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Oracle ameniza preocupações com gastos em IA com plano para tornar fluxo de caixa positivo

28 out 2026 - 18h25
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Resumo
Para tranquilizar investidores sobre seus altos gastos com infraestrutura de IA, a Oracle anunciou que seus aportes atingirão o pico em breve e limitou o endividamento futuro a US$ 20 bilhões até 2030. A empresa projeta fluxo de caixa livre positivo a partir de 2028, superando US$ 30 bilhões em 2029, além de prever receita de US$ 225 bilhões para 2030. O plano amenizou temores do mercado sobre a forte dependência de dívidas da companhia, impulsionando suas ações em mais de 12%.

28 Out (Reuters) - A Oracle  afirmou na quarta-feira que espera que os gastos de capital ‌atinjam o pico neste ano fiscal e no próximo, à medida que constrói mais capacidade de computação em nuvem, mas prometeu não captar mais de US$20 bilhões em financiamento adicional para IA até o ano fiscal de 2030.

A promessa visa tranquilizar os investidores preocupados com a necessidade de a empresa de Larry Ellison financiar sua agressiva expansão de data centers. As ações da Oracle subiram mais de 12% após ⁠as previsões, enquanto outras ações do setor de computação em nuvem também registraram alta.

Em declaração feita durante o ‌dia do investidor da Oracle em Las Vegas, a diretora financeira Hilary Maxson afirmou que a Oracle também espera que o fluxo de caixa livre se torne positivo no segundo semestre do ano fiscal ‌de 2028 e ultrapasse US$30 bilhões no ano fiscal de 2029, ‌quando os gastos de capital deverão diminuir.

"A Oracle está tentando mostrar aos investidores que há ⁠um método por trás da aparente loucura de seus enormes gastos com infraestrutura de IA", disse Jacob Bourne, analista da Emarketer.

"Embora as projeções sejam ambiciosas e longe de serem garantidas, elas demonstram uma compreensão das preocupações dos investidores e oferecem um caminho otimista para resolvê-las."

A Oracle tornou-se um ponto focal de preocupação com o custo crescente da infraestrutura de IA, pois não possui a base de receita robusta de gigantes da ‌nuvem como Microsoft e Amazon e depende fortemente de um único cliente, a OpenAI, criadora do ChatGPT, que ‌opera com prejuízo.

A parceria com a ⁠OpenAI adicionou centenas de ⁠bilhões de dólares à carteira de pedidos de nuvem da Oracle, mas a construção dos data centers e de outras ⁠infraestruturas de IA necessárias para cumprir esses contratos a obrigou ‌a recorrer fortemente a dívidas e ‌à venda de ações.

FINANCIAMENTO EXTERNO

A Oracle afirmou na quarta-feira que espera que o financiamento de fornecedores, o hardware fornecido pelo cliente e os pagamentos antecipados dos clientes reduzam suas necessidades iniciais de caixa até que o fluxo de caixa livre se torne positivo.

A empresa espera deixar de depender ⁠de financiamento externo para o crescimento a partir do ano fiscal de 2029, com a previsão de que a dívida líquida caia para menos de 3,5 vezes o seu lucro operacional anual nesse ano.

A empresa afirmou no início deste ano que levantaria US$40 bilhões por meio de financiamento de dívida e capital próprio em seu atual ano fiscal, incluindo a venda ‌de ações no valor de US$20 bilhões concluída no primeiro trimestre.

Em 31 de agosto, a empresa possuía US$125,34 bilhões em títulos a pagar e outros empréstimos, enquanto o caixa e equivalentes de caixa totalizavam ⁠cerca de US$36,37 bilhões.

"Já lhes disse que precisamos de um financiamento adicional de até US$20 bilhões para o restante do nosso ano fiscal de 2027", disse Maxson.

"Estamos anunciando que esses US$20 bilhões, divididos igualmente entre dívida e capital próprio, são o valor final necessário para financiar o restante deste ciclo."

Os credit default swaps (CDS) de cinco anos da Oracle, que medem o custo do seguro contra o inadimplemento de sua dívida, caíram ligeiramente para 287,2 pontos-base na quarta-feira.

As declarações de Maxson impulsionaram as ações de empresas de nuvem e infraestrutura de IA após semanas de pressão vendedora devido a preocupações de que o boom da IA esteja se tornando muito dependente de dívidas.

Para o ano fiscal de 2030, a Oracle prevê receita superior a US$225 bilhões, margem operacional ajustada acima de 40% e lucro ajustado superior a US$21 por ação. A empresa reafirmou sua previsão para o ano fiscal de 2027, de receita superior a US$90 bilhões e lucro ajustado de US$8,10 por ação.

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