Imagens em 3D de tecidos podem auxiliar tratamento contra câncer
Por:Katia Moskvitch
24 abr2012 - 13h16
(atualizado às 16h08)
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Imagens tridimensionais de tecidos do corpo podem auxiliar na identificação do câncer em seus estágios iniciais, segundo pesquisadores britânicos. Cientistas da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, desenvolveram uma técnica para gerar imagens coloridas, de alta resolução e em 3D de um pedaço de tecido corporal.
As imagens podem ser vistas em uma tela de computador e examinadas a partir de qualquer ângulo. A entidade de combate ao câncer britânica Cancer Research UK disse que a tecnologia pode auxiliar a compreender como o câncer pode crescer e se alastrar, além de auxiliar na descoberta de novos tratamentos. Os resultados da pesquisa britânica foram divulgados na publicação especializada American Journal of Pathology.
Imagens informativas
A microscopia digital não é algo novo - o escaneamento de tecido corporal surgiu pela primeira vez há uma década, em substituição ao método convencional de cortar pedaços ultrafinos da pele para que elas pudessem ser examinadas em um microscópio.
Os escâneres, que são usados em todo o mundo atualmente, produzem imagens bidimensionais, que revelam apenas o que está contido na superfície daquele pedaço de tecido. Mas isso oferece limitações, como enfatiza Derek Magee, um dos cientistas da Universidade de Leeds.
"O tecido é, naturalmente, tridimensional. Para muitos usos, essa natureza tridimensional é importante", disse em entrevista à BBC. "Se você pegar um vaso sanguíneo, que é um os pedaços de uma rede de tubos ramificada, e retirar um trecho dele, a imagem bidimensional que você obtiver será apenas uma elipse do vaso."
Segundo ele, essa imagem "não diz absolutamente nada sobre a conectividade e nem oferece informações específicas sobre aquela rede de vasos sanguíneos - informações que podem ser de grande interesse para especialistas em câncer".
Para criar uma imagem tridimensional, um pedaço de tecido precisa ser cortado em centenas de camadas ultrafinas com uma máquina de extrema precisão chamada mocrotome. Cada uma dessas camadas é, em seguida, colocada em um vidro com 1 mm de espessura e a imagem decorrente é jogada em um escâner digital.
O escâner em seguida cria impressões 2D de cada superfície. O software desenvolvido pela Universidade de Leeds gera uma imagem tridimensional a partir de cada um desses slides, criando uma representação realista, que pode ser manipulada e movimentada por especialistas.
Identificando o câncer
"Isso pode ajudar a identificar pequenos tumores que poderiam passar despercebidos se fossem seguidos procedimentos convencionais. Além disso, se houver um vaso sanguíneo por perto, será possível ver se um tumor o atingiu", afirmou Magee.
De acordo com o pesquisador, a tecnologia também permite que um cirurgião possa remover um tumor situado perto de um órgão sensível. Em circunstâncias normais, tal intervenção cirúrgica é altamente delicada, por conta dos riscos envolvidos na operação.
"Essa tecnologia pode ajudar pesquisadores a compreender mais a respeito da doença e encontrar formas de tratá-la de maneira mais eficaz. Estamos começando a entender o quão complexo é o câncer. Um tumor é um "órgão" tridimensional formado por células saudáveis e cancerosas, incluindo vasos sanguíneos, células do sistema imune e outras células "normais", afirma Kat Arney, gerente de Ciência de Informação da Cancer Research UK.
Será fascinante, acrescenta ela, "observar como esta empolgante nova técnica será levada adiante por pesquisadores de câncer e quais os segredos que ela poderá revelar a respeito da doença". No passado, houve tentativas de criar imagens 3D de amostras de tecidos, mas elas pecavam pela sua baixa resolução e, portanto, não ofereciam imagens detalhadas. As imagens eram produzidas a partir da montagem digital de fotos de imagens microscópicas.
Mas a equipe da Universidade de Leeds afirma que a sua pesquisa marca a primeira vez que um escâner digital convencional é usado para gerar imagens de alta resolução de um tecido corporal. "Até hoje, o uso da tecnologia de imagens 3D para estudar doenças era limitado por causa da baixa resolução, do tempo e da dificuldade associados com a aquisição de um grande número de imagens por meio de um microscópio", disse o pesquisador-sênior Darren Treanor.
