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Em 1887, a França adiou a volta às aulas para outubro — e o motivo não era descanso

Há mais de um século, muitos pais franceses passavam o mês inteiro de setembro com os filhos, embora em circunstâncias bem diferentes

5 set 2026 - 09h46
(atualizado às 10h16)
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Resumo
No século XIX, a França adiou a volta às aulas para outubro para adequar o calendário escolar às necessidades da agricultura. Em uma sociedade predominantemente rural, o objetivo das férias prolongadas não era o descanso infantil, mas permitir que os alunos trabalhassem nas colheitas sazonais com suas famílias. Essa flexibilidade visava assegurar a regularidade da frequência escolar no campo, prática que moldou o cronograma educacional do país até o século XX.
Imagem | SC, Pie
Imagem | SC, Pie
Foto: Imagem | SC, Pie / Xataka

Acabamos de começar setembro, data em que muitas escolas iniciam o novo ano letivo no hemisfério norte. No entanto, na França do século XIX, as férias escolares prolongadas não tinham como objetivo principal o descanso das crianças. Em uma sociedade ainda predominantemente rural, o calendário precisava se adequar às colheitas e às famílias que necessitavam de mão de obra sazonal. Essa lógica moldou as datas escolares por décadas e explica por que o retorno às aulas na França permaneceu em outubro até o século XX.

Crianças iam à escola

As férias escolares prolongadas na França são essencialmente uma criação do século XIX, quando o Estado começou a organizar a educação de forma sistemática. A Lei Guizot de 1833 limitava as férias do ensino fundamental a seis semanas, embora permitisse que os prefeitos decidissem quando elas seriam concedidas, já que as circunstâncias variavam enormemente entre os territórios.

O problema fundamental não era proporcionar descanso aos alunos, mas sim garantir uma frequência escolar relativamente regular: nas áreas rurais, as famílias retiravam seus filhos da escola quando precisavam de ajuda, e mesmo após as Leis Ferry terem estabelecido a escolaridade obrigatória em 1882, mantê-los na escola durante todo o ano letivo continuou sendo complicado.

O campo e seu calendário próprio

Em 1866, o Ministro da Instrução Pública, Victor Duruy, estabeleceu por escrito a lógica que determinava o calendário. Ele considerava impossível estabelecer as mesmas datas de ...

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