Inteligência artificial em ultrassom portátil acelera diagnóstico cardíaco na Espanha
Dispositivo permite que médicos de família avaliem falta de ar em 15 minutos, reduzindo filas e gerando economia de até 70 mil euros por clínica
Médicos de família na Espanha estão utilizando ultrassons portáteis com inteligência artificial para diagnósticos cardíacos em 15 minutos, reduzindo filas, custos e encaminhamentos desnecessários a cardiologistas.
Médicos de família na Espanha estão utilizando um ultrassom cardíaco portátil guiado por inteligência artificial para detectar problemas cardíacos em pacientes com falta de ar, uma abordagem que promete revolucionar o diagnóstico precoce. A pesquisa, publicada no periódico The Annals of Family Medicine, demonstra que essa tecnologia permite uma avaliação cardíaca rápida e eficiente, diretamente na atenção primária, sem a necessidade imediata de encaminhamento a cardiologistas.
A dispneia, conhecida como falta de ar, é uma queixa comum nos consultórios. Como o sintoma pode ter diversas causas, a confirmação de uma origem cardíaca geralmente exige um ecocardiograma tradicional.
Na Espanha, os pacientes aguardam em média 64 dias para passar por uma consulta com um cardiologista. Os dados do estudo apontam que até 25% dos encaminhamentos urgentes para a especialidade acabam sendo considerados desnecessários após a avaliação.
Treinamento e aplicação
Para otimizar o atendimento, nove clínicas de medicina familiar nas cidades de Granada, Madri e Barcelona participaram de um programa piloto. Médicos sem experiência prévia em ecocardiografia receberam 12 horas de capacitação, divididas em instruções teóricas e práticas com o dispositivo.
Com o treinamento concluído, os profissionais passaram a realizar exames à beira do leito em pacientes que apresentavam falta de ar. O procedimento com o ultrassom guiado por IA dura entre 12 e 15 minutos e avalia a função do coração de forma imediata.
Redução de custos
A adoção da tecnologia também apresenta impacto financeiro direto para o sistema de saúde. O custo da abordagem na atenção primária é de cerca de 20 euros por paciente. Em comparação, um encaminhamento cardiológico tradicional custa 280 euros.
Segundo os autores da pesquisa, liderados por Diego Segura-Rodríguez, do Hospital Universitario San Cecilio, a estimativa é de que a prática gere uma economia anual de 70 mil euros por clínica no país.
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