O primeiro quiosque de praia da história começou com um saque e vendo dezenas de marinheiros morrerem em uma cidade da Espanha
Após 166 tripulantes morrerem afogados e terem até os botões roubados, um acampamento com dez barracas na costa espanhola deu origem a uma cantina para 200 pessoas
O conceito moderno de quiosque de praia teve uma origem trágica ligada ao naufrágio do navio Soberbio, em 1752, na costa espanhola de Cádis. Durante a violenta tempestade que encalhou a embarcação na praia de La Barrosa, autoridades e trabalhadores montaram seis barracas de apoio junto à Torre del Puerco para a complexa operação de resgate da carga e dos tripulantes. Essa estrutura emergencial à beira-mar tornou-se o embrião involuntário do comércio litorâneo mais antigo da Espanha.
Basta a fome bater na praia para procurar um quiosque e pedir um petisco: uma cerveja gelada, uma porção de batatas, espetinhos ou torresmo. Mas e se você soubesse que esse formato clássico de comer e beber à beira-mar nasceu de um trágico naufrágio?
No entardecer de 1º de fevereiro de 1752, uma violenta tempestade afundou um navio histórico em frente à praia de La Barrosa, entre as torres del Puerco e Bermeja. A embarcação encalhou a apenas alguns metros da faixa de areia.
Cádis soube da tragédia naquela mesma noite. Dois representantes oficiais e um capataz chamado Matías Capolino cruzaram a baía e ergueram, antes do amanhecer, as primeiras seis barracas junto à Torre del Puerco. Assim começava a operação de resgate mais longa da costa gaditana — e, sem que ninguém suspeitasse, o embrião do comércio de praia mais antigo da Espanha.
Um navio, duas vidas
Oficialmente, a embarcação se chamava San Francisco de Asís, construída em 1738 nos estaleiros de Guarnizo. Em 1740, passou a se chamar Soberbio por ordem de seu proprietário, Guillermo Terry, um armador de Cádis cuja família irlandesa havia trocado a cidade de Cork pelo litoral espanhol meio século antes.
Gerações mais tarde, seus descendentes fundariam as famosas vinícolas e destilarias de conhaque que ainda levam seu sobrenome. Terry fez fortuna no comércio com as Índias e, graças à sua proximidade com o ministro José Patiño, responsável por reestruturar a marinha espanhola sob o ...
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