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IA e desastres ambientais: O que falta para salvar vidas? Especialistas respondem

Especialistas afirmam que falta de base sólida de dados, integração de sistemas escassez profissional são alguns desafios

13 jun 2024 - 05h00
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Resumo
A inteligência artificial pode ser uma ferramenta importante para a prevenção de catástrofes naturais, sendo possível usá-la para fazer previsões, emitir alertas e identificar áreas de risco. Entretanto, há desafios na implementação desses sistemas, como modernização da infraestrutura, disponibilidade de dados confiáveis e profissionais habilitados.
Foto: fdr

Desde que o Rio Grande do Sul foi tomado por águas, em uma enchente sem precedentes, no início de maio, questões sobre previsões e prevenções de desastres climáticos foram debatidas em diversas áreas da sociedade.

O uso da tecnologiaem especial da inteligência artificial (IA), para entender como essas catástrofes podem ser evitadas foi uma dalas. Apesar disso, especialistas ouvidos pelo Byte disseram que uma série de desafios impedem que sistemas à base de IA funcionem corretamente.

Como explica Kenneth Corrêa, especialista em inteligência artificial professor de MBA da FGV, um dos benefícios da IA é que ela pode analisar uma grande quantidade de dados históricos, em tempo real, sendo possível identificar os padrões do que já aconteceu e partir para uma previsão de desastres.

Ele lembra que nos incêndios florestais da Austrália em 2020, pesquisadores usaram a tecnologia para avaliar imagens de satélite, de forma que conseguiam antecipar a direção e velocidade de propagação das chamas em tempo real. 

“Essas informações foram fundamentais para orientar as ações dos bombeiros e salvar vidas”, disse ao Byte.

IA sendo para prever desastres

Quais satélites estão monitorando a água no Rio Grande do o Sul? Quais satélites estão monitorando a água no Rio Grande do o Sul?

Outro exemplo bem-sucedido do uso da IA em prevenção de desastres naturais foi a união do Google com a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que gerou um sistema capaz de prever a ocorrência de terremotos com antecedência de até um minuto. 

No Brasil, a Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), que monitora o risco de deslizamentos de terra, com a avaliação de dados pluviométricos, umidade do solo e de radar, tem operado com sistemas de inteligência artificial. 

Graças à tecnologia, que emite alertas para a Defesa Civil, a autoridade fica sabendo com seis horas de antecedência quais são as regiões mais vulneráveis.

Outras empresas, como a startup One Concern, usa machine learning para criar modelos preditivos de desastres naturais, com um cruzamento de dados de sensores, satélites, redes sociais e outras fontes.

Também há o exemplo do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que faz o monitoramento de atividades vulcânicas por IA, com análise de dados sísmicos, de deformação do solo e de emissão de gases. Dessa forma o serviço é capaz de detectar sinais precoces de uma erupção.

Como ajuda?

No que diz respeito ao tempo, a coordenadora de projetos e meteorologista da Climatempo, Patrícia Luz, disse ao Byte que é possível elencar a IA para fazer previsões de propagação de tempestades severas, assim como emitir alertas de risco a deslizamentos de encostas. 

Corrêa afirmou que há uma série de benefícios para o uso de inteligência artificial na análise de dados em relação à prevenção. Em uma situação de emergência, por exemplo, a velocidade de resposta é o mais importante. 

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“Com a capacidade de processar um enorme volume de informações de múltiplas fontes quase instantaneamente, os sistemas de IA conseguem detectar ameaças e acionar alertas muito mais rápido do que seria possível manualmente [feito por humanos]”, afirmou.

Priscila destaca que essa agilidade no processamento das informações, além da precisão dos resultados e da remoção de vieses, são alguns dos principais pontos positivos da tecnologia na mitigação das catástrofes climáticas

“As IAs podem auxiliar não somente na prevenção, com a identificação de padrões dos desastres e a antecipação dos alertas para a população, mas nas ações de preparação e mitigação, auxiliando na identificação das áreas de risco”, disse a coordenadora.

Mais um destaque da inteligência artificial e algoritmos é a capacidade de criar conexões entre dados que não parecem estar ligados.  Assim, é possível identificar padrões ou anomalias que para uma pessoa, passariam despercebidos, transformando a IA em uma ferramenta tecnológica, para colaborar no trabalho humano.

“Os gestores de crise podem ter acesso rapidamente a insights acionáveis para definir as melhores estratégias de resposta e alocação de recursos”, ressaltou o Corrêa.

Desafios de implementação

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Foto: DW / Deutsche Welle

Apesar de tanto uso, mesmo com a tecnologia “madura”, a implementação desses sistemas ainda é um impasse por diferentes motivos.

Priscila Luz, da Climatempo, pontua que não adianta apenas ter a tecnologia, é necessário que ela seja bem treinada e trabalhe com uma base de dados extensa, para que quaisquer erros sejam minimizados. 

“Por isso, acredito que investimentos voltados à melhoria dos dados observacionais da atmosfera e dos oceanos, assim como no aumento da rede de observações, são primordiais para que os estudos de IA avancem cada vez mais”, destacou.

Corrêa concorda com a ideia, e para ele, é preciso de um sistema que seja alimentado com um grande volume de informações confiáveis e atualizadas sobre o meio ambiente, clima, infraestrutura e população.

Ele ressalta que "muitas áreas do Brasil ainda não possuem monitoramento suficiente, o que deixa a coleta de dados defasada". Outro ponto é a base de dados governamentais, que não têm padrões específicos ou integração entre si.

"Investimentos em modernização e infraestrutura seriam ideais para a observação ambiental", avalia.

E por último, há ainda um dos principais desafios para que sistema de IA funcionem: profissionais qualificados

“Parcerias entre academia, indústria e governo podem ser um caminho promissor para impulsionar a pesquisa, o desenvolvimento e a aplicação dessas tecnologias no país”, disse o professor da FGV. 

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Fonte: Redação Byte
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