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Golpistas atraem compradores de celular pelas redes e levam para galerias vazias no centro de SP; saiba se proteger

Vítimas de estelionato são levadas a galeria no bairro da República; vendedores tentam alertar com placas

26 jun 2025 - 04h59
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Golpes de vendas de aparelhos no centro de SP começa online
Golpes de vendas de aparelhos no centro de SP começa online
Foto: Arquivo Pessoal

A analista de comunicação Estela Martins buscava um celular novo em grupos de Facebook quando se deparou com um anúncio. O vendedor anunciava a versão mais nova do aparelho que ela buscava por metade do preço padrão. 

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Estela ficou receosa. Ligou algumas vezes para o vendedor, que falou com ela via chamada de vídeo, mostrou os aparelhos, indicou clientes para atestar que a loja existia. O combinado, segundo ela, era encontrá-lo em uma galeria no centro de São Paulo. 

“Alertei minhas amigas, todas pediram que eu não fosse. Mas eu fui”, ela conta ao Terra. O vendedor a encontrou na frente do prédio da Galeria Olido. “Ele disse que a loja ficava na galeria e que me levaria lá. Subimos três andares e ele me levou para um corredor vazio”, diz.

Estela foi levada para corredor vazio dentro de galeria
Estela foi levada para corredor vazio dentro de galeria
Foto: Arquivo Pessoal

Ainda segundo Estela, o vendedor disse que ela deveria transferir o dinheiro naquele momento e, só depois, ele a levaria até a loja de celulares. “Naquele momento, estávamos só eu e ele em um lugar vazio. Fiquei com medo, paralisei e fiz a transferência”, afirma.

Estela pagou R$ 2.600 pelo celular. O vendedor pediu que ela aguardasse e que voltaria logo com o aparelho. “Ele nunca mais voltou. Depois de uns minutos, dei a volta no prédio e percebi que havia outra saída”. 

Ela também não conseguiu mais contactar o número pelo qual havia feito a negociação. 

A galeria Olido fica na República, no centro de São Paulo, e pelas paredes do espaço há diversos cartazes alertando sobre golpes de vendas de celulares por ali. Estela registrou boletim de ocorrência, mas não conseguiu reaver o dinheiro. 

O Terra procurou a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Segundo nota enviada pela Pasta, o caso de Estela é “investigado pelo 3º Distrito Policial (Campos Elíseos), que segue com diligências para identificar e responsabilizar os autores”.

Vendedores dizem que golpe é comum

A reportagem foi até a galeria Olido e ouviu funcionários que trabalham em estabelecimentos dentro do espaço. Eles pediram que não fossem identificados.

João*, 56, diz que “ao menos duas vezes por dia alguém é vítima de estelionato” por ali. Segundo ele, o modus operandi é o mesmo todas as vezes: o golpista acompanha a vítima até a parte mais vazia da galeria, no terceiro andar; ostensivamente pede que faça a transferência, pague com dinheiro ou cartão de crédito e diz que vai buscar o aparelho. Por uma escada escondida, foge.

“Nós ficamos com medo de alertar, por isso colocamos os cartazes”, diz. 

Maurício*, 34, funcionário de uma lanchonete nas redondezas da galeria, afirma que é frequente ver pessoas chorando afirmando terem perdido dinheiro. “Todo mundo sabe que acontece e ninguém faz nada”, critica.

Em nota, a Polícia Civil “ressalta a importância de que vítimas de casos semelhantes registrem o Boletim de Ocorrência, medida fundamental para o início das providências investigativas.”

Golpes digitais crescem a cada ano

Segundo uma pesquisa divulgada pelo Senado Federal, golpes digitais vitimaram 24% dos brasileiros com mais de 16 anos entre outubro de 2023 e outubro de 2024. 

Mais de 40,85 milhões de pessoas perderam dinheiro no período em função de algum crime cibernético, como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias.

Atualmente, os golpes mais comuns envolvem mensagens e redes sociais para enganar as vítimas. Fraudes via Pix, onde criminosos se fazem passar por conhecidos ou empresas solicitando transferências urgentes, são recorrentes. Também são comuns ligações simulando atendentes de bancos, pedindo dados e senhas de cartão.

Como se proteger?

Advogado especialista em Direito do Consumidor de Martorelli Advogados, Igor Ribeiro detalha à reportagem algumas formas de se proteger de golpes online, cada vez mais comuns e sofisticados. 

"É muito fácil cair em golpes de venda de produtos que simplesmente não existem. Para se proteger, o consumidor precisa ficar atento a alguns sinais. O primeiro passo é sempre checar se a loja tem CNPJ ativo, se informa um endereço real e se tem canais de atendimento funcionando”, sugere.

“Outro ponto muito importante é desconfiar de preços muito abaixo do normal — isso costuma ser um grande alerta. Vale também pesquisar o nome da loja no Reclame Aqui ou no site Consumidor.gov para saber se há reclamações. E, na hora de pagar, é sempre mais seguro optar por métodos que ofereçam algum tipo de proteção, como o cartão de crédito. Quando não se tem total certeza sobre quem está vendendo, é melhor evitar o PIX –e menos ainda o dinheiro."

Especialista e investidor em tecnologias, Diogo Archanjo afirma que o processo pré-estabelecido de confiança é o perigo. 

“As atuais otimizações de processos determinam avanços esperançosos e facilitadores do dia a dia, porém como essas vendas estão sendo realizadas inicialmente pelas redes sociais, há uma relação de confiança estabelecida, instigada pela praticidade de algumas plataformas e intermédios”, ele diz.

Caí em um golpe: primeiras ações

“Ao perceber que caiu em um golpe, não hesite em agir. Há quem demore a tomar medidas por medo de julgamento, mas a demora pode ser uma grande inimiga”, explica o especialista em segurança da informação Patrick Monteiro. 

“A rapidez na resposta aumenta significativamente as chances de mitigar os prejuízos”, diz.

  • Antes de qualquer outra medida, registre detalhadamente o ocorrido. A depender do golpe, é possível registrar o documento de forma digital.
  • Realize capturas de tela de conversas. Mensagens eletrônicas ou páginas da internet envolvidas no golpe podem ajudar a comprovar a fraude.
  • Registre informações como datas, horários, valores, nomes e dados utilizados na interação. 
  • Todas as informações que podem corroborar o acontecido são úteis para tentar reaver algum bem perdido ou conta invadida.
  • Guarde comprovantes de pagamentos ou transferências efetuadas.
  • Salve números de telefone, endereços de e-mail e perfis empregados pelos golpistas.
  • Bloqueie cartões.
  • Caso dados pessoais tenham sido prejudicados, troque a senha de aplicativos bancários e e-mails.
Fonte: Terra Content Solutions
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