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Jovem vende trufas no trem para tentar conquistar UFC

Julia Polastri é moradora da Baixada Fluminense e sonha em ganhar cinturão de MMA

25 abr 2022 12h45
| atualizado às 16h25
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Com 24 anos, Julia levantou seu primeiro cinturão em competição no Rio de Janeiro
Com 24 anos, Julia levantou seu primeiro cinturão em competição no Rio de Janeiro
Foto: Arquivo pessoal de Julia Polastri

Tendo uma infância tranquila, mas fugindo das brincadeiras tradicionais, a carioca Julia Polastri, atleta profissional de MMA, começou sua trajetória no mundo das lutas esportivas quando tinha 5 anos de idade e chegou a conquistar duas cordas de graduação na capoeira. Já na adolescência, aos 17 anos, a atleta engrenou no mundo do muay thai - inicialmente por diversão - e depois de um ano e meio de muita dedicação teve sua primeira vitória profissional. Após a consagração, Júlia ainda participou de mais oito competições até chegar ao MMA.

O que nunca foi um sonho se tornou algo que fez a jovem de 24 anos mergulhar de cabeça no esporte. Com a nova rotina de treinos e dietas intensas, Julia Polastri decidiu vender trufas de chocolate no trem para arcar com os gastos extras.

Mesmo morando com os avós e recebendo ajuda deles, ela correu atrás de uma renda financeira que pudesse arcar com as novas despesas que surgiram. As trufas com sabores variados, feitas pela própria Julia, custam R$ 2,00 a unidade ou três por R$ 5,00. As vendas geralmente acontecem toda sexta-feira e sábado, no ramal do trem de Gramacho.

Há 4 anos se comunicando com passageiros na linha do trem, Julia lembra: "eu comecei a vender um pouco de trufas no trem só para fazer um dinheiro e conseguir comprar mais frango ou suplemento que eu precisava. Conforme foi passando o tempo, a minha responsabilidade nos treinos foi aumentando e consequentemente aumentou a produção de trufas. Hoje em dia ainda vendo, fico lá [na estação de trem] das 9h às 14h para não atrapalhar minha rotina de treinos."

Golpes bem articulados são as marcas da atleta do MMA
Golpes bem articulados são as marcas da atleta do MMA
Foto: Arquivo pessoal de Julia Polastri

O treinamento disciplinado é feito na academia que pertence a Douglas Bastos, marido e treinador de Julia, localizada no bairro Sarapuí, em Duque de Caxias. São realizadas de quatro a cinco sessões com média de uma hora e meia de duração, contabilizando oito horas por dia em horários flexíveis, sem ser exercícios repetitivos para garantir a qualidade física da profissional.

Mas hoje, o maior desafio para continuar no mundo das artes marciais é a falta de patrocínio. A atleta de MMA conta com parcerias locais: JGT Auto Peças, Mini Mercado Ofertão do Pilar, que envia uma caixa de ovos por mês, Jô Coiffeur cuidando da parte estética e a Clínica Rio Quiropraxia para evitar alguma futura lesão de Julia.

"Eu já cansei de chegar em várias empresas. Se eu não recebia um 'não' logo de cara, eu ouvia: 'olha, a gente entra em contato' e eu nunca mais ouvia a empresa. Então isso é o mais crucial para o atleta, porque a gente acaba entendendo que o MMA aqui [no Brasil] não é tão popular. E os eventos nacionais não conseguem pagar uma bolsa… O pior de tudo é a falta de patrocínio, e também muitas pessoas com quem eu falo não gostam por eu ser mulher e acham o MMA um esporte muito agressivo", garante.

Focada e disciplinada, a jovem treina diariamente em busca dos prêmios
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Foto: Arquivo pessoal de Julia Polastri

Luta e paz

Por ser mulher, jovem e adepta dos esportes de grande impacto físico, Julia Polastri já se deparou com vários questionamentos desde o início de sua carreira. Tentando vencer essa barreira imposta na sociedade para muitas mulheres que estão nos ringues, ela destaca qual o sentimento diante dos preconceitos: "tem um ponto muito importante para o atleta que é a parte psicológica. As pessoas acham que é só você treinar que é atleta e pronto. Na luta, ou em qualquer outro esporte, você é 70% mente e 30% corpo, onde a sua cabeça vai o seu corpo segue."

Julia ainda ressalta a importância do acompanhamento psicológico para os atletas. "Eu faço acompanhamento psicológico e evolui muito nos meus treinos e até pessoalmente. É crucial, algo que muita gente não sabe ou não dá muita bola para o psicológico do atleta… Não adianta você chegar e jogar seu corpo na exaustão, não é o suficiente. A cabeça, se ela não tiver boa, nada vai dar certo", garante.

Para o futuro, Julia Polastri sonha em ser campeã mundial do UFC através da categoria peso palha, que é de até 52,2 quilos. A atual dona do cinturão é Rose Namajunas, a norte-americana que contabiliza 14 lutas na carreira, com 10 vitórias: sendo duas por nocaute e cinco finalizações. Julia também não fica atrás: levou o importante cinturão do Shooto Brasil na categoria peso palha. O evento foi realizado em 2019, na Arena Upper, no Flamengo, zona norte carioca. 

Com sorriso no rosto, Julia Polastri é admirada por meninas que querem ser lutadoras profissionais
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Foto: Arquivo pessoal de Julia Polastri

 

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