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Segurança Digital

Brasileiro consegue invadir e hackear sistema da Nasa (mas foi por um bom motivo)

Kadu Zambelli pratica modalidade legal de hacking, o bug bounty, que colabora com segurança digital

26 jan 2026 - 04h59
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Resumo
Kadu Zambelli, especialista brasileiro em cibersegurança, recebeu uma carta de reconhecimento da Nasa ao identificar falhas em seu sistema por meio de hacking ético, destacando a importância do bug bounty e reforçando o potencial dos profissionais brasileiros na área.
Kadu Zambelli pratica modalidade legal de hacking, o bug bounty, que colabora com segurança digital
Kadu Zambelli pratica modalidade legal de hacking, o bug bounty, que colabora com segurança digital
Foto: Arquivo pessoal/Kadu Zambelli

Durante meses, enquanto a maioria das pessoas encerrava o dia longe do computador e de relatórios, Carlos Eduardo Zambelli Aloi continuava diante da tela, analisando dados, cruzando informações e fazendo testes. Conhecido como Kadu Zambelli, o especialista brasileiro em cibersegurança tinha um objetivo claro: encontrar uma falha real e hackear os sistemas da Nasa.

A ideia não era se aproveitar do problema, e, sim, alertar a empresa sobre ele. Quando conseguiu, veio o reconhecimento oficial da agência espacial americana em uma carta que poucos pesquisadores no mundo recebem.

Interesse

Aos 38 anos, Kadu acumula mais de duas décadas de experiência em tecnologia e segurança. O interesse começou cedo, ainda na adolescência, quando ajudava o pai a montar computadores e passou a se interessar menos pelo hardware e mais pela configuração e pela lógica por trás das redes. “Ele montava e eu configurava”, lembra. Foi nesse processo que surgiram as primeiras perguntas sobre invasões, falhas e segurança, uma curiosidade que, anos depois, se transformaria em profissão.

Aos 38 anos, Kadu acumula mais de duas décadas de experiência em tecnologia
Aos 38 anos, Kadu acumula mais de duas décadas de experiência em tecnologia
Foto: Reprodução/Instagram/@_kaduzambelli

Hoje, Kadu atua como especialista em cibersegurança ofensiva e participa de programas de bug bounty, um modelo legalizado que é incentivado por grandes empresas e instituições para testar a segurança de seus sistemas.

Nesse tipo de programa, organizações autorizam pesquisadores independentes a procurar vulnerabilidades em aplicações específicas. Quando uma falha inédita e relevante é encontrada, o pesquisador é reconhecido, e pode até ser remunerado. “Tudo que eu faço, eu tenho permissão legal para fazer”, explica. “O que separa o hacking ético de um crime é a permissão”.

Invadindo o sistema da Nasa

A escolha da Nasa não foi por acaso. Além do peso simbólico da agência, Kadu descobriu que é oferecida uma carta formal de reconhecimento, a chamada Letter of Recognition (LOR) para pesquisadores que encontram vulnerabilidades no sistema.

“Eu olhei a carta e falei: eu quero ela”, conta. O processo foi longo e desgastante, com cerca de seis meses conciliando trabalho, estudos, vida pessoal e noites mal dormidas, explorando um sistema que já havia sido testado exaustivamente por equipes internas e outros pesquisadores pelo mundo.

Quando finalmente identificou as falhas, a reação foi de euforia. “É uma mistura de alegria, ansiedade, responsabilidade”, diz. Antes de comemorar, Kadu precisou montar relatórios técnicos detalhados, passar pela triagem do programa e torcer para que ninguém tivesse encontrado o mesmo problema antes.

Só depois da validação oficial da Nasa veio o alívio e o reconhecimento. Kadu localizou falhas classificadas como P2 e P3, níveis considerados relevantes, incluindo acesso indevido a arquivos de pesquisa, senhas e informações internas da infraestrutura.

Hacking ético

“Foi uma forma de mostrar que eu posso, que eu consigo, que valeu a pena”, afirma. Para ele, o episódio também ajuda a desconstruir o estereótipo do hacker como figura marginalizada.

“Hoje, é uma profissão. Tem gente que sustenta a família fazendo isso dentro da legalidade”, conta. Kadu publicou a carta que recebeu da Nasa reconhecendo seu trabalho, e teve o desejo de incentivar talentos brasileiros na área.

“Nós temos profissionais gigantescos aqui. O Brasil é uma força muito grande em cibersegurança", avalia.

Fonte: Portal Terra
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