.

“É isso que está faltando para a favela: um investimento em projetos de qualificação em tecnologia, em um lugar onde a pessoa possa aprender uma profissão, podemos encontrar um novo Bill Gates, Elon Musk ou um Mark Zuckerberg. Pessoas que só precisam da orientação certa para chegar lá”, aponta Velez.

Para ele, a favela ainda enfrenta uma carência de investimentos na área para mostrar que a internet serve para outras coisas além do lazer. Segundo o especialista, com um computador simples é possível ensinar a criar sites, programas de computador, aplicativos de celular, ou mesmo trabalhar com armazenamento de dados e segurança da informação.

Bismarck Velez: "a favela precisa de investimento em tecnologia. Podemos encontrar um novo Bill Gates, Elon Musk ou um Mark Zuckerberg"
Bismarck Velez: "a favela precisa de investimento em tecnologia. Podemos encontrar um novo Bill Gates, Elon Musk ou um Mark Zuckerberg"
Foto: Bismarck Velez / ANF

 

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