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Chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA, dizem fontes

7 jul 2026 - 11h06
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A startup chinesa DeepSeek está desenvolvendo seu próprio chip de IA, segundo três fontes a par do assunto, uma ‌iniciativa que poderia reduzir sua dependência dos produtos da Nvidia e da Huawei, dos quais tem dependido para treinar e executar seus modelos, populares em todo o mundo.

O chip foi projetado para inferência -- a etapa da computação de IA em que um modelo treinado gera respostas para os usuários -- e não para o treinamento de novos modelos, afirmaram as fontes.

Se for bem-sucedida, a expansão da DeepSeek para o desenvolvimento de semicondutores marcaria uma grande mudança estratégica para a empresa, amplamente considerada na China como a campeã nacional em IA. Isso também poderia aumentar os desafios enfrentados pela gigante chinesa de tecnologia Huawei.

Às 10h45 (horário de Brasília), as ações ⁠da Nvidia, com sede nos EUA, cediam perto de 2%.

"A Nvidia está em zero na China e vai continuar assim. A DeepSeek quase não tem chance de vender ‌chips fora da China, a menos que tenha acesso a tecnologia de ponta em fabricação", disse o analista Richard Windsor, da Radio Free Mobile, acrescentando que o desenvolvimento não afeta a fabricante de chips.

A DeepSeek ganhou fama mundial há mais de um ano, após lançar dois modelos de IA altamente eficientes que se ‌tornaram virais em todo o mundo, surpreendendo muitos no Vale do Silício e em Washington.

A empresa ‌é conhecida há muito tempo por enfatizar avanços em modelos de IA, em vez de comercializar sua tecnologia.

Embora as ofertas da Huawei ainda fiquem muito ⁠atrás dos chips mais avançados da Nvidia, a proibição dos EUA de exportá-los para a China ajudou a Huawei a conquistar cerca de metade do mercado doméstico de chips de IA, avaliado em US$50 bilhões, fornecendo para a DeepSeek e para vários outros participantes líderes do setor.

No entanto, o domínio da Huawei no mercado já está enfraquecendo, à medida que rivais tecnológicos como Alibaba e Baidu desenvolvem seus próprios chips de IA e ganham participação de mercado.

Os esforços da DeepSeek para entrar nessa corrida ainda estão em um estágio inicial, com a empresa buscando parceiros externos e mantendo discussões com empresas de design de chips, fundições e memórias, ‌segundo as três fontes. A iniciativa começou há cerca de um ano, disse uma delas.

A empresa sediada em Hangzhou também intensificou a contratação de engenheiros de projeto de ‌chips nos últimos meses, mas o recrutamento tem sido ⁠feito de forma discreta, sem anúncios de ⁠vagas em plataformas públicas de recrutamento, segundo duas das fontes.

Todas as três fontes preferiram não se identificar, pois as informações não são públicas. Apesar de ter se tornado um ⁠porta-estandarte das ambições da China em IA, a DeepSeek tem mantido um perfil discreto. A empresa não ‌respondeu a um pedido de comentário.

ACOMPANHANDO AS TENDÊNCIAS ‌GLOBAIS

Com um chip desenvolvido internamente, a DeepSeek se juntaria a outras empresas globais de IA na busca por maior controle sobre o hardware por trás de seus modelos e menor dependência dos chips da Nvidia.

A OpenAI revelou no mês passado o Jalapeño, seu primeiro chip de inferência personalizado, desenvolvido em parceria com a Broadcom, enquanto a Anthropic vem avaliando a possibilidade de construir seus próprios chips de IA, informou a Reuters em abril.

Para a DeepSeek, ⁠essa iniciativa traz uma dimensão estratégica adicional. Os controles de exportação dos EUA impedem que empresas chinesas comprem os chips mais avançados da Nvidia, e Pequim vem pressionando suas empresas líderes em tecnologia a desenvolver alternativas nacionais.

O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, disse em uma rara entrevista concedida em 2024 a um veículo de mídia chinês que os controles de exportação de chips representavam um desafio para a empresa.

A DeepSeek tem utilizado chips tanto da Nvidia quanto da Huawei. A empresa afirmou que o modelo de base que sustenta o R1 -- o modelo de raciocínio ‌cujo desempenho de baixo custo provocou uma queda acentuada nas ações do setor de tecnologia dos EUA em janeiro de 2025 -- foi treinado no H800 da Nvidia, um chip projetado para o mercado chinês que Washington proibiu no final de 2023.

Desde então, a empresa tem se apoiado cada vez mais na Huawei. ⁠Em abril, ela lançou seu modelo V4 adaptado para os chips Ascend da Huawei. Já a Huawei afirmou que seus processadores foram utilizados em parte do treinamento do V4-Flash, uma versão mais leve do modelo. Os pedidos pelos chips Ascend 950 da Huawei por parte de conglomerados de tecnologia chineses dispararam após o lançamento, segundo reportagem da Reuters.

ATENDENDO À DEMANDA POR INFERÊNCIA

Um chip de inferência da DeepSeek teria como alvo o segmento de maior crescimento na demanda por computação de IA. À medida que as aplicações de IA se disseminam, cada vez mais o trabalho de computação do setor está mudando do treinamento de modelos para a execução deles, o que depende de chips especializados que podem ser mais baratos e consumir menos energia do que GPUs de uso geral.

No entanto, não há garantia de sucesso. Projetar um chip de IA competitivo normalmente leva anos e exige um capital significativo. A fabricação representa outro obstáculo, já que os EUA proíbem projetistas chineses de acessar as fundições estrangeiras mais avançadas, enquanto restrições separadas dos norte-americanos reduziram o acesso da China à memória de alta largura de banda, um componente essencial para chips de inferência de IA.

A aposta da DeepSeek nos chips coincide com a primeira vez em que a empresa aceita capital externo. A empresa estava preparada para levantar US$7 bilhões em uma rodada inicial de financiamento, com a companhia sendo avaliada entre US$52 bilhões e US$59 bilhões, informou a Reuters em junho, em uma reversão de sua estratégia de longa data de rejeitar investimentos externos.

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