"IA emocional" monitora se funcionários estão felizes enquanto trabalham
Mercado, que já atinge 3 bilhões de dólares, começa a chegar aos escritórios
As empresas monitoram seus funcionários há muito tempo. Primeiro, veio o ponto eletrônico. Depois, o registro de pressionamentos de teclado e da atividade do mouse. Agora, uma nova geração de softwares de vigilância emocional analisa se a expressão do seu rosto enquanto trabalha é suficientemente positiva.
Isso se chama "IA emocional" ou computação afetiva. Já não se trata de medir o quanto você trabalha, mas de quantificar como você se sente enquanto trabalha.
Ferramentas como MorphCast, HireVue e a integração Aware para Slack passam anos aperfeiçoando esse tipo de análise. Algumas escaneiam videoconferências em tempo real para detectar níveis de atenção, emoção ou positividade. Outras processam transcrições de chats para inferir o estado de ânimo coletivo de uma equipe. Há ainda as que analisam o tom de voz de atendentes de call center ligação por ligação. MetLife, Burger King e McDonald's já utilizam ou testam essas tecnologias.
O mercado global de IA emocional já alcançou 3 bilhões de dólares e as previsões apontam que ele deve triplicar antes de 2030.
Será que funciona?
A premissa científica sobre a qual toda essa indústria se apoia tem um problema: ela é discutível. Boa parte desses sistemas é construída sobre a teoria das emoções básicas do psicólogo Paul Ekman, que propõe seis emoções universais reconhecíveis no rosto de qualquer pessoa. Essa teoria vem sendo questionada há bastante tempo pela comunidade acadêmica.
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