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Blue Origin, de Jeff Bezos, interrompe turismo espacial para apoiar missões da Nasa de volta à Lua

Empresa tem contrato de US$ 3,4 bilhões com a agência governamental e a cobrança de Donald Trump para colocar o projeto Artemis III em órbita até o final de 2028

31 jan 2026 - 11h51
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O pequeno e atarracado foguete New Shepard, da empresa espacial fundada por Jeff Bezos, já levou celebridades como William Shatner, Michael Strahan e Katy Perry até a borda do espaço. Agora, ele não irá a lugar nenhum por um bom tempo.

A empresa, Blue Origin, anunciou na sexta-feira, 30, que pausará os lançamentos do New Shepard por pelo menos dois anos para se concentrar nos esforços necessários para as próximas missões da NASA que pretendem levar astronautas de volta à Lua.

O primeiro voo do New Shepard com pessoas a bordo, em 2021, atraiu grande atenção da imprensa porque um dos quatro passageiros era o próprio Bezos. Duas semanas antes, outro bilionário, Richard Branson, também voou até a borda do espaço em um avião espacial construído por sua empresa, a Virgin Galactic.

O New Shepard já voou 38 vezes, decolando da base da Blue Origin no oeste do Texas. Outros passageiros eram menos famosos, mas incluíam duas figuras históricas do início da era espacial: Wally Funk, que participou de treinamentos de astronautas nos anos 1960, e Edward Dwight, um piloto de testes negro que chegou a ser considerado, mas não selecionado, como astronauta.

Jeff Bezos deixou a Amazon para se dedicar à sua empresa de exploração espacial Blue Origin
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Foto: Blue Origin/Divulgação / Estadão

O foguete não atinge a órbita, como o muito maior New Glenn, também da Blue Origin. Em vez disso, funciona mais como uma montanha-russa vertical. Uma cápsula no topo do foguete, geralmente transportando pessoas ou experimentos científicos, ultrapassa a altitude de 100 quilômetros — frequentemente considerada a fronteira do espaço. Depois, desce com a ajuda de paraquedas para pousar.

A empresa informou que transportou 98 passageiros — 92 indivíduos, alguns deles voando mais de uma vez — que agora podem se gabar de se chamar astronautas.

O propulsor reutilizável usa suas aletas para se orientar até a plataforma de pouso, acionando o motor para uma aterrissagem suave. O voo mais recente, com seis passageiros, ocorreu na semana passada. Depois disso, Phil Joyce, vice-presidente sênior da Blue Origin responsável pelo New Shepard, não deu qualquer indicação de que haveria uma pausa.

"Ao entrarmos em 2026, estamos focados em continuar oferecendo experiências transformadoras para nossos clientes por meio da capacidade comprovada e da confiabilidade do New Shepard", disse Joyce em comunicado.

A Blue Origin afirmou ter uma fila de clientes que se estende por vários anos, todos interessados em garantir um assento no New Shepard.

Contrato de US$ 3,4 bilhões com a Nasa

A empresa, fundada por Bezos em 2000, possui um contrato com a NASA para fornecer módulos de pouso lunar que levarão astronautas ao sistema lunar como parte do Programa Artemis. Originalmente, o primeiro módulo lunar da Blue Origin seria usado na missão Artemis V, cujo lançamento provavelmente só ocorreria na década de 2030.

No entanto, a SpaceX, que está desenvolvendo uma versão de sua gigantesca nave Starship como módulo de pouso para as missões Artemis III e IV, enfrentou atrasos. A NASA solicitou que tanto a SpaceX quanto a Blue Origin trabalhassem em ideias para acelerar o desenvolvimento de um módulo lunar para a Artemis III.

"Estamos absolutamente avançando com ambos os caminhos de aceleração em paralelo", disse Jared Isaacman, administrador da NASA, em entrevista esta semana. "Precisamos fazer tudo o que pudermos para ajudá-los."

O presidente Donald Trump quer que a Artemis III seja lançada até o fim de 2028, antes do término de seu mandato.

A receita gerada pelo New Shepard é minúscula em comparação com o contrato de US$ 3,4 bilhões da NASA para os módulos lunares da Blue Origin. A empresa nunca divulgou o preço das passagens — que oferecem apenas alguns minutos de gravidade zero —, mas, se o tíquete médio custasse US$ 1 milhão, os 98 passageiros até agora teriam rendido menos de US$ 100 milhões.

Voos transportando experimentos científicos também geraram alguma receita adicional. Em um desses lançamentos, em 2022, o estágio propulsor falhou, mas um sistema de escape de emergência levou a cápsula em segurança.

Tanto o foguete da Blue Origin quanto o avião espacial da Virgin Galactic buscavam criar um mercado de turismo espacial suborbital. Mas nenhuma das empresas conseguiu acelerar o ritmo dos lançamentos, e as pessoas nas listas de espera continuam presas ao solo por enquanto.

Em 2024, a Virgin Galactic pausou os voos de sua única nave operacional para focar na fabricação de uma nova geração de veículos, visualmente idênticos, mas projetados para voar com mais frequência e transportar seis passageiros em vez de quatro. A empresa espera iniciar as operações dessas novas naves ainda este ano.

O New Shepard também forneceu experiência e tecnologia importantes para a Blue Origin. Uma variação do motor do New Shepard é usada no segundo estágio do New Glenn.

A experiência com pousos dos propulsores do New Shepard também ajudou a empresa a pousar com sucesso o propulsor do New Glenn em uma balsa flutuante no ano passado, já na segunda tentativa, após lançar uma pequena missão científica da NASA em direção a Marte.

Estadão
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