Fones Hi-Fi e câmeras que são verdadeiros objeto de desejo a preços acessíveis? O impacto real do novo acordo comercial entre Europa e Mercosul nas marcas de elite da tecnologia
Tratado assinado em 2026 promete reduzir barreiras históricas, mas os efeitos no bolso do consumidor brasileiro serão graduais e cheios de condicionantes
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, formalizado em janeiro de 2026, reacendeu um antigo desejo do consumidor brasileiro apaixonado por tecnologia: pagar menos por produtos europeus de alto padrão. Em um país onde câmeras Leica, fones Sennheiser ou sistemas de áudio da Bang & Olufsen costumam custar múltiplos do valor praticado no exterior, a promessa de redução tarifária soa quase como uma revolução. Mas o impacto real desse tratado está longe de ser imediato — e exige uma leitura cuidadosa dos detalhes.
Segundo documentos oficiais do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), o acordo prevê a liberalização de 91% das exportações da União Europeia para o Mercosul, com eliminação progressiva do Imposto de Importação sobre bens industriais. Na prática, isso atinge em cheio segmentos como fotografia de precisão, áudio hi-fi e eletrônicos premium, áreas em que marcas europeias dominam pela tradição, engenharia e valor simbólico. Leica, Sennheiser, Focal e Bang & Olufsen aparecem entre as mais citadas por analistas como potenciais beneficiárias da redução de custos de entrada no Brasil.
A palavra-chave, porém, é "progressiva". Conforme explica o Portal da Indústria, a retirada das tarifas não será instantânea. O cronograma de desgravação varia de 4 a 15 anos, dependendo do tipo de produto e de sua sensibilidade para a indústria local. Equipamentos eletrônicos, ópticos e de precisão costumam cair em faixas intermediárias, com prazos estimados entre 8 e 10 ...
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