Praias na Florida recebem toneladas de algas e intrigam cientistas
Pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida estimaram recentemente que a proliferação de algas pesava 13 milhões de toneladas
Um cinturão de oito quilômetros de algas invadiu as praias da Flórida, nos Estados Unidos. Também conhecida como sargaço, a alga marinha marrom se concentra na parte rasa do mar e invade as areias de Miami e Fort Lauderdale.
A alga faz parte do ecossistema marinho e é importante para a alimentação de tartarugas, peixes, mamíferos marinhos e aves. O fenômeno costuma ocorrer do Golfo do México ao Atlântico Norte, e é uma preocupação para os turistas, especialmente quando visitam os badalados resorts de Cancún.
Na Flórida, as algas acendem um alerta aos cientistas, que prevêem um grande impacto na costa do estado norte-americano este ano.
Pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida estimaram recentemente que a proliferação de algas pesava 13 milhões de toneladas e ainda estava crescendo.
Em entrevista à NBC, o professor assistente da Universidade do Sul da Flórida Brian Barnes, que conduz uma pesquisa sobre florescências de algas sargaço disse que a "grande bolha" deste ano está ficando cada vez maior.
"Observamos nos últimos meses que a floração está ficando maior. Provavelmente será tão grande ou se não maior do que a floração que vimos no ano passado", disse Barnes, acrescentando que a tendência de mais algas vem crescendo desde 2011.
A Agência Espacial Europeia disse que a floração era visível do espaço e era provavelmente a maior floração de algas já registrada.
As razões do novo fenômeno ainda estão sendo estudadas. Em uma outra entrevista à BBC em março, Barnes diz suspeitar que um possível fator pode ser a Bacia Amazônica. Esta tem liberado mais nitrogênio nos oceanos, o que por sua vez leva à proliferação do sargaço.
Algas e sargaço
“Sargassum” é uma alga flutuante, marrom – e muitas vezes mal cheirosa – encontrada em abundância no oceano.
Sua estrutura contém apêndices folhosos, galhos e estruturas redondas. De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos EUA, essas estruturas cheias de gás, chamadas pneumatocistos, são preenchidas principalmente com oxigênio.
“Os pneumatocistos adicionam flutuabilidade às algas marinhas, permitindo que elas flutuem na superfície, muitas vezes em grandes aglomerados ou "bolhas" que às vezes podem se estender por quilômetros através do oceano”, explicou o órgão à NBC.
Além de alimentação, estas algas podem fornecer refúgio e criadouros para uma variedade de animais, como peixes, tartarugas marinhas, aves marinhas, caranguejos e camarões. Alguns animais, como o peixe sargassum (da família dos peixes-sapo), vivem toda a vida apenas neste habitat.
Incômodo para banhistas
Quando se acumulam nas costas, os sargaços podem causar transtornos aos banhistas. Isto porque o cheiro do sargaço foi comparado a "ovos podres" e, à medida que se decompõe sob o sol quente, pode desencadear problemas respiratórios - especialmente para quem sofre de asma, disse a NOAA.
O problema costuma se intensificar no verão, embora este ano, na Flórida, tenha surgido mais cedo. Na primavera banhistas já enfrentam os transtornos causados pelo acúmulo das algas.
"Temos cerca de 500 metros de algas marinhas que retiramos da praia até o ano passado, nessa época eram 200", disse Mark Almy, prefeito de Fort Lauderdale, à NBC.
A maioria das cidades geralmente remove as alfas ou a enterra de volta na areia, mas Fort Lauderdale usa compostagem, levando os montes para uma instalação em Snyder Park.
“Não temos nenhum espaço de aterro ocupando e não temos que pagar taxas de despejo, então economizamos cerca de US$ 300 mil a US$ 350 mil por ano apenas em taxas de transporte”, disse Almy.