Estudiosos alertam para criação de drogas contra gripe aviária
Especialistas alertaram governantes nos últimos dias da necessidade de diversificar seus estoques de remédios e reclamaram a produção de novos medicamentos para lutar contra o que pode ser a próxima pandemia de gripe, causada pelo vírus da gripe das aves H5N1. Muitos países desenvolvidos se abasteceram, de oseltamivir e zanamivir, duas variedades da mesma classe de droga que faz com que o vírus H5N1 pare de se multiplicar.
Mas o oseltamivir provou ser muito mais ineficaz na luta contra o H1N1, vírus da gripe em humanos sazonal, e especialistas questionam quanto e por quanto tempo a droga se revelaria eficaz contra o vírus H5N1, antes que se desencadeasse uma pandemia.
"Temos sido extremamente tolos em nossas políticas de estoque de medicamentos. Temos armazenado duas variedades da mesma droga", observou o virologista Robert Webster, no Hospital Saint Jude Children, nos Estados Unidos, durante uma conferência realizada em Hong Kong.
De acordo com o virologista, a resistência do vírus H1N1 em relação ao oseltamivir já é cerca de 98% mais alta em todo o mundo. "O cenário provável é que o vírus H5N1 se tornará mais resistente conforme se for usando mais e mais (uma das) drogas. Obtém-se H5N1 mutantes e resistentes", explicou.
De acordo com centros americanos para controle e prevenção de doenças, em dezembro de 2008, 49 das 50 amostras do vírus H1N1 testadas foram mais resistentes ao oseltamivir, que é produzido pela Roche AG e Gilead Sciences Inc.
O relenza, conhecido genericamente como zanamivir, é feito pela GlaxoSmithKline sob licença da Australia's Biota Inc.. Vírus e bactérias são organismos que lutam fortemente para sobreviver e se adaptar rápido a drogas que são utilizadas para matá-los, tornando-se assim resistentes a elas.
Segundo especialistas presentes na conferência, a maior parte dos vírus H1N1 era sensível ao oseltamivir há apenas alguns anos, mas aprendeu a se adaptar à droga com rapidez. O que mais temem é a possibilidade de o H5N1 também conseguir se adaptar ao oseltamivir, assim como o H1N1 conseguiu, já que ambos os vírus compartilham o componente proteico comum N1