Exames de sangue detectam Alzheimer em pessoas com síndrome de Down
Testes Lumipulse e PrecivityAD2 apresentam alta precisão e oferecem alternativa menos invasiva a exames tradicionais
Cientistas da USC desenvolveram exames de sangue precisos, Lumipulse e PrecivityAD2, para diagnóstico precoce de Alzheimer em pessoas com síndrome de Down, oferecendo uma alternativa menos invasiva aos métodos tradicionais.
Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC) anunciaram uma descoberta promissora para o diagnóstico da doença de Alzheimer em pessoas com síndrome de Down. Dois exames de sangue, o Lumipulse G p-tau217 e o PrecivityAD2, já aprovados ou amplamente usados em pesquisa para a população geral, mostraram-se eficazes na detecção precoce da patologia da doença de Alzheimer nesse grupo de alto risco. A pesquisa, publicada na revista Communications Medicine, representa um avanço significativo para tornar o diagnóstico mais acessível e menos invasivo.
Relação genética
A síndrome de Down ocorre por causa de um material genético duplicado. Essa mesma duplicação provoca níveis mais altos de placas amiloides no cérebro, que causam alterações químicas e levam à morte de células nervosas.
Aos 40 anos, quase todos os indivíduos com a síndrome apresentam essas placas. O risco de desenvolver a doença de Alzheimer ao longo da vida ultrapassa 90%, e a condição é a principal causa de morte nesse grupo acima dos 35 anos.
Como o estudo funciona
A pesquisa envolveu 39 participantes com síndrome de Down. Os cientistas testaram o sangue de cada indivíduo com os exames Lumipulse G ptau-217 e PrecivityAD2.
Os testes medem o acúmulo de amiloide e uma forma alterada da proteína tau, associada ao Alzheimer. Os resultados foram comparados com tomografias por emissão de pósitrons (PET), consideradas o padrão para o diagnóstico.
Os pesquisadores descobriram que os exames de sangue detectam com precisão a presença de níveis anormais de placas amiloides no cérebro, com quase a mesma precisão observada na população geral.
Acesso facilitado
Atualmente, o diagnóstico exige tomografia PET, que envolve radiação e centros especializados, ou punção lombar. De acordo com a primeira autora do estudo, Zinayida Schlachetzki, o exame de sangue atua como um teste de triagem mais acessível.
O autor correspondente Michael Rafii afirma que o trabalho busca tornar os testes disponíveis para pessoas com síndrome de Down. "Ser inclusivo com esse grupo não é apenas um imperativo científico, mas também ético", diz o pesquisador.
No próximo mês, os cientistas iniciam um ensaio clínico de um tratamento para Alzheimer, o donanemab, em pessoas com síndrome de Down. O exame de sangue servirá para selecionar os participantes elegíveis.
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