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Como farinha de mandioca e frutas salvaram crianças colombianas na Amazônia

Frutas típicas da selva amazônica como milpesos e juan soco também foram essenciais para nutrição de crianças indígenas

12 jun 2023 - 12h08
(atualizado às 12h34)
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Crianças colombianas foram resgatadas após 40 dias
Crianças colombianas foram resgatadas após 40 dias
Foto: Divulgação/Forças Armadas da Colômbia

O mundo acompanhou apreensivo o processo de resgate das quatro crianças colombianas que sobreviveram a um acidente de avião e 40 dias na selva amazônica. Os irmãos de 13, 9 e 4 anos e 1 ano foram encontrados por militares a 5 km do local do acidente, e surpreenderam com a resiliência de se manterem vivos em uma área remota, com alimentação e hidratação restritas. 

De acordo com os soldados que participaram do resgate, alguns alimentos foram essenciais para a sobrevivência das crianças, Dentre eles, destacam-se a farinha de mandioca e as frutas encontradas na floresta. 

“Quando o avião caiu, eles retiraram uma farinha e, com ela, sobreviveram”, contou o tio das crianças Fidencio Valencia em entrevista à mídia local. Três adultos morreram com a queda, incluindo Magdalena Mucutuy Valencia, mãe dos irmãos.

A  farinha de mandioca usada pelas crianças é bastante consumida na região amazônica. O alimento foi retirado dos destroços do avião após o acidente.

Propriedades do alimento

A nutricionista Marianna Unger, especialista em nutrição nas doenças crônicas e degenerativas e doutora em Ciências da Saúde, a farinha de mandioca tem diversos beneficios e é uma fonte de energia rápida.

"A predominância é de carboidrato, então tem um padrão de pouca quantidade de proteína e muito mais de energia de carboidrato. Tem alguns nutrientes como ferro, cálcio, potássio, B6, magnésio, entre outros, além de bastante fibra", disse a nutricionista. 

"Mas, é obvio que quando você faz uma monotonia alimentar durante 40 dias para criança, que tem uma demanda de nutriente, estamos pensando na sobrevivência, em ter energia", acrescentou

A especialista destacou que a hidratação é extremamente importante em paralelo à alimentação com a farinha. "Você mantém energia e hidratação para manter elas vivas. Foi uma alternativa boa, se eles tinham esse alimento à disposição", disse Marianna Unger. 

Reintrodução alimentar

O ministro da Defesa da Colômbia, Iván Velásquez, disse a repórteres que as crianças estão sendo hidratadas e ainda não podem comer. “Mas, em geral, a condição das crianças é aceitável”, afirmou a autoridade.

A médica pediatra Giuseppina Rinaldi afirma que as crianças devem estar passando por tratamento intravenoso para reposição gradual dos sais minerais perdidos durante os dias em que ficaram perdidas na selva.

"Se as crianças estão desidratas, não tem como não ser um tratamento hospitalar. Devem estar internadas com hidratação endovenosa, reposição de vitaminas, sais minerais, vão começar com uma dieta leve, claro. Manutenção de eletrólitos, manutenção de glicemia e das vitaminas são alguns dos focos do tratamento", disse a pediatra.

A reintodução de alimentos deve ser aos poucos, uma vez que as crianças ficaram 40 dias sem se alimentar da forma apropriada, conforme explica a nutricionista Marianna Unger.

"Tem toda uma adaptação de microbiata intestinal, então deve começar por frutas, verduras e vegetais. Depois, evoluir para o consumo de proteína que é extremamente importante, mas de uma maneira bem gradativa e trabalhando a hidratação junto disso", afirmou a nutricionista. 

Frutas amazônicas

Um dos socorristas que fez parte da equipe de resgate, o líder indígena da etnia Uitoto Henry Guerrero, afirmou que o irmão mais novo foi encontrado com sementes de uma fruta na boca. Isso indica que as crianças tenham se alimentado com frutas da região. 

Segundo o homem, as sementes eram de uma fruta que dá origem a uma planta amazônica conhecida como milpesos.

"Essa semente é triturada e dá um suco bom, muito bom. A comida que encontraram acabou, então eles continuaram comendo frutas silvestres. O que percebemos é que os frutos que se colhem nesta época são o juan soco e o milpeso”, disse o líder indígena ao jornal colombiano El Tiempo. 

Milpesos (Oenocarpus batatua) é uma das frutas que foi essencial para a sobrevivência das crianças
Milpesos (Oenocarpus batatua) é uma das frutas que foi essencial para a sobrevivência das crianças
Foto: Reprodução/Twitter/@FrutasColombia

A espécie milpesos (Oenucarpus bataua aracaceae), segundo o Instituto de Pesquisas Científicas da Amazônia (Sinchi) é uma das palmeiras mais comuns nas florestas úmidas das várzeas e planícies do país.

“Ele é encontrado no norte da América do Sul, desde o Brasil, Peru e Colômbia, chegando até o leste do Panamá. Entre fevereiro e junho é quando a planta de milpesos dá sua colheita de frutas, justamente na época em que ocorreu o acidente", explicou o Instituto ao jornal El Tiempo.

Da fruta, é extraído um óleo de alto valor nutritivo. “O óleo tem a propriedade de eliminar toxinas, alivia a tosse, estimula os pulmões, expectorante, relaxa os brônquios, reduz a asma, estimula os movimentos intestinais, nutre e beneficia a pele e é um tônico capilar. Os indígenas Nukak da Colômbia maceram as frutas cozidas com mel e pólen, para fazer um suco”, diz o Instituto. 

As crianças apresentavam sinais de desnutrição. Eles foram levados para um hospital para tratamento médico
As crianças apresentavam sinais de desnutrição. Eles foram levados para um hospital para tratamento médico
Foto: Reuters / BBC News Brasil

Já o juan soco (Couma macrocarpa) é uma fruta semelhante à ameixa. Segundo dados da Corporação Regional Autônoma do Centro de Antioquia (Corantioquia), o fruto maduro contém uma polpa amarelada, doce e saborosa. Em média, cada fruta contém 20% de açúcar.

“Na bacia amazônica, especialmente, a demanda é tanta que as árvores são apenas para colher os frutos maduros. Na medicina popular, as sementes são usadas como vermífugo, e as crianças recebem uma ou duas colheres de sopa de látex puro como antidiarréico”, destaca a Corporação Regional Autônoma do Centro de Antioquia (Corantioquia) ao El Tiempo.

Fonte: Redação Byte
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