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Exclusão digital agrava problemas sociais nas favelas do Rio

A falta de acesso à internet agrava processo de vulnerabilidade das famílias que vivem em favelas

29 dez 2021 10h10
| atualizado às 10h11
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Joyce com os filhos, Lucas e Gabriel, que agora enfrentam dificuldades com os estudos presenciais, após aulas online
Joyce com os filhos, Lucas e Gabriel, que agora enfrentam dificuldades com os estudos presenciais, após aulas online
Foto: Ana Maria Cardoso / ANF

A era digital nos trouxe inúmeras facilidades: acessar notícias, pagar contas e até trabalhar remotamente, ficou mais fácil com a expansão da internet. Por outro lado, quem não tem acesso a esse serviço, se vê em um imenso abismo social.

Desde 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) declara que o acesso à internet é um direito fundamental. A conectividade é essencial para o exercício da cidadania em nosso país pois, através dela, temos acesso à informação e conhecimento.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 19,3 milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza e, quando o assunto é conectividade, os números são ainda piores: mais de 30 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet.

O empobrecimento de muitas famílias que já sofriam com a carência econômica levou muita gente a perder o acesso a direitos básicos como o próprio acesso à internet. Esse foi o caso de Joyce Oliveira, moradora do Morro do Adeus, favela carioca localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Mãe solo de dois meninos, Lucas e Gabriel, de 10 e 12 anos, respectivamente, ela paga aluguel e conta que, atualmente, o único ponto de acesso à internet na casa onde mora é seu celular pré-pago. Após ser dispensada do emprego, no início da pandemia, Joyce se viu obrigada a cancelar a internet fixa que tinha em casa por conta das dificuldades financeiras.

O problema se agravou quando seus filhos começaram a ter aulas online e o aprendizado ficou comprometido. “Assistir as aulas pelo celular atrapalhou demais o estudo dos meninos e eles perderam o interesse em estudar. Mesmo agora, com a volta para a escola, meus filhos sentem muita dificuldade em continuar porque não aprenderam bem as coisas nas aulas online”, relata.

O caso de Joyce se assemelha ao de milhões de famílias por todo o país. Há relatos de muitos jovens que tiveram que largar os estudos porque não tinham a estrutura necessária para acompanhar as aulas online.

José Augusto, 83 anos, conta que um de seus netos precisou abandonar o segundo ano do ensino médio porque não tinha computador e nem internet em casa para acompanhar as aulas. “É triste porque todo emprego pede, no mínimo, o ensino médio - antigo segundo grau - completo e meu neto não consegue trabalho. Hoje ele faz ‘bicos’ para ajudar em casa”

Seu José Augusto conta que um de seus netos precisou abandonar o segundo ano do ensino médio porque não tinha computador e nem internet em casa para acompanhar as aulas
Seu José Augusto conta que um de seus netos precisou abandonar o segundo ano do ensino médio porque não tinha computador e nem internet em casa para acompanhar as aulas
Foto: Talita Almeida / ANF

As dificuldades acarretadas pela exclusão digital tornam o acesso à informação mais precário e deixa boa parte da população brasileira vulnerável à informações errôneas pela falta de conhecimento.

Hoje no Brasil existem provedores de redes comunitárias que levam acesso à internet e que, aos poucos, estão ajudando a superar parte do problema da exclusão digital. Entretanto, um grande obstáculo que esses pequenos e médios fornecedores enfrentam são as grandes operadoras de rede que querem manter o controle do mercado.

Infelizmente, garantir o acesso à internet de qualidade para as famílias moradoras de favelas é um longo caminho a ser percorrido. Para que se torne viável, o governo tem um papel muito importante a desempenhar, implementando marcos regulatórios que, de fato, garantam que a internet seja um direito de todos.

 

ANF
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