Cientistas usam imagens em 3D para tentar diagnosticar câncer
Ethan Henderson, no Reino Unido, usou uma proteção de gesso aos três anos por ter um desvio de 42° na coluna. A proteção lhe rendeu o apelido de "tartaruga humana". Leia notícia relacionada
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A criança se recuperou de uma cirurgia para corrigir um desvio de 42° na coluna vertebral. Ele teve que usar durante três meses a proteção
Foto: Barcroft Media / Getty Images
O desvio poderia deixar o menino paralisado. Contudo, se o procedimento não desse certo, Ethan poderia igualmente perder o movimento das pernas
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A operação durou oito horas e a criança recebeu varetas e pinos para corrigir a espinha
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Após três meses na proteção de gesso, agora Ethan pode ficar em pé e correr como uma criança normal
Foto: Barcroft Media / Getty Images
James Aspland, da Inglaterra, é cego de nascença e está aprendendo a se movimentar com técnica usada por morcego e golfinhos, que consiste em estalar a língua e escutar como o ruído reverbera em superfícies próximas. Leia notícia relacionada
Foto: BBC Brasil
O bebê Alfie, da Inglaterra, nasceu com malformação da Veia de Galeno. Médicos tiveram que deslizar um cateter da largura de um fio de cabelo através do seu cérebo e usaram uma espécie de super cola para selá-lo ao longo da artéria. Leia notícia relacionada
Foto: O Dia
Oscar sofria de uma deformidade grave no rosto causada por um acidente, que tornava difícil respirar, engolir e falar.
Foto: AFP
O espanhol Oscar foi o primeiro paciente no mundo a receber um rosto completo em trasplante, em julho de 2010. Leia notícia relacionada
Foto: AFP
Morgan LaRue, de 9 anos, foi a primeira a receber uma prótese que "cresce", evitando novas cirurgias, nos EUA. Leia notícia relacionada
Foto: Texas Children''''s Hospital / BBC Brasil
Christopher Sands passou três anos soluçando constantemente até retirar 60% de um tumor no cérebro em cirurgia no Japão. Leia notícia relacionada
Foto: BBC Brasil
A francesa Isabelle Dinoire de 38 anos foi submetida ao primeiro transplante parcial de rosto. Leia notícia relacionada
Foto: AP
Especialistas de dois hospitais fizeram a operação no final de novembro de 2005, na cidade de Amiens, norte da França.
Foto: AP
A paciente superou dois episódios de rejeição ao tecido e duas insuficiências renais.
Foto: AP
Isabelle Dinoire recebeu um novo nariz, lábios e queixo
Foto: AP
Isabelle teve a face desfigurada por um cachorro enquanto dormia.
Foto: AP
O menino iraquiano sofre de Malformação Aneurismática da Veia de Galeno. Leia notícia relacionada
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A doença dificulta a circulação de sangue no cérebro de Sirwaan
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A doença causava a saída de sangue do órgão pelo olho esquerdo do menino iraquiano e inchava a região
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A equipe com uma dúzia de médicos demorou cinco horas para realizar a cirurgia no menino iraquiano, que foi considerada um sucesso
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Segundo o doutor Shakir Hussain, neurologista do hospital, o menino iraquiano passou por diversos exames e os especialistas decidiram fazer uma operação inovadora "ao fazer desvios ou passagens alternativas para o sangue"
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Para salvar a vida do filho, o pai levou Sirwaan até Nova Delhi, na Índia
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Finley sofria de uma rara condição genética chamada Síndrome de Apert, que deixa o crânio em um formato cônico parecido a um chifre. Médicos separaram o crânio do garoto em diversos pedaços pequenos e os grudaram de volta em outro formato. Leia notícia relacionada
Foto: Kitty Gale/Landmark Films / BBC Brasil
Milagros Cerrón Arauco nasceu com a deformação chamada "síndrome de sereia". Leia notícia relacionada
Foto: AFP
Ela passou por uma operação para separar as pernas da virilha até o calcanhar.
Foto: AFP
Bebê nasceu com a síndrome da sereia
Foto: AP
A estudante russa Darya Egorova, 6 anos, passou por uma cirurgia pioneira contra um câncer de osso, em Londres. Leia notícia relacionada
Foto: Harley Street Clinic / BBC Brasil
Os médicos britânicos trataram em apenas três horas o câncer localizado na perna da menina
Foto: Harley Street Clinic / BBC Brasil
Cirurgiões retiraram parte do osso da canela e o reimplantaram após tratamento com radioterapia em clínica londrina
Foto: Harley Street Clinic / BBC Brasil
A novidade da operação é que o osso afetado não teve de ser enviado a um hospital enquanto o paciente aguardava na mesa de cirurgia. Tudo foi feito na clínica
Foto: Harley Street Clinic / BBC Brasil
A adolescente britânica de 14 anos da Inglaterra, que tem alergia a nozes teve de ser hospitalizada após beijar seu namorado, que tinha comido cereais que continham avelãs. Ela recebeu uma injeção de adrenalina e se recuperou totalmente. Leia notícia relacionada
Foto: BBC Brasil
Sharon Phillips antes (dir.) e depois (esq.) de uma dieta que, segundo ela, permitiu descobrir três tumores fatais. Leia notícia relacionada
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Segundo os médicos que trataram a mulher, ela descobriu o câncer no momento exato para que pudessem salvá-la
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Sharon em imagem feita enquanto estava em tratamento. A mulher se livrou dos três tumores
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Após descobrir os tumores, ela iniciou o tratamento imediatamente.
