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Pesquisa

Grande tsunami pode ter atingido Nova York há 2 mil anos

4 mai 2009 - 17h36
(atualizado às 18h24)
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Há cerca de 2,3 mil anos, uma onda gigantesca pode ter atingido a região onde hoje está a cidade de Nova York, despejando sedimentos e conchas por Long Island e Nova Jersey e lançando pedaços de madeira correnteza acima no Rio Hudson, dizem cientistas americanos. A teoria proposta pelos especialistas da Vanderbilt University, em Nashville, Tennessee, está sendo verificada com o uso de datação por radiocarbono e outros métodos.

Mais de 20 amostras de sedimentos recolhidas em Nova York e Nova Jersey indicam que algum tipo de força violenta varreu a costa nordeste da região por volta do ano 300 a.C.. Especialistas tentam também esclarecer o que teria provocado a onda - um desabamento de terra submarino ou, quem sabe, o impacto provocado pela queda de um asteróide.

Os pesquisadores admitem a hipótese de uma tempestade violenta, mas as evidências encontradas parecem indicar, com cada vez mais certeza, que um tsunami no oceano Atlântico teria sido a verdadeira causa.

Tempestade

O cientista Steven Goodbred, um dos responsáveis pelo estudo, disse que cascalho, fósseis marinhos e outros sedimentos atípicos encontrados em amostras retiradas da área datam de 2,3 mil anos atrás. Uma onda de alta velocidade e fortes correntes teriam sido necessárias para transportar material daquele tamanho e distribuí-lo pela área, disse Goodbred.

Para ele, é pouco provável que a força produzida por uma tempestade seria suficiente. "Se estivermos errados, foi uma senhora tempestade", disse o especialista.

Causa

A origem de um tsunami dessas proporções também está sendo debatida. Um desabamento de terra dentro do mar seria a causa mais provável da onda gigantesca, mas uma das equipes envolvidas na investigação propôs a hipótese de que a queda de um asteroide teria provocado a onda. Por volta do ano 300 a.C., praias e brejos adornavam a costa, e índios americanos caminhavam pelas praias da região.

Hoje, uma onda da proporção imaginada pelos especialistas deixaria Wall Street e a rodovia Long Island Expressway cobertas de água salgada. Segundo o geólogo Neal Driscoll, do Scripps Institution of Oceanography, que não participa desse estudo, um tsunami atlântico é raro mas não impossível. O problema e provar que ele teria acontecido, 2 mil anos atrás.

Driscoll disse que desabamentos de água no fundo do mar, terremotos ou uma combinação dos dois são as causas mais comuns de tsunamis atlânticos. O tsunami de 1929 que atingiu a região de Grand Banks, em Newfoundland, Canadá, matando mais de 20 pessoas e derrubando cabos transatlânticos, foi provocado por um desabamento de terra submarino resultante de um terremoto.

Goodbred acha que a onda que atingiu Nova York teve tamanho semelhante - entre três e quatro metros de altura - mas não alcançou a magnitude do tsunami no Oceano Índico que atingiu vários países em 2004. As pistas estão enterradas sob metros de sedimentos em Nova York e Nova Jersey.

Tsunamis são mais comuns nos oceanos Pacífico e Índico, onde há colisão de placas continentais. Por isso, nesses oceanos, terremotos marinhos são relativamente comuns. Como explicou o especialista Bruce Jaffe da United States Geological Survey, no Atlântico, onde as placas são espalhadas, tsunamis são mais raros - e portanto menos estudados.

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