Os EUA e a China têm a mesma ambição: automatizar suas fábricas; mas o gigante asiático já possui uma grande vantagem
A China já utiliza robôs e sistemas de IA em grande escala. Os EUA tentam reconstruir sua capacidade manufatureira, mas enfrentam inúmeros desafios
Por anos, olhar a etiqueta de qualquer dispositivo, peça de roupa ou carregador era quase uma formalidade. A resposta costumava ser sempre a mesma: "Made in China". Essa frase virou a prova silenciosa de que o gigante asiático havia conseguido se consolidar como a fábrica do mundo. De celulares de marcas estadunidenses a pequenos componentes de eletrodomésticos europeus, grande parte do que usamos no dia a dia saiu de linhas de produção chinesas.
Mas essa realidade está começando a mudar. A liderança industrial da China já não se sustenta apenas com mão de obra abundante e custos baixos, e o modelo que dominou as últimas décadas precisa se transformar.
A mudança não é apenas econômica, mas também social. Cada vez menos jovens chineses querem trabalhar em fábricas — um fenômeno que segue padrões semelhantes nos EUA: empregos físicos, longas jornadas e pouca projeção profissional. Nos dois casos, a indústria deixou de ser vista por muitos como sinônimo de progresso e passou a ser encarada mais como um destino do qual se tenta escapar.
Ainda assim, tanto China quanto EUA consideram que fabricar continua sendo estratégico, seja para manter influência global, seja para reduzir a dependência externa. Tudo indica que nenhum dos dois está tentando recuperar o modelo do passado, mas sim construir um novo baseado em automação e inteligência artificial.
Robôs e fábricas para não perder o "Made in China"
Quando o vice-ministro da Indústria da China, Zhang Yunming, disse que adotar ...
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