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A canadense Aleisha Hunter foi curada de câncer de mama quando tinha 3 anos. Leia notícia relacionada
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A mãe de Aleisha, Melanie, foi quem descobriu o caroço no peito da criança, quando a secava depois de um banho
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Aleisha Hunter, de Toronto, no Canadá, foi diagnosticada em dezembro de 2008, quando tinha 2 anos
Foto: Barcroft Media / Getty Images
A criança canadense foi curada quando tinha 3 anos e não apresenta mais sinais da doença
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Aleisha foi a pessoa mais jovem a ter a doença diagnosticada
Foto: Barcroft Media / Getty Images
Jordan Harden viveu 2 anos com câncer até que os médicos desistiram dos tratamentos e lhe deram semanas de vida. Entretanto, o câncer desapareceu sozinho. Casos de regressão espontânea são raríssimos na medicina. Leia notícia relacionada
Foto: Scope Features / BBC Brasil
Mason Lewis se tornou a menor pessoa da Grã-Bretanha a receber um transplante de pulmão aos 4 anos. Ele media apenas 93 cm de altura. Leia notícia relacionada
Foto: BBC Brasil
O bebê britânico Freddie Allen nasceu saudável após contrair uma doença e passar por uma transfusão de sangue ainda dentro do útero. Leia notícia relacionada
Foto: Caters / BBC Brasil
Joshua Baker sofreu uma parada cardíaca aos 5 anos e seu coração não bateu por 40 minutos, mas um médico conseguiu reanima-lo com uma massagem cardíaca. Leia notícia relacionada
Foto: Caters / BBC Brasil
Giles é portador da síndrome Goldenhar, que fez com que ele nascesse com um pequeno lóbulo no lugar de sua orelha direita. Uma cirurgia plástica, na Inglaterra, corrigiu a deformação. Leia notícia relacionada
Foto: Agência Ross Parry / BBC Brasil
Rafael, a segunda pessoa a receber um transplante facial na Espanha, conversa com repórteres em Sevilha, após alta médica em maio de 2010. Leia notícia relacionada
Foto: EFE
Rafael já tem sensibilidade à dor e diferencia o calor e o frio
Foto: EFE
Rafael recebe o carinho da enfermeira que o acompanhou nas 14 semanas de internação
Foto: EFE
Dallas Wiens antes (esq.) e após o transplante completo de rosto realizado em Boston em maio de 2011. Leia notícia relacionada
Foto: Reuters
O agricultor, que não conseguiu recuperar a visão, é conduzido pelos médicos do hospital
Foto: Reuters
Em entrevista á imprensa, a equipe de médicos explicou o procedimento, que levou 15 horas e envolveu 30 profissionais
Foto: Reuters
O urso Walker precisou de uma cirurgia nos dentes aos dois anos de idade. Leia notícia relacionada
Foto: The Royal Zoological Society of Scotland / Divulgação
O urso estava com o rosto inchado e, como antibióticos não fizeram efeito, os veterinários decidiram sedar o animal para fazer o procedimento
Foto: The Royal Zoological Society of Scotland / Divulgação
Um urso polar teve que passar por uma cirurgia após os veterianários descobrirem que ele estava sofrendo dores
Foto: The Royal Zoological Society of Scotland / Divulgação
O pinguim Happy Feet perdeu a rota de migração e foi parar na Nova Zelândia. Leia notícia relacionada
Foto: AP
John Wyeth, chefe da gastroenterologia do hospital de Wellington e um dos mais renomados médicos da Nova Zelândia, conduziu uma operação em um pinguim. O animal foi encontrado em uma praia do país após comer areia - que o pinguim teria confundido com gelo
Foto: AFP
Após ser "extraviado" de seu país, Happy Feet é operado no "asilo" da Nova Zelândia
Foto: AP
O animal foi encontrado na costa de Kapiti, na ilha Norte, e tem cerca de 10 meses. A cirurgia serviu para limpar seu estômago, já que ele vinha comendo areia na praia.
Foto: AP
Liesel, o gorila mais antigo do Zoológico de Budapeste, foi preparado por veterinários da instituição para intervenção cirúrgica. Leia notícia relacionada
Foto: Reuters
A operação fez-se necessária devido a um tumor que ameaçava a vida do gorila
Foto: Reuters
A fêmea, de 32 anos de idade, teve seu útero operado por médicos e veterinários
Foto: Reuters
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