Game francês coloca jogador como marido de refugiada síria e usa mensagens reais de WhatsApp entre os dois para recriar realidade da guerra
Bury Me, My Love leva a representação da guerra ao extremo com uma história real
Já se passaram 11 anos desde que o jornal francês Le Monde publicou a transcrição de uma conversa de WhatsApp entre Dana, uma jovem síria que fugia da guerra, e seus familiares. A jornalista Lucie Soullier conseguiu que Dana compartilhasse suas mensagens durante a travessia da Síria até a Alemanha e o resultado foi tão íntimo quanto perturbador: o horror de uma crise humanitária contado por meio de emojis e com o tipo de frases que qualquer pessoa poderia enviar a um ente querido. Florent Maurin, jornalista que se tornou designer de videogames, leu a reportagem e decidiu transformá-la em um jogo.
O resultado foi Bury Me, My Love, um título no qual o jogador interpreta Majd, o marido que permanece na Síria enquanto sua esposa Nour tenta cruzar a Europa. A mecânica é deliberada: só é possível se comunicar com Nour por mensagens de texto, você não sabe realmente o que está acontecendo e não pode intervir além das palavras. Dana supervisionou o roteiro e Soullier participou como consultora editorial, então o jogo não é pura ficção nem um documentário: é algo entre as duas coisas.
Jogar significa não poder fazer nada
O que Maurin projetou foi uma mecânica de impotência. Em uma apresentação na GDC, ele explicou que queria que o jogador sentisse exatamente o que sentem as famílias que ficam: receber informações fragmentadas, não poder verificá-las e tomar decisões sem conhecer suas consequências. Essa sensação não é uma falha de design, mas o núcleo do jogo e também um dos ...
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