Setembro Dourado: mês de combate aos cânceres infantojuvenis marca avanços na prevenção e no tratamento
Em vários países, as campanhas do Setembro Dourado conscientizam a população sobre os tumores malignos infantis. Na França, novos programas em hospitais buscam aprimorar tratamentos e melhorar a prevenção de cânceres graves.
A campanha Setembro Dourado financia pesquisas contra o câncer infantojuvenil, principal causa de morte por doença após um ano de idade, apesar de ter cura superior a 80%. O instituto francês Gustave Roussy lidera inovações que incluem programas de prevenção de recidivas, estudos moleculares e terapias inovadoras, como o uso do rituximabe para linfomas. A iniciativa foca em biópsias avançadas, maior sobrevida para tumores graves e o mapeamento genético de predisposições hereditárias.
Taíssa Stivanin, da RFI em Paris
Lançada nos Estados Unidos em 2012, a campanha Setembro Dourado contribui para o financiamento de pesquisas sobre cânceres pediátricos. Os avanços científicos permitem atualmente a cura de mais de 80% dos casos de câncer nessa faixa etária, mas o câncer continua sendo a principal causa de morte por doença entre pessoas com mais de um ano de idade, com cerca de 500 óbitos registrados anualmente na França.
Essa taxa de cura não é homogênea e depende da gravidade da doença, explicou a chefe do departamento de oncologia infantil do instituto francês Gustave Roussy, Christelle Dufour, durante entrevista coletiva. O hospital, situado em Villejuif, perto de Paris, é o maior centro de combate à doença da Europa e promove a pesquisa aplicada, que permite testar novas moléculas e tratamentos inovadores.
Uma das principais missões da equipe, ressalta Christelle, é obter um número cada vez maior de remissões e proporcionar conforto às crianças e aos adolescentes que lutam para superar o câncer. No hospital, a equipe busca oferecer estrutura e condições para que os pacientes possam ter um cotidiano o mais próximo possível do normal, incluindo aulas e outras atividades.
Durante o acompanhamento, a prioridade é evitar o aparecimento de um segundo câncer. Para atingir essa meta, o hospital francês tem um programa específico, conhecido como Interception, dedicado à prevenção e ao rastreamento de pacientes que correm maior risco de recidiva. "Este programa também é dedicado a jovens adultos e adultos tratados na infância. Os pacientes passam por um rastreamento de sequelas, e os profissionais avaliam a implementação de eventuais tratamentos", declara.
Opções terapêuticas
As opções terapêuticas, observa, também são mais diversificadas quando é possível integrar ao tratamento as pesquisas conduzidas por cientistas dentro do próprio hospital. Muitos pacientes podem participar de ensaios clínicos e ter acesso a moléculas inovadoras. Um exemplo é o programa BIOMEDE, dedicado a crianças com um tipo de tumor maligno do tronco cerebral, que hoje se beneficiam de um tratamento capaz de aumentar a sobrevida.
"Há alguns anos, quando recebíamos essas crianças em consulta, o prognóstico era muito ruim, com uma taxa de sobrevida de cerca de um ano. Hoje, isso mudou porque conhecemos melhor essa patologia. Graças a esse programa, passamos a conseguir realizar biópsias", explica. "O tronco cerebral é uma estrutura inacessível para cirurgia, e a realização de uma biópsia era, até então, delicada. Ela permite confirmar o diagnóstico, identificar biologias distintas e, consequentemente, podemos propor tratamentos diferenciados. Em particular, foi possível validar um tratamento chamado everolimo associado à radioterapia, que permite a alguns pacientes ter uma sobrevida muito mais longa."
Novos programas
O financiamento obtido durante as campanhas Setembro Dourado também permitiu o desenvolvimento do Observatório Nacional das Síndromes de Predisposição aos Cânceres Pediátricos. O setor é coordenado pelo Gustave Roussy, pelo Instituto Curie, em Paris, e pelo Hospital Universitário de Rouen, três referências internacionais no tratamento da doença.
Reunindo mais de 20 centros e laboratórios de oncologia pediátrica na França, o observatório coleta e analisa dados clínicos e genéticos de crianças portadoras de predisposição hereditária ao câncer. O objetivo é compreender melhor essas doenças raras, aprimorar o aconselhamento genético às famílias e desenvolver estratégias de monitoramento e prevenção mais adequadas.
O perfil molecular dos tumores malignos em cada paciente também é uma prioridade no manejo da doença. "Os tumores de crianças e adolescentes não são os mesmos que os dos adultos. A biologia não é a mesma. Hoje, uma biópsia é feita no momento do diagnóstico ou, sobretudo, na recidiva. É possível obter o diagnóstico. Pode ser um meduloblastoma, um neuroblastoma ou um tumor de Ewing", diz a oncologista.
"Para tentar entender a biologia do tumor daquele paciente e encontrar alvos terapêuticos, é preciso ir um pouco mais longe. Uma vez identificados esses alvos terapêuticos, se houver um medicamento direcionado a essa anomalia disponível, podemos propor esse novo tratamento ao paciente."
Imunoterapia
Em relação à imunoterapia, que revolucionou o tratamento de alguns tumores malignos em adultos, o uso em crianças ainda é limitado. Mas o hospital francês busca expandir essa opção em ensaios clínicos.
Em 2020, um estudo coordenado pela médica Véronique Minard-Colin, especialista em cânceres pediátricos, mostrou que a adição do rituximabe à quimioterapia aumentava as chances de cura de crianças e adolescentes com linfomas B avançados. A doença se desenvolve nos linfócitos B, células do sistema imunológico responsáveis por produzir anticorpos e ajudar o organismo a combater infecções. Os resultados, publicados no New England Journal of Medicine, levaram à adoção de um novo padrão internacional de tratamento.
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