'Foi a coisa mais especial que aconteceu na minha vida': astronautas da Artemis II se pronunciam após pouso
Tripulação falou pela primeira vez após retorno à Terra e relatou desafios e emoções de quase dez dias no espaço
Poucas horas após retornarem à Terra, os astronautas da missão Artemis II, da Nasa, falaram publicamente pela primeira vez neste sábado, 11, depois do pouso bem-sucedido no Oceano Pacífico na noite de sexta-feira. A tripulação, formada por Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, protagonizou o voo que chegou ao ponto mais distante do planeta já alcançado por humanos. Em tom de emoção, eles compartilharam impressões após quase dez dias no espaço.
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Durante a apresentação na base de Ellington Field, em Houston, o comandante Reid Wiseman destacou os desafios da experiência. "Não foi fácil estar a mais de 320 mil quilômetros de casa", afirmou. "Antes do lançamento, parece o maior sonho do mundo, e quando você está lá fora, só quer voltar para sua família e seus amigos. É algo especial ser humano e é algo especial estar no planeta Terra", acrescentou.
Emocionado, Wiseman foi abraçado pelos colegas e aplaudido pelos presentes. Antes disso, havia se dirigido diretamente à equipe, dizendo que "ninguém jamais saberá o que nós quatro passamos" e classificando a missão Artemis como "a coisa mais especial que vai acontecer na minha vida".
O lançamento da Artemis II ocorreu em 1º de abril, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida. O retorno à atmosfera terrestre começou às 20h53 de sexta-feira, e a amerissagem -- pouso na água -- foi concluída às 21h07, após cerca de 13 minutos, sendo seis deles sem qualquer comunicação com a equipe em solo.
O piloto Victor Glover também demonstrou dificuldade em traduzir a experiência. "Eu estou com medo de começar a falar. Eu ainda não processei o que nós fizemos. Estou com medo de começar até a tentar", disse. "Quando tudo isso começou, eu queria agradecer a Deus publicamente, e quero agradecer a Deus novamente, porque ainda maior do que o desafio de tentar descrever o que passamos, a gratidão por ver o que vimos, fazer o que fizemos e estar com quem estive, é grande demais para caber em apenas um corpo", afirmou.
A astronauta Christina Koch também ressaltou a dificuldade de dimensionar a vivência. Única mulher a bordo da cápsula Orion, ela revisitou o significado de fazer parte da equipe. "As pessoas perguntam à nossa tripulação sobre as impressões que nós tivemos. Honestamente, o que me impressionou não foi necessariamente apenas a Terra, mas toda a escuridão em volta. A Terra é só esse bote salva-vidas, navegando sem perturbações pelo Universo", afirmou, antes de se emocionar. "Eu sei que ainda não aprendi tudo o que esta jornada tem para me ensinar, mas há uma coisa nova que aprendi, e essa coisa é: Planeta Terra, vocês são uma tripulação".
Encerrando as falas, o canadense Jeremy Hansen destacou o lado humano da missão e revelou um conceito criado pela equipe. " Temos um termo na nossa equipe que criamos há muito tempo: "trem da alegria"", disse. "Parece que vocês viram muita alegria lá em cima, e havia muita alegria mesmo. Mas nem sempre estamos no trem da alegria. Muitas vezes não estamos, mas estamos comprometidos em voltar a embarcar nele o mais rápido possível. E essa é uma habilidade útil para qualquer equipe que esteja tentando realizar algo", concluiu.

