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Cientistas criam 'minifígados' injetáveis para tratar doenças hepáticas

Técnica com microesferas de hidrogel mantém células ativas fora do órgão original e surge como alternativa a cirurgias

9 set 2026 - 15h43
(atualizado às 15h48)
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Resumo
Cientistas do MIT desenvolveram "minifígados" injetáveis com microesferas de hidrogel, capazes de tratar doenças hepáticas ao abrigar e ativar células saudáveis fora do fígado, oferecendo uma alternativa menos invasiva ao transplante.

Pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) criaram uma forma de tratar doenças hepáticas crônicas através de "minifígados" injetáveis. Publicado na Cell Biomaterials, o método utiliza microesferas de hidrogel para abrigar células hepáticas saudáveis, permitindo que elas sobrevivam e funcionem em outras partes do corpo.

O sucesso do experimento em camundongos, onde as células permaneceram ativas por dois meses, abre caminho para uma alternativa menos invasiva ao transplante tradicional.

Foto: Imagem: gerada por IA / Portal Terra / TerrAI

O fígado executa cerca de 500 funções vitais no organismo, como a regulação da coagulação sanguínea, a filtragem de bactérias e a metabolização de medicamentos. A maior parte dessas atividades depende dos hepatócitos, células especializadas que compõem a estrutura funcional do órgão.

Mais de 10.000 pessoas nos Estados Unidos com doença hepática crônica aguardam atualmente por um transplante de fígado, segundo dados do estudo.

Como funcionam os minifígados injetáveis?

O sistema combina hepatócitos, células de suporte chamadas fibroblastos e microesferas de hidrogel em uma formulação líquida sob pressão. Quando compactadas, as esferas fluem através de uma agulha e retomam a consistência sólida ao entrarem no organismo, formando um arcabouço estável que possibilita a vascularização tecidual.

"O que fizemos foi usar essa tecnologia para criar um nicho projetado para o transplante de células", afirma o autor principal do estudo, Vardhman Kumar, pós-doutorando do MIT.

A aplicação ocorre por meio de injeção guiada por ultrassom, procedimento desenvolvido em parceria com Nicole Henning, especialista do Instituto Koch. O mesmo equipamento de ultrassom monitora a integridade do enxerto ao longo das semanas seguintes.

Em quais regiões do corpo o implante pode atuar?

Os enxertos operam em tecidos com suprimento sanguíneo abundante, sem necessidade de fixação próxima ao fígado biológico. Nos testes pré-clínicos, os cientistas posicionaram as estruturas no tecido adiposo perigonadal do abdômen de camundongos, onde novos vasos sanguíneos integraram-se às células transplantadas.

"Pensamos neles como fígados satélites. Se pudéssemos entregar essas células ao corpo, mantendo o órgão doente no lugar, isso forneceria uma função de reforço", explica Sangeeta Bhatia, professora do MIT e autora sênior do artigo.

"Para a grande maioria dos distúrbios hepáticos, o enxerto não precisa ficar próximo ao fígado", destaca Vardhman Kumar sobre a flexibilidade anatômica do procedimento.

Quais são os próximos passos da pesquisa?

A tecnologia pode funcionar tanto como terapia definitiva quanto como ponte temporal para pacientes na fila de transplante. Durante o período de testes de oito semanas, as células implantadas mantiveram a secreção contínua de enzimas e proteínas essenciais na circulação sanguínea dos animais.

"A maneira como vemos essa tecnologia é que ela pode fornecer uma alternativa à cirurgia, mas também pode servir como uma ponte para o transplante, onde esses enxertos podem fornecer suporte até que um órgão doador esteja disponível", declara Vardhman Kumar.

Para viabilizar aplicações em humanos, o grupo avalia estratégias para contornar a rejeição imunológica. Os planos incluem o desenvolvimento de células com camuflagem imunológica e o uso das próprias microesferas de hidrogel para a liberação controlada de medicamentos imunossupressores no local da injeção.

TerrAI Texto gerado com ajuda de Inteligência Artificial e editado pelo nosso time de jornalistas.
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